segunda-feira, fevereiro 03, 2014

PHANTOM OF THE PARADISE (1974)

O FANTASMA DO PARAÍSO
Um Filme de BRIAN DE PALMA



Com William Finley, Paul Williams, Jessica Harper, Gerrit Graham, George Memmoli, Archie Hahn, etc.

EUA / 92m / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 31/10/1974
Estreia em PORTUGAL a 22/4/1976
(Lisboa, cinema Londres)


Este foi o primeiro título da filmografia de Brian de Palma a conseguir atingir o mercado português. Estávamos em 1976, quando "Phantom of the Paradise" se estreou a 22 de Abril, no Cinema Londres, em Lisboa. Oitavo filme do realizador norte-americano, então um ilustre desconhecido entre nós, esta brilhante opereta-pop não teve o sucesso merecido e só muitos anos depois conseguiu reunir um amplo consenso à sua volta. Hoje tornou-se na quinta essência do filme de culto, amado por cinéfilos de várias gerações, estando já anunciada para os finais deste mês uma luxuosa edição, comemorativa do 40º aniversário (em blu-ray e dvd).


Swan:«Phoenix, Swan here. I want you to answer 
a question for me»
Phoenix: «Yes?»
Swan: «What would you give me to sing?»
Phoenix: «Anything you want»
Swan: «Anything? Would you give me your voice?»

Brian de Palma, que acumula também o crédito pelo argumento, baseou-se em três clássicos da literatura fantástica - "Fausto" (Wolfgang Goethe, 1806), "O Retrato de Dorian Gray" (Oscar Wilde, 1890) e "O Fantasma da Ópera" (Gaston Leroux, 1910) - para criar uma obra inesquecível nos domínios do cinema de terror, utilizando o todo como uma violenta crítica aos bastidores das editoras musicais, engrenagens maquiavélicas que fazem e desfazem vedetas ao ritmo dos interesses comerciais mais imediatos. Winslow Leach (William Finley) comparece a uma audição da Death Records para descoberta de novos talentos, e a qualidade da sua música chama a atenção do mítico dono da editora, o sempre jovem Swan (Paul Williams), que rapidamente se apropria da partitura de Leach, expulsando-o do teatro, o "Paradise" do título. Humilhado, ferido no seu orgulho, o compositor acabará numa penitenciária, como um vulgar criminoso. Consegue evadir-se algum tempo depois e o seu único objectivo é vingar-se do homem que lhe roubou a música para a adulterar a seu belo prazer. Phoenix (a estreante e talentosa Jessica Harper) é a sua musa inspiradora, a voz escolhida para interpretar a sua cantata.


Filme rigoroso e com um ritmo sempre frenético, "Phantom of the Paradise", campeão das sessões da meia-noite, é uma autêntica festa para os sentidos, destacando-se sobretudo a excelência musical, assinada pelo próprio Paul Williams – a banda-sonora (nomeada quer para os Óscares quer para os Globos de Ouro) libertou-se do celulóide e adquiriu vida própria, tornando-se num dos álbuns obrigatórios da música pop/rock. Temas como “Special To Me” ou “Old Souls” (ambos cantados por Jessica Harper) ou ainda as interpretações de Paul Williams e William Finley de “Faust”, tornaram-se clássicos absolutos. Temáticamente, o filme é de igual modo apaixonante, uma meditação catártica a propósito do mercantilismo que perverte toda a obra artística. De Palma tem essa mesma consciência da sociedade moderna, ao confessar a sua incapacidade dela se libertar, apesar de abominar os seus valores tradicionais: «lidar com o diabo faz de nós uns demónios».


Contrariamente à comédia musical clássica, “Phantom of the Paradise” é uma metáfora que vai muito além das simples composições cénicas. À maneira de um Berthold Brecht, a música e o espectáculo tornam-se comentários irónicos sobre a tragédia, incrementando a tensão dramática no écran. E isso apesar dos variados apontamentos cómicos, um pouco por todo o filme. Inteligente e subtil, divertido ou trágico, “Phantom of the Paradise” foi o filme de que Brian De Palma necessitava para que a sua carreira disparasse de vez. Nos anos subsequentes surgiriam filmes como “Obsession” (1976), “Carrie” (1976), “The Fury” (1978), “Dressed To Kill” (1980) e “Blow-Out” (1981), conjunto de obras que até hoje constitui o melhor que o realizador nos legou.


CURIOSIDADES:

- Linda Ronstadt, bem como Sissy Spacek (que viria a protagonizar a inesquecível “Carrie”) foram preteridas a favor de Jessica Harper

- A sequência “time bomb in the car trunk”, filmada num único take, foi uma pequena homenagem que Brian De Palma quis fazer à abertura do célebre filme de Orson Welles, “Touch Of Evil” (1958)

- Gerrit Graham encontrava-se doente durante a rodagem do número musical "Life at Last" e mal conseguia andar. A sua voz foi dobrada por Ray Kennedy



3 comentários:

Joao Neves disse...

Também vi este grande filme há pouco tempo. É um autêntico repasto para os cinéfilos. Gostei de saber quando e onde estreou o filme em Portugal. Você dá importância não só aos filmes mas à experiência social de ver um filme. Gosto disso.
O seu blogue é excelente.
Joao Neves
parisvertigo.blogspot.fr

Rato disse...

Obrigado, João Neves, volte sempre

Tiago Dias disse...

Olá, tudo bem?

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