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segunda-feira, julho 01, 2019

WILL PENNY (1967)

WILL PENNY
Um Filme de TOM GRIES

Com Charlton Heston, Joan Hackett, Donald Pleasence, Lee Majors, Bruce Dern, Ben Johnson, Slim Pickens, etc.

EUA / 108 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia na GB (Londres) a 14/12/1967
Estreia nos EUA a 10/4/1968
Estreia em MOÇAMBIQUE (LM, Teatro Manuel Rodrigues) a 27/4/1969



Depois de terem, durante muitos anos, cantado a epopeia da descoberta do Oeste, os americanos resolveram-se a escrever-lhe a história. Entre a epopeia e a história tal-qual foi vivida, no seu dia-a-dia quotidiano, começou a debater-se o western realmente ianque. Os realizadores começaram a aprofundar a descrição serena de um Oeste nem sempre grandioso, nem sempre heróico, nem sempre jovem. "Will Penny" prolonga o caminho aberto por Ford, Mann e Peckinpah, indo ao encontro do cowboy solitário, desiludido e velho (Will Penny tem 50 anos e recusa o amor que se lhe oferece, por medo, por impossibilidade, mas também porque se sente um homem ultrapassado). Em "Will Penny" não existe acção épica, nem violência explosiva, não há grandes cometimentos nem façanhas a imortalizar. Tom Gries preferiu a tudo isso um bom naco de paisagen inóspita, com neve, frio e vento, preferiu os sorrisos, as pequenas dores, as desilusões diárias, as fraquezas consentidas. Às violentas cenas de pancadaria usuais, preferiu a luta corpo a corpo, imprecisa, incaracterística e desgastante. À luta com as mãos (perguntam a Will Penny: «tu não sabes combater com as mãos?...»), antepõe-lhe a eficácia de uma frigideira na cabeça ou de um pontapé na cara. Ao jovem combativo e vitorioso (que concretiza o ideal americano) prefere Gries o velho sem família, ressequido por dentro e por fora. Ao happy-end possível (e que até nem escandalizaria, nas circunstâncias em que termina o filme) prefere o desencontro irreversível, a solidão conscientemente assumida. Ao brilhantismo gritante de tantos e tantos exemplos prefere Tom Gries (que com 45 anos de idade, aqui se estreava no cinema, vindo da TV) o documentarismo escrupuloso, feito de pequenos apontamentos, de pormenores, de elementos dispersos.


Para a realização deste filme simples, Tom Gries (1922-1977) rodeou-se de uma óptima equipa de trabalho: um fotógrafo esplêndido, Lucien Ballard (1904-1988), de um músico inspirado, David Raksin (1912-2004) e de um grupo de intérpretes notáveis, com Charlton Heston (1923-2008) a compor, uma vez mais, uma figura vigorosa, entrelaçada de nervos e emoção. Mesmo os seus muitos detractores (por razões essencialmente políticas, note-se) tiveram sempre muita dificuldade em não reconhecer os méritos óbvios desse actor incontornável que durante toda a sua brilhante carreira se desdobrou de filme para filme, com uma versatilidade verdadeiramente invulgar. Ao seu lado, Donald Pleasence (1919-1995) compõe uma personagem memorável, um pregador homicida e louco, e Joan Hackett, uma actriz que morreu muito cedo, apenas com 49 anos (1934-1983) completa o trio principal com a sua habitual presença muito pouco convencional e sempre perfeccionista. "Will Penny", no final da sua visualização, irá entusiasmar os apreciadores do bom cinema, daquele que é sinónimo de inteligência, maturidade estilística e fluência narrativa, que o guardarão na memória durante muitos e bons anos. Ao contrário dos fãs dos westerns tradicionais, onde imperam a violência epidérmica e os efeitos imediatos e fáceis, que rapidamente terão tendência a esquecê-lo.


CURIOSIDADES:

- «The script for "Will Penny" was one of the best I ever read. It made a marvelous westen», referiu um dia Charlton Heston, que nunca escondeu a sua preferência por este filme, de entre toda a sua filmografia.

- Bruce Dern referiu a propósito de ter trabalhado com Heston neste filme: «I got to really like the guy. A lot of people told me that I wouldn't like him, but I liked him, and he tried very hard. I mean, "Will Penny" is far and away the best thing he's ever done.»

- Eva Marie Saint e Lee Remick recusaram o papel de Catherine Allen.

- O argumento é baseado no episódio "Line Camp" (também dirigido por Tom Gries) da série televisiva "The Westerner" (criada por Sam Peckinpah em 1960).

LOBBY CARDS:

domingo, outubro 13, 2013

TOUCH OF EVIL (1958)

A SEDE DO MAL
Um Filme de ORSON WELLES



Com Charlton Heston, Janet Leigh, Orson Welles, Joseph Calleia, Akim Tamiroff, Joanna Moore, Dennis Weaver, Marlene Dietrich, Zsa Zsa Gabor, etc.

