quarta-feira, outubro 30, 2013

LOVE OBJECT (2003)

OLHOS DA MORTE
Um Filme de ROBERT PARIGI



Com Desmond Harrington, Melissa Sagemiller, Udo Kier, Rip Torn, Robert Bagnell, etc.

EUA / 88 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 5/4/2003 
(Philadelphia International Film Festival)
Estreia em FRANÇA a 16/5/2003 
(Festival de Cannes)


Some people are just made for each other”

Primeiro e único filme até à data deste produtor televisivo (autor também do argumento), “Love Object” revelou-se uma agradável surpresa numa das minhas últimas noites de insónia. Kenneth Winslow (Desmond Harrington) é um tímido escritor de manuais para consumidores, daqueles que quase ninguém lê mas que invariavelmente acompanham os mais diversos produtos. A sua pouca-à-vontade com o sexo oposto leva-o a ser alvo da chacota dos colegas mais próximos, que inclusivé o aconselham a comprar uma boneca de silicone para se entreter. Ken não se faz rogado e encomenda num site da internet uma “Nikki”, cujas características básicas (altura, olhos, boca, cabelos, etc.) ele previamente escolheu. Sendo anti-social por natureza, Ken vê naquele novo brinquedo a oportunidade de estabelecer uma relação de afectividade, quer a nível sexual quer a nível psicológico. Só que essa relação se vai tornando cada vez mais obsessiva, perigosamente obsessiva...


No emprego é-lhe imposta uma nova colaboradora, Lisa (Melissa Sagemiller), que de início desdenha mas por quem, a pouco e pouco, vai desenvolvendo uma relação amorosa - uma novidade inesperada, para a qual nunca se sentiu particularmente motivado. Rapidamente Ken irá sentir-se dividido entre Nikki e Lisa, começando a moldar esta última de acordo com os parâmetros através dos quais definiu a sua relação com a boneca de silicone. E vice-versa, ou seja, modificando o aspecto de Nikki à medida que vai descobrindo em Lisa os atributos que mais o atraem. Ken vai assim deixando-se alienar nesse triângulo amoroso, inusitado e perverso, começando a acusar sinais, cada vez mais inquietantes, de insanidade mental.


Premiado em diversos festivais de cinema, “Love Object” é um filme estranho, uma parábola inquietante sobe a solidão e a obsessão que fazem parte da vida de todos nós, em maior ou menor escala. A originalidade do argumento e a realização segura de Parigi (que gastou pouco mais de 700 mil dólares em apenas 18 dias na rodagem) irá transformá-lo a curto prazo num genuíno cult-movie (se é que os dez anos entretanto decorridos não se encarregaram já disso), a que não falta sequer um inesperado twist final. Procurem-no num canal de cinema da TV por cabo, que não se irão arrepender. 

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