segunda-feira, julho 06, 2015

SUMMER HOLIDAY (1963)

MOCIDADE EM FÉRIAS
Um filme de PETER YATES



Com Cliff Richard, Lauri Peters, Melvyn Hayes, Una Stubbs, Teddy Green, Pamela Hart, Jeremy Bulloch, Jacqueline Daryl, Madge Ryan, Lionel Murton, Christine Lawson, Ron Moody, David Kossoff, Wendy Barry, The Shadows


GB / 107 min / COR / 16X9 (2.35:1)


Estreia na GB a 11/1/1963
Estreia nos EUA a 12/3/1964
Estreia em PORTUGAL a 13/9/1964 (Lisboa, cinema Roma)



Barbara Winters: «"Just for the record, 
I've loved you ever since I was a little boy»

E no que me toca pessoalmente, também posso dizer que amo este filme desde que era um rapazinho. Dez anos, era a idade que eu tinha, quando o vi pela primeira vez na estreia, em Agosto de 1963, num qualquer cinema de Johannesburg. Agora que estão aí mais umas férias de Verão, não encontro nada mais apropriado do que sugerir de novo “Summer Holiday” aos amigos deste blogue, sobretudo aos que têm mais de 55 anos. É que é um filme que não cansa, por muitas vezes que se veja.


“Summer Holiday” foi, naqueles inícios da década de 60, o filme por excelência da juventude, da minha juventude. Os Beatles ainda estavam a arrancar e a cena pop britânica era completamente dominada pelo Cliff e os seus Shadows. Era o 4º filme deles juntos (o primeiro a cores), logo depois de “The Young Ones” (1961) e após a estreia em dois filmes de 1959: “Serious Charge” e “Expresso Bongo”. Ao contrário do seu antecessor, “Summer Holiday” era um musical autêntico, recheado de muitos e magníficos bailados, de uma frescura impressionante, provavelmente por terem sido executados na sua grande maioria por bailarinos não profissionais. Essa frescura, por incrível que pareça, mantém-se ainda hoje imaculada, como a testemunhar toda a candura daquela época.

Enquanto que “The Young Ones” foi rodado totalmente em Londres, “Summer Holiday” atravessou o Canal da Mancha para percorrer as estradas de França, Suíça, Áustria e Jugoslávia, até por fim se deter na extremidade sul da Grécia, em Atenas. Aliás, a frase promocional do filme era, precisamente, “The Young Ones Have Gone Abroad!”. Para além dos intervenientes nessa travessia europeia, a grande vedeta do filme era o autocarro londrino nº 9, imponente do alto do seu primeiro andar e muito orgulhoso do seu tom vermelhão. Apesar de terem sido adquiridos duas unidades para o filme, apenas um dos autocarros foi usado. A matrícula era WLB 991 e o veículo veio da garagem Cricklewood da London Transport. Actualmente só se mantêm no activo dois autocarros desse tipo.

Mas vamos à história: Don (Cliff Richard), Cyril (Melvin Hayes), Steve (Teddy Green) e Edwin (Jeremy Bulloch) são os quatro mecânicos da London Transport que transformam o autocarro numa caravana com todas as comodidades para assim poderem gozar uma semana de férias em França. Logo no início da viagem, antes de chegarem a Paris, têm um pequeno acidente com um calhambeque onde seguem três cantoras inglesas – Sandy (Una Stubbs), Angie (Pamela Hart) e Mimsie (Jacqueline Daryl). Os planos são alterados e o destino passa a ser Atenas, onde o trio tem um contrato para actuarem ao vivo, e para onde os quatro mecânicos as prometem levar.

Outros encontros e peripécias diversas vão-se sucedendo nas diversas localidades pelas quais o number 9 vai passando, como um grupo persistente de quatro músicos que vão aparecendo esporadicamente durante a viagem (Os Shadows, claro). Entretanto, um passageiro clandestino aparece um dia escondido no autocarro. Ao princípio julgam ser um rapaz mas pouco tempo depois descobrem tratar-se de Barbara (Lauri Peters), uma jovem cantora americana, que anda fugida da mãe e do seu agente, e que rapidamente se afeiçoa a Don.

É evidente que a historieta é o que menos importa aqui. A grande força de “Summer Holiday” é a música e as canções de Cliff, todas elas clássicos absolutos, que ficariam para sempre ligadas ao universo do cantor inglês: “Summer Holiday”, “Bachelor Boy”, “Dancing Shoes”, “The Next Time”, “Big News”. O mesmo para os instrumentais dos Shadows: “Les Girls”, “Round And Round”, “Foot Tapper”. A produção da banda-sonora ficou a cargo de Norrie Paramor e Stanley Black dirigiu a Associated British Studio Orchestra, com os coros de Michael Sammes e de Norrie Paramor. Lauri Peters foi dobrada pela cantora Grazina Frame no tema “A Swinging Affair”.