EUA / 111 min (edição restaurada) / 
P&B / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 23/4/1958 (Los Angeles)
Estreia em PORTUGAL: Lisboa, 7/11/1958



Quinlan: «Come on, read my future for me»
Tanya: «You haven't got any»
Quinlan: «Hum? What do you mean?»
Tanya: «Your future's all used up»


Os heróis wellesianos encobrem o passado e são por ele atraídos, pressentem que não se podem realizar sem o enfrentar, quer seja para o integrar ou o anular duma vez para sempre. Daí a necessidade de perpétua interpenetração do tempo, de entrelaçamento do passado e do presente, de investigações que por vezes tomam um carácter jornalístico, policial e, por vezes, psicanalítico. Mas, precisamente, o passado que aparece, o rosto que se revela sob a máscara arrancada, é a crueldade, é o crime, opostos da honra e dos ideais. A verdade não é a que se pensava, não é boa, nem bela, mas é uma verdade à sua maneira.


"Touch of Evil" revela-se duma importância singular para a compreensão da obra wellesiana, não por de alguma forma lhe trazer dados novos, mas por a levar a um universo mais próximo da escória humana. Rodado em 1957, por sugestão de Charlton Heston (que exigiu que fosse Welles o realizador), o filme baseia-se num romance policial banal - "Badge of Evil", de Whit Masterson - que Welles transfigurou ao ponto de fazer dele uma das suas obras mais insólitas (parece até que nem leu o livro original, apenas o argumento dele extraído). Do famoso plano-sequência que inicia o filme até ao desfecho final, no estranho cenário de um terreno baldio, mergulhamos num mundo de puro pesadelo, reconstituído por uma câmara vertiginosa e omnipresente que não dá tréguas nas suas deambulações por todos os artifícios técnicos (profundidade de campo, plongées, contreplongées, grandes angulares, planos-sequência, etc.) que constituem a imagem de marca do ex-menino prodígio de Hollywood.


Mas de que trata o filme? Numa pequena vila fronteiriça, situada entre os Estados Unidos e o México, um jovem polícia mexicano, Mike Vargas (Charlton Heston), encarregue do combate ao tráfico de estupefacientes, é testemunha da explosão de uma viatura armadilhada que resulta na morte de um casal, sendo o condutor um poderoso americano da terra, chamado Rudy Linneker. Hank Quinlan (Orson Welles), um inspector americano, é incumbido de investigar a ocorrência. À semelhança de outras investigações do passado, Quinlan não hesita em forjar provas contra os que lhe convém serem considerados culpados. Consegue-o neste caso graças a um traficante local chamado Grandi (Akim Tamiroff), sobre quem pesam aliás as maiores suspeitas.


Ambos fazem os impossíveis para comprometer Vargas, o recém-casado colega mexicano colaborador na investigação, não hesitando em servirem-se da mulher, Susan (Janet Leigh). Uma vez raptada e drogada, e conduzida a um quarto de hotel, Quinlan estrangulará aí o traficante, livrando-se assim dessa incómoda testemunha. A sua maquinação é descoberta por Vargas, que encontra um aliado inesperado na pessoa de Menzies (Joseph Callei), o próprio amigo de Quinlan, para quem este tinha sido até então um verdadeiro deus. O filme acabará num ajuste de contas final entre os dois homens, depois de Vargas ter conseguido gravar a conversa incriminatória ocorrida entre os dois. Mas o plano derradeiro pertence a Marlene Dietrich: «He was some kind of a man. What does it matter what you say about people?»


Contrariamente aos filmes anteriores de Welles, os personagens de "Touch of Evil" não têm a dimensão social ou mitológica de um Kane ou de um Macbeth, sendo antes personagens de categoria inferior, ratos de esgoto e não ratos de cidade. Quinlan não sonhou mais do que eles em querer ser outra coisa que sómente um homem. Permanece um desconhecido e um ser dividido que, além do mais é também, à sua maneira, um representante da ordem social, uma autoridade, mas uma autoridade transgressora. Como ele próximo chegou a confessar, Welles transmite neste filme todo o seu ódio à prepotência policial. Esse ódio não é mais que o aspecto particular duma hostilidade para com todas as formas de opressão de que aliás ele próprio foi vítima particularmente:


«É um erro julgar que Quinlan tem algum encanto a meus olhos. Para mim, ele é odioso: não há ambiguidade no seu carácter. Não é um génio; é um mestre no seu género, um mestre de província, mas um homem detestável. O que pus de pessoal no filme, é o meu ódio ao abuso que a polícia faz do seu poder. E é evidente: é mais interessante falar dos abusos do poder policial com um homem de um certo volume - não sómente físico, mas no que respeita a personalidade - do que com um pequeno chui vulgar. Quinlan é pois melhor do que um chui vulgar, o que não impede que seja odioso. Não há nenhuma ambiguidade nisso.


