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segunda-feira, setembro 21, 2015

BLACKBOARD JUNGLE (1955)

SEMENTES DE VIOLÊNCIA
Um filme de RICHARD BROOKS


Com Glenn Ford, Anne Francis, Sidney Poitier, Vic Morrow, Louis Calhern, Margaret Hayes, John Hoyt, Richard Kiley, Emile Meyer

EUA / 101 min / PB / 4X3 (1.33:1)

Estreia nos EUA: NY, 19/3/1955 
Estreia em PORTUGAL: Lisboa, 29/11/1955 (cinemas São Luís e Alvalade)

Richard Dadier: «Yeah, I've been beaten up, but I'm not beaten. 
I'm not beaten, and I'm not quittin'»

“Blackboard Jungle”, filme importante a vários níveis, ficará sobretudo conotado com o facto de ter contribuído, decisivamente, para a popularidade do Rock ‘n’ Roll na América e, a partir daí, em todo o mundo. Tudo por causa de uma música electrizante que abria e fechava o filme: “Rock Around The Clock”, interpretada por Bill Haley & The Comets. O tema, gravado em 12 de Abril de 1954, saltava para os charts americanos um ano depois, a 14 de Maio de 1955, onde permaneceria 24 semanas - 8 delas em 1º lugar -  e com vendas superiores a 25 milhões de cópias. Um êxito fabuloso para a época, alcançado em grande parte por causa do impacto do filme, estreado dois meses antes. Até no Portugal cinzento dos anos 50 o filme causou sensação, tendo-se estreado simultâneamente nos cinemas S. Luís e Alvalade a 29 de Novembro de 1955, com o título de “Sementes de Violência”. Por curiosidade, transcreve-se de seguida o texto que apareceu no dia seguinte, no jornal “Diário Popular”:



«A atmosfera de interesse criada à volta deste filme com a recordação do incidente diplomático que ele originou na Bienal de Veneza, deu à estreia de ontem uma expectativa que, na realidade, não foi iludida, pois o público que aplaudiu, no final, viu um bom espectáculo de cinema. “Sementes de Violância” (“Blackboard Jungle”) é um filme corajoso e duro. O problema (comum a todos os países que viveram a guerra, mas mais sensível na América) da delinquência infantil, bem explicado por um dos personagens quando diz “os rapazes criaram-se de qualquer maneira, com os pais na guerra e as mães na fábrica”, é tratado com o vigor de um libelo e a enternecedora emoção de uma mensagem de esperança: a de que os jovens só são maus quando não se compreendem os seus problemas e não se coaduna a sua educação com o objectivo de fazer sobressair os seus sentimentos puros e de os afastar das más influências. O filme serve também para exaltar a missão dos professores, mal pagos em toda a parte, até na grande e rica república americana. Filme de tese, “Sementes de Violência” adquire, no entanto, tal intensidade dramática que o espectador é subjugado pelo desenvolvimento da acção de princípio ao fim. A realização, de Richard Brooks, é notável. Sem sobressaltos, sem artifícios, a história é contada com uma violência extraordinária, mas com uma emoção sempre presente em todas as imagens. A interpretação de Glenn Ford é bem um exemplo de como deve representar-se em Cinema. Mas o numeroso grupo de actores que o acompanha é outro dos muitos motivos de êxito. É também de assinalar, com relevo, a adaptação musical, em que figuram algumas belas canções, muito bem tocadas e cantadas. Bons complementos. Um programa que se recomenda.»



Sem dúvida uma curiosa crítica da época, onde ficamos a saber que os professores já eram muito mal pagos, um pouco por todo o lado. De assinalar também o modo cândido como o autor descreve a música. Três semanas depois, o mesmo “Diário Popular” publicou no dia 19 de Dezembro uma pequena notícia: «As músicas de “Blackboard Junge” (“Sementes de Violência”) causaram um delírio junto dos apreciadores da música moderna. A tal ponto, que a primeira remessa para Portugal é da ordem dos 1.500 discos e que já se encontra vendida, mesmo antes de chegar. Trata-se de “Rock Around The Clock” (gravação Decca), “Invention For Guitar And Trumpet” (gravação Capitol) e “The Jazz Me Blues” (gravação Columbia).»