A premiere do filme em Londres, no Teatro Warner de Leicester Square, a 11 de Janeiro de 1963, foi uma autêntica loucura. Os fans aglomeravam-se no passeio, à espera daquele que era o ídolo nº 1 da Grã-Bretanha. Quando Cliff chegou, foi tal a histeria que o cantor nem conseguiu saír do carro e não teve outro remédio senão de ir passar o serão a ver televisão no apartamento de um amigo. “Summer Holiday” destronou rapidamente o grande sucesso da altura – o primeiro filme de James Bond, “Dr. No”, com Sean Connery – e bateu todos os recordes do box office de um filme britânico.

CURIOSIDADES:

- A sequência do genérico foi filmada a preto e branco e mostra uma banda da Marinha a tocar na praia, à chuva. Só no final dos créditos aparece a cor, quando o autocarro vermelho faz a sua entrada

- O jornal Melody Maker descreveu “Summer Holiday” como «first class throughout. The storyline and tone of acting, plus some hunting tunes will endear it to millions». Outro crítico fez a comparação com o mais recente filme de Elvis Presley: «I’m not praising “Summer Holiday” out of patriotism but it’s simply a fact that it has more freshness and zest than “Girls! Girls” Girls!”»



- A camiseta esburacada usada por Cliff na parte final do filme ("Dancing Shoes" e “The Next Time”) virou grande moda na altura, entre os adolescentes (eu tive duas, uma branca e outra creme, como a do filme. Muitas vezes foram lavadas...)

- A sequência de “Bachelor Boy” foi das raras filmadas em estúdio e já depois da rodagem concluída

- Lauri Peters era casada na altura com Jon Voight, celebrizado seis anos depois por “Midnight Cowboy”. Divorciou-se em 1967, não tendo voltado a casar. Deixou de filmar em 1973 e hoje dá aulas de drama numa escola de artes americana (NYU)

VIDEOS MUSICAIS:





A BANDA-SONORA (EDIÇÃO ESPECIAL):
 LOBBY CARDS:

É, fora de dúvida, um espectáculo atraente o que ontem se estreou no Roma, impressionando favoravelmente a enorme plêiade de admiradores de Cliff Richard. Baseando-se num estilo agora em aura, isto é, a comédia musical provida de curioso enredo (quatro mecânicos de camiões montam um autocarro de dois pisos para viagem experimental encontrando outras tantas moças), Peter Yates realizou com todos os requisitos indispensáveis ao êxito (podia talvez ter reduzido o excessivo número de melodias existentes na segunda metade) uma película viva, alegre e de cunho optimista, que teve o condão específico de captar o interesse da assistência, não só pelo argumento, como pela partitura musical, assinada por Herbert Ross. Digna de encómios a sequência ritmada da parte inicial. Rodado em cinemascópio e com magnífico colorido, este esfuziante hino de juventude, pleno de sequências do mais belo efeito coreográfico, conta com correctas interpretações de Cliff Richard, Lauri Peters, Melvyn Hayes, Una Stubbs, Teddy Green e Pamela Hart, secundados pelos "The Shadows" em curtas passagens. À guisa de complemento, registe-se que Cliff Richard manifesta cada vez mais talento e sabe, como poucos, tirar partido dele, pois joga com um factor de capital importância para manutenção de prestígio: irradia simpatia contagiante. É comunicativo. Tem personalidade. Poeta, comediante, cançonetista, este jovem é bem uma das revelações do mundo dos espectáculos, não só em Inglaterra e na América, como também no resto do Mundo. Complementos diversos. Após o intervalo e apresentados por Fernando Pessa, exibiram-se em barulhentas intervenções os discutidos "reis do twist de 63". Adequado aperitivo para o certame que se avizinha.

Paulo de Medeiros, "Diário Popular", 14 de Setembro de 1963






5 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Do Peter Yates? Que novidade... Desconhecia completamente.

O Falcão Maltês

Billy Rider disse...

Um dos filmes da minha meninice também. E dos que nunca me canso!

Jorge Santos disse...

Lembro-me de ver isto na televisão a uma matiné e de ter gostado. Hoje já não há hipótese de se descobrirem estes filmes na televisão, o que é uma pena.

Luis Faria disse...

Conhecia este filme de uma edição especial da revista Plateia que o meu pai colecionava. Tina a ideia de que se chamava em português: Dançando ao Sol mas vejo agora que estava errado. O filme vi-o há 2 anos e gostei imenso. para mais trás a assinatura de um talentoso realizador cujos filmes muito aprecio nomeadamente Bullit, John and Mary e duelo à beira do Rio. Na altura aproveitei para ver também os filmes dos Beatles realizados pelo Richard Lester . Cumps

Guida Pinto Ricardo disse...

Eu vi este filme a bordo do navio Infante D. Henrique em 1965 quando regressava a Moçambique depois de férias em Portugal (Metrópole, na altura). E 50 anos depois, lembro-me como se fosse hoje.
Parabéns por este blogue e obrigada por me ajudar a avivar memórias.