Mas é sempre possível sentir simpatia por um crápula, pois a simpatia é coisa humana. Donde a minha ternura relativamente a pessoas por quem não dissimulo de modo nenhum a minha repugnância. E este sentimento não vem do facto de serem mais dotadas, mas de serem seres humanos. Quinlan é simpático por causa da sua humanidade, não das suas ideias. Não há a menor parcela de génio nele: se parece haver uma, cometi um erro. Quinlan é um bom técnico, sabe do ofício: é uma autoridade. Mas porque é um homem de uma certa envergadura, um homem de coração, não nos podemos impedir de sentir uma certa simpatia por ele: é apesar de tudo um ser humano.»


Lembremos o que escreveu André Bazin, um dos autores da entrevista feita a Welles, no hotel Ritz em Paris (no dia 27 de Junho de 1958),  sobre a sua personagem neste filme: « Quinlan não é realmente o polícia vicioso. Ele não tira lucro das suas investigações. Ele está convencido da culpabilidade das pessoas que faz condenar com falsas provas. Sem ele, esses culpados passariam pois por inocentes. Ao direito das pessoas, à inteligência e à lógica honesta do seu colega mexicano, ele opõe a "intuição" que lhe garante a exactidão do seu diagnóstico. As provas, se as fabrica, é porque são necessárias para enviar o "culpado" para a cadeira eléctrica.


Fisicamente monstruoso, Quinlan sê-lo-á também moralmente? É preciso responder sim e não! Sim, porque ele é culpado de ir até ao crime para se defender: não, porque de um ponto de vista moral mais elevado ele está, em alguns aspectos pelo menos, acima de Vargas, o honesto, o justo, o inteligente, mas a quem escapará sempre um sentido da vida que eu diria shakespeariano. Estes seres privilegiados não devem ser julgados segundo a lei comum. Eles são ao mesmo tempo mais fracos e mais fortes que os outros.»


A portentosa imaginação expressionista de Welles, tanto nas personagens (um destaque muito particular para Marlene Dietrich, no papel de Tanya, dona de um cabaret e antiga amante de Quinlan) como nas situações, rende uma completa homenagem ao film noir contituindo-se, em definitivo, como impulsionador dos filmes subsequentes do género, nomeadamente as primeiras obras de François Truffaut ("Les 400 Coups") e Jean-Luc Godard ("A Bout de Souffle"). Mesmo um cineasta genuinamente original como Alfred Hitchcock iria colher aqui muita da inspiração (inclusivé usando a mesma actriz) com que filmou o célebre "Psycho", apenas quatro anos depois.


CURIOSIDADES:

- Em 1957, a primeira montagem do filme, com cerca de 109 minutos, alternando planos-sequência longos com cenas extremamente rápidas, não agradou à Universal que impôs um corte de 15 minutos (suprimindo as cenas que permitiam compreender a dimensão moral do filme) e acrescentou novas sequências rodadas por um tal Harry Keller. Welles viu essa nova versão e em poucas horas escreveu um apaixonante memorando de 58 páginas, requisitando o direito de ele próprio refazer o filme («I close this memo with a very earnest plea that you consent to this brief visual pattern to which I gave so many long hard days of work»). Não foi atendido, e "Touch of Evil" estrear-se-ia nas salas de cinema, em Maio de 1958, na versão dos produtores, com cerca de 95 minutos. Em 1998 o filme foi restaurado de acordo com o memorando de Welles, de modo a aproximá-lo o mais possível da visão original do seu autor. É essa nova versão, com cerca de 111 minutos, que se encontra agora disponível em DVD. Apesar de tudo, o formato do filme foi alterado do original 1.37:1 para 1.85:1.


- O agente de Janet Leigh rejeitou a sua participação no filme, sem sequer consultar a actriz, por considerar muito baixo o salário oferecido pela produção. Welles escreveu a Leigh, dizendo-lhe que gostava imenso que trabalhassem juntos. Esta enfureceu-se com o agente, dizendo-lhe que ser dirigida por Welles era mais importante do que qualquer cheque.

- A longa sequência de abertura foi filmada durante toda uma noite, com inúmeras repetições. Já os primeiros raios solares se anunciavam no horizonte quando finalmente Welles se deu satisfeito com o resultado final.

- Mercedes McCambridge só aparece no filme numa breve cena e tal deveu-se a ter ido visitar o set e almoçar com Welles. Este convenceu-a a vestir um blusão de cabedal, cortou-lhe o cabelo e disse-lhe as palavras que ela devia proferir na sequência em que Janet Leigh é drogada: «I wanna watch»

- No DVD estava para ser incluido um comentário e um documentário sobre a restauração, intitulado "Restoring Evil". Tal não se concretizou (mas no entanto o documentário encontra-se disponível no YouTube e é mostrado aí mais abaixo) devido à filha de Welles (e detentora dos direitos da obra do pai) Beatrice, se ter oposto. Vá se lá saber a razão...











quarta-feira, outubro 09, 2013

BIO-FILMO: CHARLTON HESTON

Nascido em Evanston, Illinois, EUA, a 4/10/1923
Falecido em Los Angeles, EUA, a 5/4/2008
«I can’t remember a time when I didn’t want to be an actor»
Se Charlton Heston fosse vivo, tinha completado há dias a bonita idade de 90 anos. Mas esse grande actor, que a maioria de nós julgava ser imortal, não chegou à nona década de existência. O físico, a voz e a formação dramática, moldaram-no para desempenhar figuras épicas e personagens históricas. Foi Marco António, Moisés, Richelieu, Miguel Ângelo, El Cid. Tudo interpretações bigger than life, que tinham o condão de nos fazer acreditar que não era um simples actor que por ali se escondia. Daí o situarmos na dimensão da imortalidade, pois conseguia que o identificássemos com qualquer um dos seus personagens, os quais ficavam com o seu rosto para sempre.


