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sexta-feira, agosto 21, 2015

GUESS WHO'S COMING TO DINNER (1967)

ADIVINHA QUEM VEM JANTAR
Um filme de STANLEY KRAMER

Com Spencer Tracy, Sidney Poitier, Katharine Hepburn, Katharine Houghton, Cecil Kellaway, Beah Richards, Roy Glenn, Isabel Sanford, etc.

EUA / 108 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA: NY, 11/12/1967
Estreia em PORTUGAL: Lisboa (cinema Monumental), 20/7/1968

Estreia em MOÇAMBIQUE: LM (cinema Dicca), 8/11/1970


Antes do mais, convém lembrar que “Adivinha Quem Vem Jantar” é um filme extremamente datado, cuja visão, hoje em dia, terá de levar em conta tal factualidade. Meio século volvido, a grande maioria dos casamentos inter-raciais já se encontram despidos, felizmente, dos preconceitos e dos problemas de índole moral que constituem o cerne deste filme. Dito isto, e embora reconhecendo a mestria da realização de Kramer, penso que o filme não consegue ser portador de um impacto por aí além, na medida em que são atribuídos ao personagem negro, John Prentice (Sidney Poitier) características que o singularizam, minimizando simultaneamente os problemas que a situação apresentada no filme traria na realidade. Com efeito, Sidney Poitier encarna a figura de um médico distinto e famoso, com várias obras publicadas, sem problemas de ordem financeira, íntegro, simpático, honesto, enfim, com os atributos do noivo que todos os pais desejariam ter para as suas filhas casadoiras. Os pais de Joey (Katharine Houghton) – bem colocados na sociedade, ricos e prósperos – limitam-se a lutar contra o preconceito racial que Kramer diz (através do seu filme) existir em qualquer pessoa – até nas de ideias liberais, como é o caso dos Drayton (Spencer Tracy e Katharine Hepburn). Matt e Christina acabam por aceitar a escolha da filha, mas não naturalmente. Aceitam-na porque John, apesar de ser negro, é médico e possui qualidades e características que não se encontram na maior parte dos brancos.


Aliás, analisando os vários personagens, logo nos apercebemos do seu reaccionarismo. Joey é uma jovem alienada e sem noção do que se passa à sua volta; vivendo num país de racistas como os EUA (constatação ainda hoje verdadeira, apesar de todas as mudanças introduzidas nas últimas cinco décadas, que levaram Barack Obama ao cargo mais importante da América e, seguramente o mais influente do mundo), ela acredita que não existirão problemas de maior se casar com um negro. Tal ingenuidade é pouco credível e constitui um atributo de lirismo absurdo. Prentice, por seu turno, de negro só tem a cor da pele, pois em tudo o mais se acha perfeitamente enquadrado no “sistema” americano. Com toda a sua inteligência, não consegue ver que só é (mais ou menos) admitido na sociedade devido a ser um indivíduo excepcional. Como pode alguém metido num clima destes continuar a pensar “como um homem” (como ele próprio o afirma) e não “como um negro”? A integração que a sua personagem ambiciona, revela-se uma pura e simples mistificação. Também a empregada Tillie (Isabel Sanford) reage contra o casal. Ela não compreende sequer como é que a sua menina (que ajudou a crescer) se foi interessar por um homem da sua própria raça. É como se ela criasse um papel para si mesma, de submissão, de inferioridade, interiorizasse essa posição e acreditasse piamente nela.


Seria muito mais inquietante e mais "perigoso" um simples negro (por exemplo, um operário, um motorista de táxi ou, porque não, um polícia – e isto sem menosprezo por estas classes) que desse provas de uma dignidade, de uma inteligência e de uma coragem, que nada tivessem de excepcional. Esse “homem como todos os outros”, diferente apenas por ser negro, encontrava-se muito pouco na produção de Hollywood daquela época. Consciente ou não da mistificação de que ele próprio era porta-voz, Sidney Poitier era uma das raríssimas excepções, ao representar quase sempre personagens exemplares de negros que triunfam sobre a hostilidade que encontram pela frente. Filmes como “Blackboard Jungle / Sementes de Violência” (1955), “Porgy & Bess” (1959), “Liles Of The Field / Olhai os Lírios do Campo” (1963), “A Patch Of Blue / Uma Réstea de Azul” (1965), “In The Heat Of The Night / No Calor da Noite” (1967) ou este “Guess Who’s Coming To Dinner / Adivinha Quem Vem Jantar”, mostram-no triunfando de todos os obstáculos com teimosia e obstinação e convencendo as pessoas pela evidência da sua rectidão e dos seus méritos.