Salários dos professores à parte (algo que, ao que parece, não muda com o passar dos anos), “Blackboard Jungle” é um filme datado, mas por isso mesmo bem representativo das mentalidades, usos e costumes dos anos 50. O argumento foi baseado num romance do escritor norte-americano Evan Hunter (pseudónimo adoptado em 1952 por Salvatore Albert Lombino, nascido em 1926 e falecido em 2005. O escritor ficaria ainda mais conhecido como Ed McBain, que foi outro pseudónimo, adoptado em 1956 e usado para os muitos livros policiais que escreveu a partir daí). O romance, que se revelaria um grande sucesso de vendas, mesmo antes de ser transposto para o grande écran, dá-nos conta de uma realidade sociológica, cuja violência assenta basicamente em relações onde as diferenças rácicas ditam as suas leis. Nisso, e também na falta de meios económicos das classes mais miserabilistas.



Filme generoso e idealista do começo da carreira de Richard Brooks, “Blackboard Jungle” denota ainda alguma ingenuidade nos seus propósitos, nomeadamente a confiança nos valores da democracia americana. Era ainda um Brooks fiel ao sonho americano (do qual se veio a desencantar posteriormente), que dizia quando realizava este filme: «A América é um milhão de coisas e esta é uma delas. Uma coisa pequena. Se está mal corrigimo-la.» Mas, apesar de tudo, Brooks denotou alguma coragem ao realizar este filme, expondo publicamente uma chaga social dos Estados Unidos. Tal temeridade valeu-lhe alguns dissabores na altura, nomeadamente a acusação de ser anti-patriótico. Como referido atrás, "Blackboard Jungle" é hoje um filme datado, apesar de continuar a ter um encanto muito especial. Recheado de magníficas interpretações (foi a faísca que despolotou a longa carreira de Sidney Poitier), é um verdadeiro clássico do género, e as suas influências ainda hoje se fazem sentir.

CURIOSIDADES:

- O single “Rock Around The Clock” pertencia à colecção de discos de Peter Ford, filho de Glenn Ford, tendo por isso sido ouvida casualmente por Richard Brooks, que a escolheu imediatamente para o filme. Sabe-se que muitas das filmagens foram feitas ao som do célebre tema.


- O embaixador americano em Itália, Clare Boothe Luce, proibiu a apresentação do filme no Festival de Veneza, por considerar o mesmo pernicioso à juventude.

- Sidney Poitier, na altura com 28 anos, viria a protagonizar, 12 anos depois, “To Sir With Love” (1967), filme onde desempenha o papel de um professor com problemas de relacionamento com os seus alunos.

- Na altura da estreia, em Inglaterra, o filme foi censurado em cerca de 6 minutos (a cena completa do confronto entre Dadier and Artie), o que lhe retirou todo o clímax final.

- Richard Kiley, que desempenha o papel do professor Joshua Edwards, a quem os alunos dão cabo da colecção de discos, fartou-se de receber, durante toda a sua vida (viria a falecer em 1999), muitos discos antigos de Jazz, que fans do filme lhe enviavam.





terça-feira, dezembro 20, 2011

HUMAN DESIRE (1954)

DESEJO HUMANO
Um filme de FRITZ LANG






Com Glenn Ford, Gloria Grahame, Broderick Crawford, Edgar Buchanan, Kathleen Case, Peggy Maley, Diane DeLaire, Grandon Rhodes, etc.


EUA / 91 min / PB / 
16X9 (1.85:1)


Estreia nos EUA a 5/8/1954
Estreia em PORTUGAL a 22/6/1955



"She was born to be bad...to be kissed...to make trouble". Assim rezava a publicidade deste filme de Fritz Lang, remake americana de "La Bête Humaine" [Jean Renoir, 1938], e com argumento baseado no romance homónimo de Emile Zola. Tenho lido que o filme de Renoir é superior (o próprio Lang assim o pensava) mas não concordo com essa premissa. Este "Human Desire" (título não muito do agrado de Lang, que o achava redundante) é um dos melhores exemplos de film-noir que tenho memória e Gloria Grahame - num papel que esteve para ser entregue a Rita Hayworth - nunca esteve tão perversamente bela e sedutora. «Parece que foi criada para o filme negro, a não ser que seja o contrário», disse dela Tavernier, que cita um crítico americano que escreveu: «quando ela olha, olha realmente; quando está apaixonada, acreditamo-la; e quando está em apuros, em apuros ficamos também.» De facto, três características dos papeis representados por Gloria, bem em evidência neste filme.