John Charlton Carter adoptou o apelido Heston quando a sua mãe (Lila Charlton) se casou em segundas núpcias com Chester Heston, tinha ele dez anos (na Grécia, onde foi sempre muito popular, o seu apelido foi mudado para Easton, uma vez que Heston tem conotações escatológicas na linguagem grega). No liceu que frequentou em Winnetka, em Illinois, distinguiu-se de tal forma na cadeira de artes dramáticas, que obteve uma bolsa para poder frequentar a Universidade. O teatro foi assim a sua primeira e grande paixão: estudou na Northwestern University (1941-1943), fez peças na rádio, em Chicago, teatro em Nova Iorque e entrou nas primeiras produções ao vivo da televisão, com destaque para peças de Shakespeare (a sua maior frustração foi nunca ter desempenhado o papel de Becket).


Durante a guerra serve na Air Force (1943-1946), onde atinge a patente de sargento. Em 1944, ainda durante o tempo de mobilização, casa-se com uma colega da faculdade, Lydia Clarke, fotógrafa e actriz de teatro, que tinha o hábito de tratá-lo por Charlie, embora todos os seus amigos lhe chamassem Chuck. A união duraria 64 anos, até à morte do actor, e dela resultariam dois filhos, Fraser e Holly, esta última adoptada pelo casal. Foi um dos casamentos mais duradouros de Hollywood. Após o termo do conflito, o casal muda-se para Nova Iorque, ganhando a vida como modelos. Fundam um pequeno teatro em Asheville, na Carolina do Norte, e actuam em alguns palcos da Broadway (Heston causaria muito boa impressão na produção de Katharine Cornell “António e Cleópatra”, em 1947).


O cinema apareceu naturalmente, em 1950 (embora já tivesse participado em “Peer Gynt”, em 1941), e Heston, logo dois anos depois, agarrou um bom papel em "O Maior Espectáculo do Mundo", de Cecil B. De Mille, um filme passado no mundo do circo. Depois de vários westerns e fitas de aventuras, De Mille veio de novo puxá-lo para as grandes produções em "Os Dez Mandamentos" (1956), onde interpreta Moisés, a sua maior personagem bíblica, pela qual ficaria conhecido em todo o mundo (a escolha de De Mille teve a ver com a extraordinária parecença entre Heston e o Moisés da estátua de Michelangelo). E, uma vez no topo, Charlton Heston por lá ficou durante muitos anos.


"Da Terra Nascem os Homens" (1958), de William Wyler, " A Sede do Mal" (1958), de Orson Welles, "Ben-Hur" (1959), outra vez Wyler, que lhe valeu o Óscar, "El Cid" (1961), de Anthony Mann, "55 Dias em Pequim" (1963), de Nicholas Ray, "O Homem Que Veio do Futuro" (1967), de Franklin Schaffner, contribuiram, todos eles, entre outros títulos, para cimentar a ideia de que Charlton Heston podia desempenhar quem quer que fosse na tela para todos nós acreditarmos, sem sequer questionarmos, na realidade de todos aqueles personagens. Essa veracidade que conseguia passar para o público, foi de facto a sua grande imagem de marca. Numa entrevista dada nos meados dos anos 70, Heston revelou o seu TOP 5 de actores preferidos: Gary Cooper, Henry Fonda, Clark Gable, Cary Grant e James Stewart, tendo ainda considerado “Will Penny” (1968) como o melhor filme de toda a sua carreira.


Nunca deixou o teatro, como o provam as suas visitas regulares aos palcos londrinos, onde de igual modo obteve sempre grande sucesso perante plateias esgotadas ("Macbeth", "Julius Caesar", "The Caine Mutiny" ou "Um Homem Para a Eternidade", por exemplo). Chegou a realizar dois filmes, "António e Cleópatra", em 1972 e "O Grande Filão", em 1982. A partir daqui dedica-se sobretudo à televisão, entrando em séries e filmes televisivos ou emprestando a sua magnífica voz (uma das mais requisitadas) para narração de documentários. Presidente do Screen Actor's Guild, de 1966 a 1971, foi um dos fundadores do American Film Institute, que lhe concedeu a primeira homenagem em 2003.