Lembremos o que o próprio Poitier referiu numa entrevista da época: «Durante muito tempo os negros tiveram de se contentar, no cinema, com papéis de criados desorientados, de motoristas ou de dançarinos. Pela primeira vez um actor negro está em condições de representar a figura de um "herói" aos olhos do público. Isso cria-me obrigações. Entre os limites estreitos daquilo que me dão a escolher, quero apenas aceitar papéis que inspirem orgulho aos espectadores negros, dando-lhes ânimo para se levantarem das suas cadeiras, e que imponham aos espectadores brancos a imagem de um negro digno de apreço, cuja autoridade moral ponha em causa todos os seus preconceitos.» Com um rigor lógico que não é possível contestar, o actor prosseguia


«As minhas personagens são estereotipadas? De acordo; mas quantas e há quanto tempo? Só por mim, tenho de fazer esquecer e inverter sessenta anos de estereótipos humilhantes que apresentavam o negro como um ser inferior, servil e cobarde. Ainda não estamos livres, portanto, das nossas obrigações. E, depois, é preciso notar que estou sózinho. Se houvesse mais actores negros de primeiro plano, não me importaria de representar outros papéis. Mas enquanto for o único representante da colectividade negra no cinema, nunca representarei nada que possa envergonhar um negro, ou que permita encorajar os preconceitos dos brancos.» Não é possível ser mais claro. O crítico Pierre Billard, num artigo publicado no nº 872 de L'Express, em 4 de Março de 1968 via em Sidney Poitier «o anjo puro e radioso da coexistência pacífica e da integração na felicidade.»


Deixando agora de parte a desonestidade do argumento, da autoria de William Rose, que desse modo falseia a realidade, há que reconhecer que “Adivinha Quem Vem Jantar” apresenta os seus maiores trunfos no campo do brilhantismo dos diálogos e, sobretudo, na força dos seus intérpretes (ressalvando a pãozinho-sem-sal que é Katharine Houghton). Poitier, Roy Glenn e Beah Richards (os pais de John), Cecil Kellaway (Monsenhor Ryan) e sobretudo Tracy e Hepburn, têm neste filme actuações memoráveis. Então o longo monólogo final de Spencer Tracy é um dos momentos mais comoventes da história do cinema. Não propriamente pelo seu significado no filme, mas sim pela relação directa com a vida real dos protagonistas. Spencer e Katharine tinham o caso mais longo de Hollywood, desde que se conheceram em 1941, na rodagem do filme "Woman Of The Year”. O facto de ser casado, não impediu Spencer de manter um longo relacionamento com Katharine, que se estendeu para as telas de cinema, uma vez que os dois fizeram nove filmes em conjunto.


Toda a Hollywood (e não só) estava ao corrente da ligação extra-matrimonial, mas também ninguém lhe atribuía grande importância. Para o grande público, o que contava era a excelência dos dois actores - as pessoas adoravam vê-los juntos no écran - e não as suas vidas privadas. Na época da rodagem de “Adivinha Quem Vem Jantar”, Spencer estava seriamente doente, com diabetes e ainda a recuperar de um forte ataque cardíaco, sofrido em 1963. Nesses quatro anos manteve-se afastado do público, por temer uma recaída. Finalmente veio a oportunidade de rodar este filme com Katharine (que se ocupava dele – como sempre o fez – quer em casa quer nos estúdios, dedicando-lhe practicamente todo o seu tempo) e Spencer Tracy achou que já era tempo de um regresso ao mundo do cinema.


Na cena final, após uma conversa com a mãe de John no jardim, Matt convoca todos para o salão para lhes transmitir a sua opinião sobre o casamento da filha com John. Ainda com as palavras de Mrs. Prentice nos ouvidos (que tinha duvidado da sua capacidade em se lembrar de amar alguém como os seus filhos se amavam), Matt, no seu longo discurso, pronuncia as seguintes palavras: «…and there is nothing, absolutely nothing that your son feels for my daughter that I didn’t feel for Christina. Old? Yes! Burned-out? Certainly! But I can tell you the memories are still there: clear, intact, indestructible; and they’ll be there if I live to be a hundred ten. Where John made his mistake I think was in attaching so much importance to what her mother and I might think. Because, in the final analysis, it doesn’t matter a damn what we think. The only thing that matters is what they feel, and how much they feel, for each other. And if it’s half of what we felt, that’s everything.»


Há uma troca de olhares no final destas palavras e já não são Matt e Christina que estão lá: deram lugar a Spencer e Katharine. E as lágrimas de Christina também já não são dela, são de Katharine. O público sente que o que acabou de ver no écran foi a despedida real dos dois actores e não apenas uma declaração de amor entre os personagens. Duas semanas depois Spencer Tracy (na altura com 67 anos), viria a falecer, logo após a conclusão das filmagens. Katharine Hepburn nunca conseguiu ver o filme, depois de concluido. Continuaria a filmar, até 1994, sobretudo para televisão, mas nunca mais teve um companheiro na vida (recorde-se que ela se tinha divorciado do seu primeiro e único marido, em 1941 – esteve casada 12 anos -, quando conheceu Spencer Tracy). Viria a falecer 36 anos mais tarde, a 29/6/2003. Tinha 96 anos.