"Scarlet Street" [1945] já falava de velhos senis a quem a frustração levava a cometer assassínios, quer na pessoa da mulher desejada perante a qual não se sentem à altura, quer na do rival que outrora a possuiu. Aqui é um marido ciumento, Carl Buckley (Broderick Crawford), que abre as feridas do passado ao insistir com a mulher para interceder por ele junto ao patrão, afim de que possa recuperar o emprego perdido. A recusa inicial de Vicky (Gloria Grahame) prende-se com o facto de em muito nova ter sido amante daquele, situação de que só com muita dificuldade se conseguiu libertar. Ansiosa por uma nova oportunidade de vida, Vicky acaba por ceder à insistência e ir ter com o velho amante. Regressa com a promessa da readmissão do marido, mas este, desconfiado, acaba por ver confirmadas as suspeitas de que a mulher se deitou com o patrão para conseguir o pretendido.

Menos por ciúme ou desejo de vingança do que para fazer de Vicky cúmplice e ligá-la de novo a ele, Carl obriga-a a escrever um bilhete para um novo encontro, na sequência do qual assassina o superior numa carruagem de comboio. Depois do crime, e mais uma vez induzida pelo marido (que agora tem em seu poder a carta incriminatória para a poder chantagear), Vicky seduz Jeff Warren (Glenn Ford), maquinista que por acaso viaja no mesmo comboio, de modo a afastá-lo das imediações do compartimento onde o crime foi cometido. Disposta a tudo para se libertar da chantagem de que passa a ser vitima, Vicky torna-se amante de Warren com o objectivo de o levar a eliminar o marido. Só que no último instante Warren arrepia caminho e é Vicky que no fim vem a sofrer as consequências.


Henri Langlois (antigo director da Cinemateca Francesa), escreveu um dia a propósito dos dois maiores cineastas alemães: «O que há de notável na obra de Murnau é a sua mobilidade. O que há de notável na obra de Fritz Lang é a sua estabilidade.» Por outras palavras, o que Langlois quis certamente salientar foi a sólida implantação arquitectónica duma inabalável estrutura nos filmes de Lang. Estrutura moral (neste homem cuja obra tem o rigor dum tratado de ética), estrutura metafísica (impossível não identificar os seus filmes com as grandes questões a que normalmente se aplica esta etiqueta), estrutura estética assente numa construção rigorosa em que o olhar dos Deuses (ou do destino) se confunde com o da câmara, abarcando todas as aventuras numa só aventura: a que inelutavelmente mantém o homem preso da fatalidade que sobre si se abate. Fatalidade que, para Lang, é o outro nome da deusa de olhos vendados, a Justiça, escrevendo direito por linhas mais que tortas.

"Human Desire" começa por nos mostrar o andamento da locomotiva conduzida por Warren e Alec Simmons (Edgar Buchanan), colegas de profissão. Da cabine de comando a câmara desce para os carris, e quando se encontra entre duas vias, com um comboio a passar à direita e outro à esquerda, os flancos lisos que desfilam são só superfícies imóveis e vibrantes que estão de repente ali e desaparecem de repente. Nunca no filme os comboios são vistos no seu movimento horizontal, nunca é comunicada a sensação de deslocação ou de viagem. É como se os dois ferroviários constituissem os órgãos vitais da locomotiva que conduzem. António Nahud Júnior, ao comentar este filme no seu blogue, "O Falcão Maltês", refere também este aspecto muito particular de "Human Desire": «...personagens decaídos que se despedaçam entre si em um universo asfixiante de apartamentos simplórios e estações de trem, de linhas ferroviárias com traçados retilíneos e restritivos, que são como uma espécie de imagem de seus próprios destinos


O cinema de Lang, neste seu último período (e "Human Desire" é um dos exemplos mais evidentes), tende a ser uma justaposição de imagens, presididas geralmente pela obsessão da simetria, filmadas com aparente impassibilidade por uma câmara quase sempre imóvel, cujas poucas deslocações obedecem apenas à mais limitada funcionalidade. Uma planificação concebida com um sentido rigoroso da síntese reduz estas obras ao que André Bazin chamou «o vazio barométrico da encenação.» Esta sobriedade e concisão convertem o Lang da velhice num dos casos mais exemplares e incompreendidos de um cineasta que levava o estilo próprio às sua últimas e mais arriscadas consequências.




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terça-feira, setembro 06, 2011

SUPERMAN (1978)

SUPER-HOMEM




Um filme de RICHARD DONNER


Com Christopher Reeve, Margot Kidder, Marlon Brando, Gene Hackman, Ned Beatty, Jackie Cooper, Susannah York, Glenn Ford, Phyllis Thaxter, Trevor Howard, Valerie Perrine, Maria Schell, Terence Stamp


EUA / 151 min / COR / 16X9 (2.35:1)


Estreia nos EUA a 10/12/1978 
(Washington D.C.)