Longe das luzes da ribalta, Heston começou por ser um liberal democrata, apoiante de John Kennedy e activista comprometido com os direitos civis dos negros – chegou a acompanhar Martin Luther King na célebre marcha sobre Washington, em 1963. No entanto, e apesar de ter sido também um opositor a McCarthy e a Nixon, Heston começou progressivamente a defender posições mais conservadoras, acabando por aderir ao Partido Republicano, já nos anos 70 (apoiaria depois as candidaturas do seu amigo Ronald Reagan e dos dois Bush, pai e filho).


Uma das suas lutas que mais controvérsias geraram, foi a defesa intransigente pelo direito dos cidadãos americanos adquirirem armas para se protegerem (Heston tinha uma colecção particular de mais de 400 armas de fogo). Membro honorário e vitalício da National Riffle Association (NRA), tornou-se seu presidente em Junho de 1998, tendo-se mantido no cargo até Abril de 2003. Já no novo século, Heston continuou a sua escalada anti-democrata ao posicionar-se publicamente contra o aborto (na altura já legal nos EUA) e ao fazer discursos radicais contra a extinção da segunda emenda da Constituição. Em 2002 revelou publicamente que estava com a doença de Alzheimer e em Julho do ano seguinte o Presidente George W. Bush condecorou-o com a Medalha da Liberdade, pela sua contribuição para o Cinema e Política americanas.


FILMOGRAFIA:

2010 – Genghis Khan: The Story of a Lifetime
2003 – My Father, Rua Alguem 5555
2001 – The Order / Cruzada Final
2001 – Town and Country / Mistérios do Sexo Oposto
2000 – Genghis Khan
1999 – Any Given Sunday / Um Domingo Qualquer
1999 – Gideon
1996 – Hamlet
1996 – Alaska
1994 – In the Mouth of Madness / A Bíblia de Satanás
1994 – True Lies / A Verdade da Mentira
1993 – Tombstone
1993 – Wayne’s World 2
1990 – Solar Crisis / Ameaça Solar


1982 – Mother Lode / O Grande Filão + realização
1980 – The Awakening / A Maldição do Vale dos Faraós
1980 – The Mountain Men / Os Homens da Montanha
1978 – Gray Lady Down
1977 – Crossed Swords
1976 – Two-Minute Warning
1976 – Midway / A Batalha de Midway
1976 – The Last Hard Men / A Lei do Ódio
1974 – Earthquake / Terramoto
1974 – Call of the Wild
1974 – The Four Musketeers / Os Quatro Mosqueteiros
1974 – Airport 75 / Aeroporto 75
1973 – The Three Musketeers / Os Três Mosqueteiros
1973 – Soylent Green / À Beira do Fim
1972 – Skyjacked / Piratas do Ar
1972 – Antony and Cleopatra / António e Cleópatra + realização
1971 – The Omega Man / O Último Homem na Terra
1970 – Julius Caesar / O Assassínio de Júlio César
1970 – Beneath the Planet of the Apes / O Segredo do Planeta dos Macacos


1969 – The Hawaiians / O Senhor das Ilhas
1969 – Number One
1968 – Will Penny
1968 – Planet of the Apes / O Homem Que Veio do Futuro
1967 – Counterpoint / Sinfonia Para um Inimigo
1966 – Khartoum
1965 – The War Lord / O Senhor da Guerra
1965 – The Agony and the Ecstasy / A Agonia e o Êxtase
1965 – Major Dundee
1965 – The Greatest Story Ever Told / A Maior História de Todos os Tempos
1963 – 55 Days at Peking / 55 Dias em Pequim
1963 – Diamond Head / A Fronteira do Pecado
1962 – The Pigeon That Took Rome / O Pombo Que Conquistou Roma
1961 – El Cid / El Cid, o Campeador


1959 – Ben Hur (Óscar de Actor Principal)
1959 – The Wreck of the Mary Deare / O Mistério do Navio Abandonado
1958 – The Bucaneer / O Corsário Lafitte
1958 – The Big Country / Da Terra Nascem os Homens
1958 – Touch of Evil / A Sede do Mal
1956 – Three Violent People / Esquece o Meu Passado
1956 – The Ten Commandments / Os Dez Mandamentos
1955 – Lucy Gallant / Orgulho Contra Orgulho
1955 – The Private War of Major Benson / A Guerra Privada do Major Benson
1955 – The Far Horizons / Horizontes Desconhecidos
1954 – Secret of the Incas / O Segredo dos Incas
1954 – The Naked Jungle / Marabunta
1953 – Bad For Each Other / Com a Vossa Vida nas Mãos
1953 – Arrowhead / O Apache Branco
1953 – The President’s Lady / A Dama Marcada
1953 – Pony Express / Buffalo Bill, o Indomável
1952 – Ruby Gentry / A Fúria do Desejo
1952 – The Savage / O Selvagem
1952 – The Greatest Show on Earth / O Maior Espectáculo do Mundo
1950 – Dark City / A Cidade Tenebrosa
1950 – Julius Ceasar
1941 – Peer Gynt

segunda-feira, dezembro 26, 2011

BEN-HUR (1959)

BEN-HUR
Um filme de WILLIAM WYLER



Com Charlton Heston, Stephen Boyd, Jack Hawkins, Haya Harareet, Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O'Donnell, Sam Jaffe, Finlay Currie, Frank Thring, etc.