CURIOSIDADES:

- Katharine Houghton era sobrinha de Katharine Hepburn

- Quando Joey pergunta a Tillie, «Adivinhe quem vem para jantar?», a resposta mal-humorada de Tillie, era «O reverendo Martin Luther King». Com o assassinato do líder religioso, em Abril de 1968, a frase foi retirada do filme, só sendo incluída de novo com o lançamento em DVD.

- Guess Who’s Coming To Dinner” teve 10 nomeações para os Óscars de Hollywood, tendo vencido em 6 categorias: Filme, argumento, actor principal (Spencer Tracy), actriz principal (Katharine Hepburn), actor secundário (Cecil Kellaway) e actriz secundária (Beah Richards). Ver outros prémios aqui.




PORTFOLIO



sexta-feira, janeiro 10, 2014

IT'S A MAD, MAD, MAD, MAD WORLD (1963)

O MUNDO MALUCO
Um filme de STANLEY KRAMER


Com Spencer Tracy, Milton Berle, Sid Caesar, Buddy Hackett, Ethel Merman, Mickey Rooney, Dick Shawn, Phil Silvers, Terry-Thomas, Jonathan Winters, Edie Adams, Dorothy Provine, Jimmy Durante, Jim Backus, etc.


EUA / 154 min (192) / COR / 16X9 (2.76:1)

Estreia nos EUA a 18/11/1963
Estreia em PORTUGAL a 10/5/1965
(Lisboa, cinema Monumental)

J. Algernon Hawthorne: «As far as I can see, American men have been totally emasculated- they're like slaves! They die like flies from coronary thrombosis while their women sit under hairdryers eating chocolates & arranging for every 2nd Tuesday to be some sort of Mother's Day! And this positively infantile preoccupation with bosoms. In all time in this wretched Godforsaken country, the one thing that has appalled me most of all this this prepostrous preoccupation with bosoms. Don't you realize they have become the dominant theme in American culture: in literature, advertising and all fields of entertainment and everything. I'll wager you anything you like that if American women stopped wearing brassieres, your whole national economy would collapse overnight»

“It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World” é não apenas uma comédia típica dos anos 60, mas também uma fábula amarga sobre a cupidez e a corrupção, que desenvolve nas dimensões do Ultra-Panavision 70 (sistema de projecção que evoluiu a partir do Cinerama, em que o triplo écran foi reformulado para apenas um, mas de dimensões idênticas) o burlesco da escola de Mark Sennett, Harold Lloyd ou Buster Keaton. E por causa da sua longa duração e do nº de cómicos que nela participa (cerca de 40, a grande maioria dos que se encontravam no activo à data da sua produção), pode-se ainda considerá-la como uma verdadeira comédia épica (Stanley Kramer chegou a afirmar que era seu desejo fazer «uma comédia para acabar com todas as comédias»). Surpreendente catálogo das misérias e baixezas humanas, o filme constitui um sinal das matizes cada vez mais sombrias que a comédia vinha a atingir nos princípios da década de 60.


Depois de uns créditos iniciais bem divertidos e prometedores, o filme arranca com uma viatura em alta velocidade pela estrada do actual deserto Palm da Califórnia do Sul. Depois de ultrapassar quatro outros veículos, não consegue fazer uma curva mais apertada e despenha-se por uma ravina abaixo. O aparato do acidente leva a que os cinco homens ocupantes das quatro viaturas corram em auxílio da vítima, de cuja identidade seremos posteriormente informados: trata-se de ‘Smiler’ Grogan (Jimmy Durante), suspeito de um roubo, que andava há 15 anos fugido da polícia. Os cinco socorristas são Dingy Bell (Mickey Rooney) e Benjy Benjamin (Buddy Hackett), dois amigos que viajam no mesmo carro; Melville Crump (Sid Caesar) um dentista que viaja com a mulher, Monica (Edie Adams); Lennie Pike (Jonathan Winters), um camionista que transporta mobílias; e Russell Finch (Milton Berle), marido de Ermeline (Dorothy Provine) e que viaja em companhia da sogra, Mrs. Marcus (Ethel Merman).