Lois Lane [thinking while flying with Superman across the skies of New York]: «Can you read my mind? Do you know what it is that you do to me? I don't know who you are. Just a friend from another star. Here I am, like a kid-out of school. Holding hands with a God. I'm a fool. Will you look at me? Quivering. Like a little girl shivering. You can see right through me. Can you read my mind? Can you picture the things I'm thinking of? Wondering why you are..., all the wonderful things you are. You can fly. You belong in the sky. You and I... could belong to each other. If you need a friend..., I'm the one to fly to. If you need to be loved..., here I am. Read my mind»
A figura de “Superman” pertence já ao imaginário das lendas. Personagem da nossa meninice, criada em 1938 por Joe Simon e Jerry Schuster, apareceu ao mundo no primeiro número da revista Action Comics tendo, a partir daí, povoado a imaginação das crianças de todo o planeta. O filão foi aproveitado praticamente por todos os meios de comunicação: imprensa (com as suas tiras semanais em toda a parte), programas de rádio, televisão (chegou a ser criado um show ao vivo) e, claro, o cinema, com os seus filmes, séries e desenhos animados. Com uma técnica sempre muito duvidosa, foram sendo feitas algumas adaptações ao longo dos anos. De todas elas, a que porventura tem ainda algum interesse será a série televisiva do início dos anos 50, em que o personagem foi sempre vivido pelo mesmo actor, George Reeves (que se suicidaria aos 45 anos, em 1959).
Até que, em 1973, Alexander Salkind, da Warner Bros, adquiriu os direitos de “Superman” para uma nova versão no cinema. A produção do filme começou em Roma, nos fins de 1976, com o inglês Guy Hamilton (responsável por diversos filmes de James Bond) na realização. Depois do seu abandono, por questões de saúde, os produtores viraram-se ainda para Steven Spielberg, mas este estava ocupado com “Close Encounters of the Third Kind” e não pôde aceitar a oferta. Finalmente, depois de ter visto o filme “The Omen”, Alex Salkind conseguiu o contributo do director deste filme, o americano Richard Donner, na altura com 47 anos de idade. Donner impôs a condição de o argumento ser todo revisto, atendendo ao existente na altura não passar de uma pequena novela. Conseguido o acordo, o novo script acabaria por ser escrito por uma equipa liderada por Mario Puzo, o aclamado escritor da saga dos Corleone.
Entretanto, a produção mudou-se de armas e bagagens para Inglaterra, passando a utilizar os estúdios Pinewood e Shepperton. Tendo sido decidido que o actor a escolher para o papel de Superman teria de ser alguém desconhecido do público pela simples razão de dificilmente se poder imaginar um actor credenciado a desempenhar aquele específico papel (leia-se a voar...), as premissas para a difícil decisão passaram a ser apenas duas: um bom porte atlético e algum jeito para representar. Depois de alguns testes, apareceu felizmente o intérprete ideal: um jovem estudante da famosa Juilliard (School of Performing Arts) de Nova Iorque, com 25 anos, recém formado pela Universidade de Cornell. Ao longo da sua carreira (trágicamente interrompida em 1995, quando um acidente de cavalo o deixou paralisado do pescoço para baixo) Christopher Reeve não chegou a distinguir-se em grandes interpretações.

Contudo, em “Superman”, foi o actor perfeito, quer como Clark Kent quer na pele do invencível homem de aço. Na verdade, passados mais de vinte anos sobre a estreia do primeiro dos quatro filmes em que Reeve incarnou a célebre personagem, acreditamos piamente que Superman é Christopher Reeve e vice-versa. Aliás, julgo que esta total identificação contribuiu um pouco para o actor não ter tido um reconhecimento mais alargado do que aquele que efectivamente usufruiu.

Para além de Reeve, o aspecto mais memorável do filme continua a ser a música, bela e grandiosa, que John Williams compôs tão brilhantemente. Começando logo pela introdução majestosa, em que o genérico (também ele magnífico) nos introduz de imediato na espectacularidade da obra. Do mesmo modo efectivo é o tema de amor, "Can You Read My Mind?", mesmo que Margot Kidder se limite apenas a dizer as palavras. Por falar em Kidder, assinale-se quanto acertada foi também a sua escolha para o papel de Lois Lane. Por não ser uma mulher fisicamente deslumbrante ela é extremamente convincente, conseguindo tornar o triângulo Clark / Lois / Superman  numa fascinante ligação, que constitui o centro nevrálgico do filme.
“Superman” ficou também conhecido na altura pelo grande orçamento de que dispôs, cerca de 55 milhões de dólares. Mesmo atendendo a que muitas das cenas foram logo rodadas a pensar já num segundo filme, encarado à partida como uma lógica e necessária segunda parte. Daqueles 55 milhões cerca de 4 milhões foram de imediato parar ao bolso de Marlon Brando, actor que os produtores tiveram de assegurar para garantirem à partida riscos menores para o sucesso ambicionado. Mesmo que a participação de Brando se limitasse a alguns dias de filmagens.

Pelas mesmas razões foi contratado Gene Hackman (este apenas por 2 milhões) para o papel de vilão. Acrescente-se que é talvez este o ponto mais fraco do filme: um tom mais comedido e menos jocoso para o mau da fita teria contribuído para uma maior eficácia e credibilidade, até porque o papel principal estava já imbuído de uma certa ligeireza e o contraponto teria certamente muito mais impacto. Como aliás veio a suceder na continuição, com um "verdadeiro" trio de malfeitores (os mesmos que logo de início são expulsos do planeta Krypton, ficando em hibernação durante toda a primeira parte).

“Superman” envelheceu muito bem, permanecendo hoje em dia um divertido filme de aventuras, por vezes mesmo belo e excitante. Essa beleza encontra-se intacta no romântico passeio de Lois e Superman pelos céus de Nova Iorque, após um primeiro rendez-vous no terraço do apartamento de Lane (verdadeira cena de antologia, com uns diálogos brilhantes de malícia e sub-entendidos, em que o erotismo está sempre latente) e os momentos de excitação são vários, destacando-se obviamente a cena do helicóptero. Muitos dos efeitos especiais usados foram autênticas inovações para a época (o filme ganhou o Oscar para os melhores efeitos visuais, tendo ainda sido nomeado para os Óscares de montagem, som e banda-sonora), não se tendo de envergonhar quando comparados com os sofisticados meios digitais tão vulgares hoje em dia.

CURIOSIDADES:

- A rodagem do filme envolveu cerca de 1000 pessoas, durante 18 meses. Foram montadas duas versões para televisão com mais de três horas cada. Em 1981, a ABC distribuiu uma versão com cerca de 182 minutos (mais 39 minutos do que a versão original) e em 1994 a KCOP, em Los Angeles, editou uma versão ainda maior, com 188 minutos. Finalmente, para a edição do filme em DVD, Richard Donner criou uma versão definitiva de 151 minutos, para a qual todos os efeitos sonoros foram recriados, devido ao péssimo estado da banda sonora original. Tal não afectou a música nem os diálogos, que foram remasterizados directamente dos originais.

- Gene Hackman pretendia manter o bigode na interpretação de Lex Luthor. Donner, que na altura também usava um bigode, não concordou com a ideia e apostou com Hackman que se ele rapasse o bigode lhe seguiria de imediato o exemplo. Hackman concordou e tirou o bigode. Donner cumpriu o prometido e retirou o dele..., que por acaso até era falso!



- Entre as diversas actrizes que estiveram para desempenhar o papel de Lois Lane contam-se Shirley MacLaine, Stockard Channing e Lesley Ann Warren.

- Christopher Reeve foi apresentado numa conferência de imprensa que teve lugar em Nova Iorque, no Sardi's, em 23 de Fevereiro de 1977, um mês antes de começar a rodagem, que se iniciou a 28 de Março, nos estúdios ingleses de Shepperton.

- As cenas de Super-Homem adolescente, em Smallville, no Kansas, foram na realidade rodadas no Canadá.

- Toneladas de equipamento e material de escritório foram levadas para Inglaterra afim de se filmarem os interiores do Daily Planet.

- A sequência do helicóptero levou seis meses a filmar, tendo envolvido cinco equipas de filmagens em dois países.



- “Superman” foi o último trabalho completo do fotógrafo Geoffrey Unsworth, a quem aliás o filme é dedicado. Veio a falecer em 28 de Outubro, com 64 anos, enquanto trabalhava simultâneamente nos filmes “Superman 2” e “Tess”. Numa carreira recheada de grandes êxitos, destacam-se os filmes “Becket” (1964), “2001:A Space Odyssey” (1968), “Cromwell” (1970) e “Cabaret” (1972).

- Marlon Brando chegou a processar os produtores do filme em Dezembro de 78, por estes ainda lhe deverem dinheiro. Como além disso pretendia uma percentagem nos lucros do filme, todas as cenas por ele rodadas que eram para fazer.

- Estreado a 16 de Dezembro nos EUA e a 23 na Grã-Bretanha, “Superman” permaneceu 11 semanas seguidas no 1º lugar do Box Office. Três meses depois, em Março de 79, encontrava-se ainda em 4º lugar.






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