EUA / 212 min / COR / 16X9 (2.76:1)

Estreia nos EUA a 18/11/1959
(New York)
Estreia em ITÁLIA a 21/10/1960




Pontius Pilate: «Messala is dead. What he did 
has had its way with him» 
Judah Ben-Hur: «The deed was not Messala's. I knew him, well, before the cruelty of Rome spread in his blood.

Rome destroyed Messala as surely 
as Rome has destroyed my family»


"Ben-Hur" é o épico dos épicos, um filme grandioso seja qual for o prisma pelo qual para ele se olhe. Desde o argumento, sempre emotivo e envolvente, passando pela primorosa realização e direcção de actores, pelas maravilhas que são a fotografia, os cenários, o guarda-roupa e a banda sonora, até às inesquecíveis interpretações (principais e secundárias), tudo se conjugou harmoniosamente neste dinossauro excelentissimo que teima em não desaparecer nos anais do tempo. Pelo contrário, a sua permanência na memória dos mais velhos ou a descoberta de que é alvo por parte dos mais novos, parece ter um propósito bem definido: a de nos lembrar, a todos, que houve um tempo em que os filmes se faziam com muito amor e dedicação, para lá do aspecto económico.

Havia uma outra entrega, as pessoas davam aquilo que tinham e o que não tinham, chegando mesmo ao sacrifício supremo, como o produtor  Sam Zimbalist, que veio a falecer durante a rodagem do filme, vítima de um fulminante ataque de coração, consequência provável da enorme pressão a que estava sujeito. Porque, convém não esquecer, o investimento colossal colocado na produção (cerca de 16 milhões de dólares, um recorde para a época), tinha por objectivo principal salvar a MGM de uma bancarrota anunciada. Tal objectivo foi largamente ultrapassado, dado que o filme se veio a tornar num sucesso gigantesco, tendo logo na altura dado um lucro de cerca de 70 milhões de dólares, apenas nos EUA.


Enquadrado no género bíblico, é pertinente lembrar aos mais distraídos que a personagem principal, Judah Ben-Hur, existiu apenas na imaginação de um general da Guerra da Secessão (1861-1865), chamado Lewis Wallace (1827-1905), que mais tarde veio a ser governador do Território do Novo México (durante esse período chegou a conceder a amnistia ao famigerado Billy the Kid) e embaixador na Turquia durante 4 anos (1881-1885). Agnóstico convicto, Wallace tinha por finalidade desmitificar o Cristianismo quando começou a escrever o livro pelo qual seria imortalizado, "Ben-Hur". Mas as pesquisas que levou a cabo em variadissimas bibliotecas depressa mudaram o sentido da obra, o que aliás se reflecte na evolução do personagem principal. Publicado em 1880, o livro não conheceu sucesso imediato. Só mais tarde é que se viria a tornar num enorme campeão de vendas, traduzido para dezenas de idiomas, incluindo o braille.


Curiosamente, a primeira apresentação pública de "Ben-Hur" foi feita em cima de um palco, no Teatro Manhattan em Nova York, corria o ano de 1899. Com adaptação de William Young e música de Edgar Stillman Kelley, a peça foi representada em diversas cidades americanas, entre o ano da estreia e 1916. A necessidade de representação das cenas mais emblemáticas da obra, nomeadamente a batalha naval e a corrida das quadrigas, obrigou a autênticos malabarismos inventivos que contribuíram para o sucesso do espectáculo durante todos aqueles anos.


Com o advento do cinematógrafo, "Ben-Hur" conheceu a sua primeira adaptação logo em 1907, dois anos após o falecimento de Wallace. Como não podia deixar de ser, dadas as limitações técnicas da época, essa curta metragem, com cerca de 12 minutos de duração, era apenas uma sucessão de pequenos quadros filmados por uma câmara estática e em que a maioria do tempo era ocupado pela corrida das quadrigas. A companhia Kalem, que produziu o filme, foi processada pelos herdeiros de Wallace por violação de direitos autorais. O tribunal deu-lhes razão e ordenou à produtora o pagamento de uma larga indemnização aos queixosos.


A segunda adaptação ao cinema surgiu quase vinte anos depois, em 1925, no apogeu do cinema mudo. Realizado por Fred Niblo e com Ramón Novarro no papel principal, "Ben-Hur: A Tale of the Christ" surpreende ainda hoje pela técnica e pela exuberância de meios, ambas muito avançadas para a época em que o filme foi produzido. Embora se trate de um filme a preto e branco, várias sequências foram coloridas à mão e, em algumas delas, usou-se um sistema que daria origem mais tarde ao Technicolor. Esquecida por muitos, esta versão seria restaurada nos fins da década de 80 e normalmente acompanha as edições sucessivas em DVD do filme de William Wyler de 1959.

