Um filme de JOHN GUILLERMIN
Com Jeff Bridges, Jessica Lange, Charles Grodin, John Randolph, Rene Auberjenois, etc.
EUA / 134 min / COR / 16X9 (2.35:1)
Estreia em França a 8/9/1976
Estreia nos EUA a 17/12/1976
Dwan: [to Kong] “You Goddamn chauvinist pig ape!“
Depois do filme original de 1933 seria necessário esperar pelo Natal de 1976 para em dois mil cinemas de todas as capitais do mundo se estrear a nova versão da história mítica de Kong. Nesse intervalo de 43 anos cerca de uma dúzia de outros filmes, utilizando figuras de gorilas mais ou menos gigantescos, puderam ser vistos. Tratavam-se, na sua grande maioria, de filmes de baixo orçamento, os chamados filmes B. Citam-se alguns: “Nabonga” (EUA, 1944), “Mighty Joe Young” (EUA, 1949, do mesmo realizador do primeiro Kong, Ernest B. Schoedsack), “Gorilla at Large” (EUA, 1954, com Cameron Mitchell e Anne Bancroft), “Konga” (uma curiosa produção inglesa de 1961) ou ainda os japoneses “Kingu Kongu Tai Godzilla” ("King Kong Contra Godzilla") e “Kingu Kongu No Gyakushu” (“O Regresso de King Kong”).
Dino de Laurentis, o produtor italiano mais conhecido nesses anos, foi o cérebro da operação de relançamento da figura de Kong, servindo-se para tanto de um orçamento e de meios técnicos pouco habituais na realização de obras fantásticas. Desta vez a expedição à ilha da Caveira (as filmagens foram feitas no Hawaii) nada tem a ver com o mundo do show-bizz – é um petroleiro, o Petrox Explorer, que sob o comando do dono da empresa, Fred Wilson (Charles Grodin) parte em busca do ouro negro. Jack Prescott (James Bridges), um paleontólogo da Universidade de Princetown, embarca como passageiro clandestino, enquanto que, já a meio da viagem, é pescada numa lancha à deriva a bela Dwan (Jessica Lange), uma actriz loura e sedutora, que se encontrava no iate de um produtor de cinema que naufraga quando se dirigia a Hong Kong.
A partir deste prólogo estão reunidas as personagens principais e as peripécias irão assemelhar-se em muito às do filme de 1933. A energia, fonte de crise na década de 70, substitui-se a uma outra crise económica (a da Grande Depressão dos anos 30). King Kong, trasladado da ilha para Nova Iorque, ao serviço de uma marca e da sua imagem publicitária, é o símbolo de uma natureza que se procura domesticar e moldar a interesses que não são os da grande maioria da população mundial. Desviado do seu habitat natural, Kong mostra-se presa fácil, ainda que de efeitos devastadores, de uma civilização que tudo tenta manobrar em proveito próprio e a todo o custo.
Para lá da perfeição das trucagens, o melhor desta segunda versão de Laurentis-Guillermin é a relação mais íntima desenvolvida entre Kong e a sua presa predilecta, Dwan. Desta vez não se trata apenas de um boneco mecânico, como no primeiro filme. Existe realmente um actor, Rick Baker (não creditado no filme) por detrás da máscara de Kong usada nos grandes planos. Daí a “humanização” da figura do grande gorila nas cenas mais intimistas. E é justo realçar aqui três dessas belissimas sequências: a do banho na cascata da selva (no seguimento do qual Dwan é secada pelo sopro de Kong), a cena do reservatório de petróleo no navio, a caminho já de Nova Iorque (em que Dwan cai, literalmente, na mão de Kong, o qual, acalmado na sua fúria, a deixa paulatinamente subir as escadas de ferro de regresso ao convés do navio) e a cena final no topo do World Trade Center (um dos atractivos extra deste filme, como muito bem se poderá entender) onde o derradeiro sacrifício de Kong é testemunhado pelas lágrimas de Dwan.
Um bom filme de entretenimento, obviamente bem feito tecnicamente, com as virtudes já apontadas mas que abusa um pouco no exotismo e efeitos “bilhete postal”, bastante longe do lirismo espontâneo e do clima poético que, se calhar inconscientemente, o primeiro filme conseguia transmitir ao espectador. De referir ainda a bela partitura musical de John Barry e a estreia de Jessica Lange no cinema, actriz muiti-facetada que nos iria posteriormente oferecer belas interpretações nos mais variados filmes.
CURIOSIDADES:
- O boneco mecânico de "King Kong" foi construído à escala natural (12 metros de altura) por Carlo Rambaldi, recomendado a Dino de Laurentis por Mario Bava, que declinou a oferta para se ocupar dos efeitos especiais por não se querer ausentar de Itália. Durante todo o filme a única cena em que se vê a estrutura na sua totalidade é a da apresentação de Kong (com a coroa) no parque de diversões de Nova Iorque
- Os realizadores Roman Polanski, Michael Winner e Sam Peckinpah recusaram todos eles dirigir esta nova versão do filme. E as actrizes Britt Ekland e Bo Derek recusaram também o papel de Dwan
- Os empregados do Empire State Building, desagradados pelo facto de o final do filme ser filmado no World Trade Center, apresentaram-se no 102º andar do ESB todos vestidos com fatos de macacos
- Segundo revelação feita por Meryl Streep no programa televisivo de David Letterman, Dino de Laurentis recusou a actriz por a considerar “feia”. Disse-o em italiano no final da audição de Streep, sem saber que esta compreendia a língua italiana
- As filmagens decorreram entre Janeiro e Agosto de 1976, num horário exaustivo de 12 horas por dia. Para a cena final em Nova Iorque foram requisitados 5.000 figurantes mas para gáudio dos produtores apareceram mais de 30.000 pessoas
- O filme ganhou o Oscar para os melhores efeitos especiais e foi nomeado para os Oscares do melhor som e da melhor cinematografia. Foi ainda distinguido com um prémio especial da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films.