Antes de se finar, o moribundo consegue ainda alertar os cinco homens para a existência do roubo, no valor de 350 mil dólares, que se encontra enterrado debaixo de um grande “W” num parque de Santa Rosita, junto à fronteira com o México e a cerca de 200 milhas para sul. Desconfiados numa fase inicial, os cinco homens mais as três mulheres que os acompanham, começam a pensar que um homem à beira da morte não seria capaz de mentir - o dinheiro era mesmo capaz de existir e poderia ser dividido por todos. Começam a arquitectar as divisões mais estapafúrdias (contabilizando pessoas, carros, ocupantes e descidas à ravina), mas depressa chegam à conclusão de que não se conseguem entender. A partir dali é cada um por si, numa louca corrida ao dinheiro, onde as regras são mandadas às urtigas, interessando apenas o objectivo comum do saque. Entretanto, um chefe de polícia, o capitão Culpepper (Spencer Tracy), que há 15 anos perseguia o ladrão agora morto e que está farto de esperar por uma reforma condigna, vê ali uma oportunidade de se apoderar tranquilamente do dinheiro roubado, para depois atravessar a fronteira para o México. Mas as coisas não são assim tão fáceis e as complicações começam a aparecer…

Durante os 154 minutos que o filme dura em DVD (na versão original a duração era de 192 minutos), vamos testemunhando as mais loucas e diversas peripécias. Novas personagens vão engrossando o núcleo inicial – Sylvester (Dick Shawn), filho de Mrs. Marcus, que vê interrompida uma sessão terapêutica de beat music (uma das sequências mais hilariantes de todo o filme), Phil Silvers (Otto Meyer), um caixeiro-viajante sem escrúpulos, ou J. Algernon Hawthorne, um típico englishman, brilhantemente interpretado por Terry-Thomas. Mas os nomes de cómicos conhecidos não acabam por aqui. Temos ainda direito a pequenos cameos de gente como Peter Falk (um dos motoristas de táxi), Jerry Lewis (um gag delicioso, aquele do chapéu), Norman Fell, Jack Benny, Buster Keaton, entre muitos outros.

No final deste extravagante monumento ao cinema cómico temos direito a uma das mais célebres sequências do género – aquela em que todos os protagonistas se vêem à mercê de uma escada de bombeiros enlouquecida que os vai lançando pelos ares numa enorme praça apinhada de curiosos. Logo depois, e antes do filme acabar, o gag final da banana com todos eles engessados numa enfermaria de hospital. "It's A Mad, Mad, Mad, Mad World" é hoje um clássico incontornável da comédia e traz com ele uma certa nostalgia de um tempo que não volta mais. De lastimar apenas que até à presente data não tenha sido editada uma versão com toda a metragem original do filme.

CURIOSIDADES:

- Na filmagem da sequência da entrada do carro no rio, o  actor Phil Silvers ia-se afogando por não saber nadar

- O Santa Rosita State Park não existe na realidade. Toda a acção decorre no Portuguese Bend em Rancho Palos Verdes

- O cómico Stan Laurel não aceitou aparecer no filme devido à morte de Oliver Hardy, em 1957. Quando a dupla (“Bucha e Estica”) se desfez, Stan jurou nunca mais participar no cinema. Promessa que cumpriu até ao dia da sua morte, a 23 de Fevereiro de 1965

- Só muito relutantemente é que Edie Adams aceitou desempenhar o papel de Monica Crump, devido ao seu marido, o actor-realizador Ernie Kovacs, ter falecido num desastre automóvel pouco tempo antes do filme começar a ser rodado

- Na ante-estreia do filme no teatro Cinerama, a 17 de Novembro de 1963, esteve presente a maioria da família do Presidente John Kennedy, atendendo a que a sessão se destinava a angariar fundos para o Kennedy Child Study Center em Nova Iorque e para o Joseph P. Kennedy Jr. Institute em Washington. Cinco dias depois o Presidente era assassinado em Dallas


- Foi filmada uma sequência musical com o grupo as Shirelles, que não chegou a ser incluída no filme. O tema – “31 Flavours” – pode ser ouvido na banda-sonora 

- Bob Hope, Jackie Mason, George Burns e Red Skelton e Judy Holliday foram alguns dos actores ligados à comédia que não aceitaram entrar no filme

- Devido a questões de saúde, Spencer Tracy só trabalhou nove dias na rodagem do filme, nunca ultrapassando as 4 horas diárias. As cenas mais arriscadas, incluindo a subida do edifício na sequência final, foram todas desempenhadas por um duplo

- Do elenco principal do filme apenas três actores se encontram ainda vivos: Jonathan Winters (86 anos), Sid Caesar (90 anos) e Mickey Rooney (91 anos)

- “It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World” conseguiu duas nomeaçãoes para os Globos de Ouro (Filme Musical ou Comédia e Actor de Musical ou Comédia, Jonathan Winters) e também 6 nomeações para os Óscars nas categorias de Cinematografia, Montagem, Canção Original, Som, Música e Efeitos Sonoros, tendo ganho apenas nesta última categoria