E eis-nos finalmente chegados à grande e definitiva versão de "Ben-Hur". Primeiro filme galardoado com um total de 11 Óscares (seriam precisos quase 40 anos para que um outro filme, no caso o "Titanic" de James Cameron [1997], conseguisse igualar tal proeza), "Ben-Hur" não venceu unicamente na categoria de Argumento-Adaptado, para a qual também tinha sido indigitado. Recebeu ainda 4 Globos de Ouro (num total de 9 nomeações), um prémio especial conferido a Andrew Marton pela direcção da sequência da corrida das quadrigas e o BAFTA inglês pelo melhor filme do ano. A belissima banda sonora, da autoria do conhecido Miklós Rozsa, também não seria esquecida, ao receber o respectivo Grammy. Toda esta catadupa de prémios surgiu em relação directa com o valor do filme, o qual, mesmo após completar meio século de existência, continua a ser considerado, pela crítica e pelo público, como uma das obras mais espantosas de toda a história do Cinema.

Como se começou por escrever no início desta prosa, todos os aspectos (técnicos e artísticos) do filme contribuíram significativamente para a sua grandeza. Mas, acima de tudo, a interpretação de Charlton Heston (1923-2008) como o Príncipe de Hur é algo que ninguém consegue dissociar de "Ben-Hur". Fala-se no filme e é o seu rosto que aparece em primeiro lugar. Podemos dizer que Ben-Hur é Charlton Heston e que Charlton Heston é Ben-Hur. Grande e multi-facetado actor (muitas vezes alvo de críticas por causa da sua defesa intransigente do uso pessoal de armas de fogo), Charlton Heston nasceu para interpretar papeis bigger than life no cinema (quem não se lembra do Moisés de "The Ten Commandments" [1956], "El-Cid" [1961], "55 Days at Peking" [1963] ou "Planet of the Apes" [1968], por exemplo?), mas a personagem de Judah Ben-Hur ficará para sempre como o ponto mais alto de toda a sua brilhante carreira de mais de uma centena de filmes. E não é por que tenha ganho o Óscar de melhor Actor Principal, aliás merecidissimo.

Desde os tempos do cinema mudo que "Ben-Hur" foi coleccionando dezenas de argumentos, uns atrás dos outros. E mesmo poucas semanas antes do início das filmagens em Roma, nos estúdios da Cinecittà, William Wyler ainda não tinha entre mãos um argumento pronto a ser filmado (aconteceu por várias vezes ter de se filmar o que tinha sido escrito nas vésperas). Daí resultaram uma série de improvisações e a colaboração de vários escritores, se bem que, no genérico final, apenas apareça o nome de Karl Tunberg. Sabe-se hoje que foi Gore Vidal (conhecido pelas suas convicções ateístas e homossexuais) quem escreveu grande parte do argumento final, devendo-se a ele toda a sequência do reencontro de Messala (Stephen Boyd, também ele num papel memorável) com Ben-Hur, rodada intencionalmente como se se tratasse de um conflito entre um qualquer casal de apaixonados.

Sem qualquer diálogo explícito foi, segundo o próprio Vidal, a melhor maneira de salientar a grande frustração de Messala ao ser "abandonado" pelo Príncipe de Hur, o que conduz de imediato às acções de retaliação sobre a família e o próprio companheiro de infância, quase como se tratasse de um acto de ciúmes. A verdade é que a orientação imposta por Vidal resultou em cheio e é esta sequência inicial que vem depois relevar o sentimento de vingança de Ben-Hur. O sub-título do filme diz-nos que se trata de um conto do tempo de Cristo; mas, na realidade, o que está no âmago de "Ben-Hur" é a história de dois homens, unidos na infância, mas que o poderio romano vem separar e transformar em inimigos mortais.

São necessárias três horas e meia (um pouco mais, se se contar com a overture inicial e o intervalo) para vermos este longo fresco épico. Mas é um tempo que passa a correr, tantas são as sequências inesquecíveis do filme: o já citado encontro inicial de Messala e Ben-Hur, o acidente no telhado que despoleta todos os acontecimentos, o juramento de vingança de Ben-Hur (mais um excelente confronto entre os dois actores principais), a travessia do deserto e o primeiro encontro com Cristo (uma "figura" nunca filmada de frente - mas sempre de um modo relevante - e que foi interpretada por um cantor de ópera chamado Claude Heater, não creditado no genérico), a escravidão nas galés e a batalha naval contra a frota macedónica, a celeberrima corrida das quadrigas (largos meses de preparação para cerca de 10 minutos de filme) com o derradeiro e pungente encontro de Messala com Ben-Hur, o resgatamento de Miriam (Martha Scott), a mãe de Ben-Hur, e da irmã Tirzah (Cathy O'Donnell) do Vale dos Leprosos e, por fim, toda a sequência final do calvário de Cristo, esteticamente uma das mais conseguidas de todas as muitas dezenas que esse episódio foi transposto para o cinema.

Por tudo o que atrás se escreveu e também pelo muito que não se disse, "Ben-Hur" é um filme que, no mínimo, toda a gente devia ver pelo menos uma vez na vida. A minha iniciação foi já um pouco tardia, tendo ocorrido nas férias de Verão de 1971, mais precisamente dia 2 de Setembro, numa matiné de quinta-feira do cinema Roma, em Lisboa. Foi tardia, mas nem por isso deixou de ser espectacular, atendendo a que a versão em cartaz era a de 70 mm e 6 bandas estereofónicas. Nestes 40 anos regressei ao filme vezes sem conta. A última foi ontem, dia de Natal, por causa da nova versão em blu-ray. É uma pena que filmes como "Ben-Hur" não sejam exibidos periodicamente em grandes salas de espectáculo (parece que a situação está a mudar um pouco, já se começam a ver por aí alguns clássicos do passado). Mas quem tiver uma boa aparelhagem caseira poderá, ainda assim, disfrutar com enorme prazer de um dos filmes mais excitantes de toda a história da Sétima Arte.


CURIOSIDADES:

- "Ben-Hur" foi inteiramente filmado em Roma, nos estúdios Cinecittà, durante cerca de 9 meses. A arena da corrida das quadrigas foi o maior cenário construído até à época, tendo custado um milhão de dólares. Nessa sequência – dirigida em 94 dias por Andrew Marton, Mario Soldati e Yakima Canutt, utilizaram-se cinco câmaras, quinze mil figurantes, dezoito quadrigas e 76 cavalos. Foi também criada uma enfermaria para tratamento de prováveis acidentes, mas apenas foram assistidas algumas pessoas da assistência com pequenas queimaduras solares.

- Para filmar o início da corrida (e outros planos ao longo da mesma), o director de fotografia Robert Surtees usou uma grua de mais de trinta metros de altura: o espectador vê as quadrigas desfilando na pista como se sobrevoasse a arena. O efeito é realçado pela utilização do processo cinematográfico Camera 65, um aperfeiçoamento do CinemaScope. Apesar de na Itália haver cavalos brancos, os quatro que foram utilizados nas filmagens vieram da Checoslováquia, transportados em primeira classe num avião fretado e ao qual teve de se retirar os assentos dos passageiros.



- Charlton Heston aprendeu a conduzir as quadrigas, sendo ele próprio que aparece em muitos dos planos filmados. As cenas mais arriscadas, como o salto dos cavalos, foram no entanto executadas por duplos.

- Paul Newman foi o primeiro actor abordado para interpretar o papel principal. Devido à má experiência no filme "O Cálice de Prata", Newman recusou o convite dizendo que nunca mais haveria de interpretar um papel em que tivesse de usar uniformes romanos. Outros actores que chegaram a ser equacionados foram Burt Lancaster e também Rock Hudson. Para o papel de Messala, foram Robert Ryan, Stewart Granger e Leslie Nielsen os actores convidados. O último chegou a realizar um teste, que pode ser visto num documentário que acompanha a edição do filme em DVD.

- Como a maioria dos actores tinham olhos azuis, William Wyler quis que Messala e todos os restantes romanos se diferenciassem dos demais, tendo obrigado Stephen Boyd, Jack Hawkins e outros a usar lentes de contacto para escurecer os olhos. Wyler recebeu 1 milhão de dólares para dirigir o filme (já tinha sido assistente de realização na versão muda de 1925)



- "Ben-Hur" foi o único filme de temática religiosa a ser aprovado pelo Vaticano

- A MGM queria que um autêntico barco romano fosse utilizado nas cenas de batalha, pelo que foi contratado um engenheiro apenas para esse fim. Quando ele apresentou o design do barco aos responsáveis do estúdio, estes disseram que ele se afundaria, pois era muito pesado. Ainda assim o barco foi construído e, ao ser colocado no oceano, inicialmente flutuou. Porém uma pequena onda foi suficiente para afundar a embarcação. Por causa disso, as cenas da batalha foram rodadas num gigantesco tanque, com cabos a prender o barco. Após a construção do tanque, era preciso dar à água (que estava marron-escura) o tom azul-mediterrâneo necessário para que as cenas parecessem reais. Foi utilizado um composto químico que realmente azulou a água, mas também formou sobre ela uma crosta, que precisou de ser toda retirada do tanque por operários da MGM. Durante as filmagens um dos figurantes caiu na água e lá ficou por muito tempo. Ao sair, estava totalmente azul, e teve o seu salário pago pela MGM até a pele voltar ao normal



- Martha Scott já tinha desempenhado o papel de mãe de Charlton Heston no filme "The Ten Commandments", três anos antes

- Miklós Rózsa compôs a trilha sonora de "Ben-Hur", em oito semanas

- "Ben-Hur" foi o primeiro filme a conseguir 11 Óscares da Academia. Se pensarmos que nessa altura só havia 12 categorias a que eram atribuídas as estatuetas, podemos concluir que a percentagem conseguida (91,7 %) nunca foi ultrapassada até hoje. A lista completa dos Óscares atribuídos a "Ben-Hur" pode ser consultada aqui






A BANDA-SONORA COMPLETA: