Com Christopher Walken, Brooke Adams, Herbert Lom, Tom Skerritt, Anthony Zerbe, Martin Sheen
EUA / 103 min / COR / 16x9 (1.85:1)
Estreia nos EUA a 21/10/1983
Johnny Smith: “If you could go back in time to Germany, before Hitler came to power, knowing what you know now, would you kill him?”
Fui desde sempre um grande apreciador do cinema de David Cronenberg, esse realizador canadiano nascido em Toronto a 15 de Março de 1943, que gosta de usar o corpo humano como matéria prima ideal para a moldagem dos seus filmes. Este “The Dead Zone” não será um dos mais representativos desse cinema mas consegue envolver-nos numa atmosfera psicológica bem delineada, onde não será alheia a paisagem invernal em que decorre toda a acção do filme. Apesar do próprio Cronenberg ter lamentado o facto de a versão em video possuir um tom demasiado claro, penso que a brancura da neve contribui decisivamente para a criação dessa atmosfera que é uma característica fundamental de “The Dead Zone”e uma das razões porque eu gosto tanto deste filme.
Adaptado de uma novela de sucesso de Stephen King, “The Dead Zone”conta-nos a curiosa história de um professor, Johnny Smith (Christopher Walken), que um acidente de viação irá atirar para um coma profundo de cinco anos na cama de um hospital. O despertar, que para Johnny é como se fosse o dia seguinte, traz-lhe a revelação da dura realidade: encontra-se praticamente paralizado da cintura para baixo e Sarah (Brooke Adams), a mulher com quem estava para se comprometer nas vésperas é agora casada e mãe de uma criança. Pouco depois Johnny descobre em si próprio a estranha capacidade de visualizar acontecimentos passados ou futuros que lhe ocasionam insuportáveis dores de cabeça, acompanhadas por uma sensação que ele próprio descreve como a de uma “morte antecipada”.
Com o passar do tempo Johnny volta a conseguir andar, embora com dificuldades, e aprende a usar o seu novo dom para alterar o destino e evitar assim que certos acontecimentos trágicos se venham a concretizar, nem que para tal seja necessário sacrificar a própria vida. Cronenberg sempre se sentiu atraído pelo corpo humano e o modo como esse corpo nos pode eventualmente afectar ou mesmo destruir. Em “The Dead Zone” essa obsessão continua, se bem que vista agora por um prisma ligeiramente diferente – não temos aqui nenhum vírus ou parasita, o habitual horror é desta vez substituído pela fragilidade, a qual progressivamente se vai apoderando do corpo de Johnny Smith.
Como habitualmente Cronenberg sente-se confortável na adaptação de outras histórias que não as suas, o que o torna menos indulgente e mais linear no modo de as filmar. Essa linearidade de processos, a sua montagem fluida, invisível, confortam a fé do espectador naquilo que lhe é dado a observar. Nada de magia ou atmosferas góticas, é a estrutura narrativa que conduz o espectador à inquietude fundamental de observador. “The Dead Zone” é, segundo o próprio realizador, um filme essencialmente sobre perda e sacrifício, o que não o impede de constituir também um excitante thriller, feito com mestria e inteligência, e recheado de cenas que por certo perdurarão na memória dos apaixonados deste género de cinema.
CURIOSIDADES:
- A novela de Stephen King, onde o filme é baseado, inspirou-se de facto num personagem real, o físico Peter Hurkos, o qual alegava que os seus poderes lhe tinham aparecido após uma queda de um escadote em que teria batido com a cabeça no chão
- O trecho do poema que Johnny lê aos seus alunos no início do filme é a parte final de “The Raven”, da autoria de Edgar Allen Poe
- Os intervenientes na sequência da 2ª Guerra Mundial falam todos em polaco
- David Cronenberg foi premiado por este filme nos Festivais de Avoriaz (França) e de Fanta (Itália). Por sua vez, “The Dead Zone” foi considerado o melhor filme de horror de 1983 pela Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Film dos EUA.
LADRÃO ROUBADO Um filme de RONALD NEAME Com Shirley MacLaine, Michael Caine, Herbert Lom, Roger C. Carmel, Arnold Moss, etc. EUA / 109 min / COR / 16X9 (2.35:1) Estreia nos EUA: NY, 21/12/1966 Estreia em PORTUGAL: Lisboa, 27/11/1968
Harry: «Now will you stop asking
questions?»
Nicole: «It's only human to be curious
Harry»
Harry: «Yes, well as far as I'm
concerned you're far too human»
Antecipando
a estreia da nova versão de “Gambit” (a 12 de Outubro nos EUA),
uma realização de Michael Hoffman, argumento dos irmãos Coen (mas por que carga
d’água é que os manos não realizaram eles próprios o filme?) e interpretação de Cameron
Diaz e Colin Firth, e ainda o septuagenário Tom Courtenay e a octogenária Cloris Leachman (actores importantes de
outras décadas e ainda no activo, mas de quem não tenho ouvido falar há muitos anos),
resolvi rever o filme original, do qual guardava muito boas recordações. O
resultado não podia ter sido melhor: cerca de 100 minutos de puro e inteligente
entretenimento (coisa rara nos tempos que correm), com dois dos meus actores
favoritos dos anos 60, Michael Caine
e Shirley MacLaine.
A
história é de Sidney Carroll, na qual a nova versão se deve de igual modo
inspirar (pelo menos a publicidade adianta que se trata da nova versão de “Gambit”) e conta-se em meia dúzia
de palavras: Harry Dean (Michael Caine),
um inglês recém-iniciado nas artes do roubo e da falsificação (um tanto ou
quanto inexperiente portanto) propõe-se executar o plano perfeito para se
apoderar de um busto feminino pertencente a um árabe riquíssimo, Mister
Shahbandar (Herbert Lom, o
inspector-chefe da série da “Pantera-Cor-de-Rosa”), e cujo preço seria
incalculável (na verdade o objectivo era ligeiramente
diferente, mas deixo tal revelação para os que nunca viram o filme). Para
isso resolve pagar os serviços de uma bailarina oriental de um cabaret de Hong
Kong, Nicole Chang (Shirley MacLaine),
devido à sua extraordinária semelhança com a mulher da escultura, por quem o
magnate do petróleo teria tido paixão avassaladora, antes da mesma vir a
falecer, cerca de dez anos antes.
No
filme temos direito a duas versões da mesma empreitada:
assistimos em primeiro lugar ao que acontece enquanto Harry Dean explica o
plano ao sócio, onde tudo se desenrola na perfeição. E depois a acção “real”,
em que, como seria previsível, tudo (ou quase tudo) sai mal, começando logo
pela jovem bailarina que na versão idealizada não abre uma única vez a boca,
mas que afinal fala pelos cotovelos.
Este modo de apresentar a história (o antes e o depois) funciona às mil
maravilhas, simultaneamente com o humor que acompanha a cada passo as
peripécias do larápio e da sua “ajudante”, a qual, com o decorrer do filme,
acaba por inverter os papéis, sendo ela a principal responsável por levar o
roubo a porto seguro.
“Gambit”é um estilo de cinema bem típico dos anos 60, uma
comédia inteligente, bem estruturada e muito bem filmada, e em que o charme
particular de ambos os actores contribuiu decisivamente para o sucesso junto do
público. Ronald Neame, o realizador
britânico, ex-fotógrafo, que seis anos depois nos daria um dos filmes-catástrofe mais eficazes
de sempre (“The Poseidon Adventure”),
mostra-se aqui perfeitamente à vontade, dirigindo elegantemente um filme que se
mantém fresco e viçoso como há quase 50 anos atrás. A descobrir, ou a rever,
antes da estreia da nova versão, lá mais para depois do Verão.
CURIOSIDADES:
-
Shirley MacLaine, na altura uma
actriz de topo, tinha sempre o direito de veto na escolha do seu partenaire. Foi ela quem escolheu Michael Caine, depois de ver o trabalho
do actor inglês em “Alfie”
-
O “gambit” é uma táctica do jogo de xadrez que consiste
em sacrificar uma peça para se obter uma posição mais vantajosa no tabuleiro
SPARTACUS Um filme de STANLEY KUBRICK Com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin, Nina Foch, John Ireland, Herbert Lom, Woody Strode, etc. EUA / 184 min (197 min) / COR / 16X9 (2.20:1) Estreia nos EUA a 6/10/1960 (New York) Estreia no BRASIL a 17/11/1960
Antoninus: «Are you afraid to die,
Spartacus?» Spartacus: «No more than I was to be born»
De
acordo com os compêndios históricos (ou, mais recentemente, com as
enciclopédias digitais), Spartacus,
ao que parece de raça númida e oriundo de uma família nobre, nasceu na Trácia (região
que hoje em dia engloba a Grécia, Bulgária e Turquia), por volta do ano 110
antes de Cristo. Reduzido à escravidão por ter desertado do exército romano,
foi levado para Cápua, onde se tinha estabelecido a principal academia de
gladiadores. Inteligente, bom estratega militar e de força hercúlea, ficou na
história como um herói da liberdade dos oprimidos. Dizem os historiadores antigos
que um dos motivos que o levaram a sublevar-se foi ter encontrado a sua irmã
Mirza reduzida à escravatura e obrigada a praticar a prostituição. No filme,
revolta-se ao ver partir a escrava Varínia (Jean Simmons), vendida a
Crasso (Laurence Olivier), militar e patrício romano.
Estátua de Denis Foyatier, Museu do Louvre, Paris
Spartacus, que viria a morrer na Batalha de
Silaro, perto de Petelia, no ano 71 A.C. (com cerca de 40 anos portanto), foi
algo mais que um rebelde. A sublevação por ele promovida, que aglutinou cerca
de 100 mil escravos, teve um duplo interesse histórico. Em primeiro lugar,
lutou pela liberdade dos escravos; em segundo lugar, por um objectivo político:
a constituição de uma sociedade livre. Depois dos seus primeiros êxitos e
vitórias, teve consciência da necessidade de uma estruturação social;
apercebeu-se com clareza que teria de enfrentar Roma e lutou desesperadamente
para que os seus seguidores se não reduzissem a simples bandos dedicados à
pilhagem.
Com
a desculpa, mais ou menos esfarrapada, de que “Spartacus”teria sido um
filme renegado por Stanley Kubrick
(o cineasta não chegou a tanto, lamentou-se apenas de não ter tido o controle
desejado sobre vários aspectos da produção, algo que seria drasticamente
alterado no futuro), certa crítica americana sempre preferiu excluí-lo das suas
análises, limitando-se a algumas notas mais ou menos superficiais sobre ele. A
verdade, no entanto, parece-me outra: é que “Spartacus” sempre foi
conotado como uma obra esquerdista e
sabe-se bem como a América reage a tudo o que lhe cheire a tais proveniências.
Bastará dizer que o filme se baseia no romance de Howard Fast, membro do
Partido Comunista, condenado à prisão pelos esbirros do maccarthismo, e escritor cujos livros foram retirados das
bibliotecas públicas. E se acrescentarmos que o argumento foi escrito por
Dalton Trumbo, que fez parte dos célebres “Dez de Hollywood” e que também
conheceu as agruras da prisão, então podemos facilmente intuir a embirração
desses críticos para com o filme.
De
qualquer modo, “Spartacus”não se poderá considerar efectivamente um filme kubrickiano, no sentido mais lato, ou
seja, de ser uma obra pensada, programada e executada pelo famoso realizador.
Com efeito, Kubrick foi contratado
por Kirk Douglas, na sua qualidade
de produtor executivo, já a rodagem tinha começado (a sequência das minas de
sal), sob a direcção de Anthony Mann, realizador com o qual Douglas se viria a desentender,
acabando por o despedir. E mesmo depois as relações entre Kubrick, Trumbo e Douglas
não seriam as melhores. Depois do filme concluído, Douglaschegou a dizer que nunca mais trabalharia com Kubrick (o que de facto aconteceu) e que estava arrependido de ter
despedido Mann. Anos mais tarde o actor só aceitou participar no filme “The Heroes of Telemark” com a condição
de que Mann fosse contratado para dirigir esse filme.
As
filmagens tiveram imensos problemas. Jean
Simmonsteve de ser operada de urgência; Douglas aparecia tarde e a más horas no set das filmagens e apanhou um vírus durante dez dias; Ustinov, Olivier e Laughton ausentavam-se
regularmente devido a compromissos publicitários e Tony Curtis chegou a ter um pé engessado por ter torcido o tendão
de Aquiles a jogar ténis com Douglas.
Além disso, Dalton Trumbo fazia alterações ao guião constantemente.
Consequentemente, Kubrick adoptou um
novo método de trabalho - improvisava no local das filmagens com os actores e
criava cenas em vez de se basear em exclusivo no guião. Nas cenas em que não
havia diálogos, Kubrick punha música
adequada ao ambiente, como na época dos filmes mudos, para transmitir a emoção
da cena.
A
falta de liberdade de que Kubrick se
queixava (e com razão), é, paradoxalmente, o tema que“Spartacus” aborda. E
nenhum filme sobre esse princípio fundamental dos direitos humanos pode ser
encarado de ânimo leve. Sobretudo se se trata de um filme que se eleva acima do
ponto de vista liberal para entrar numa concepção mais crítica das relações
sociais, estruturando-se numa abordagem popular
da famosa revolta dos gladiadores (a mais importante rebelião de escravos de
que há memória desde a antiguidade), que divulga, de um modo algo rudimentar, o
esquema marxista da luta de classes. Nota-se bem que muitas das preocupações de Kubrick passaram pela tentativa de
transformação do guião e da história original. Um exemplo: quer no livro de
Fast quer no argumento de Trumbo, Spartacus
morre em combate e de seguida é crucificado. O que fez Kubrick? Teve aquela ideia brilhante (e cruel) do duelo final, em
que Antoninus e Spartacus se degladiam até à morte, tentando cada um deles levar de
vencida o opositor, para desse modo o poupar ao terrível suplício da cruz.
O
enredo de “Spartacus” assenta numa dezena de personagens principais que
se destacam das massas, na oposição entre o Senado romano de um lado e o
universo dos escravos rebeldes do outro. De salientar que a evasão e a revolta
dos gladiadores é utilizada pelos expoentes do poder em Roma para lutarem entre
eles, e desse modo assegurarem o controlo dos destinos do Estado, em jogos de
bastidores e intrigas, afinal os contornos habituais de qualquer disputa pelo
poder. A vitória acaba por sorrir a Crasso (Laurence Olivier) no confronto shakespeariano
que mantém ao longo do filme com Graco (Charles
Laughton), mas é uma vitória um pouco amarga pois não consegue atingir o
objectivo principal que é o do aniquilamento da ideia da revolta e da
liberdade: «I wasn’t afraid of Spartacus when I fought him, because I knew he
could be beaten. But now I fear him, even more than I fear you, dear
Caesar.»
O
interesse político de "Spartacus"assenta na sua
base revolucionária, formulada numa estruturação histórica própria - o
confronto de duas mentalidades totalmente incompatíveis e incomunicáveis: a dos
escravos, que se vai estruturando entre as coordenadas da vingança e da
liberdade, com problemáticas de ordem e organização, e com uma clara visão do perigo
da despolitização do movimento subversivo, e a dos patrícios, senadores e
militares romanos, incapazes de avaliarem a sublevação dos escravos mais que
como uma loucura ou um desespero. Para os romanos, a sua ordem social é “a”
ordem social; para eles, não é possível outra forma social ou política
avançada. O confronto destas duas mentalidades confere ao filme um novo
dramatismo - temático-ideológico -, que compensa, ou pelo menos reduz, o
sentimentalismo imperante em várias cenas.
Visualmente,
“Spartacus”
continua a ser impressionante, sobretudo após ter sido restaurado em 1991, num
meticuloso trabalho de Robert A. Harris, que criou um novo negativo em 65 mm, a
partir de fragmentos coloridos originais. E é um filme que não se esgota numa
primeira visão, existe sempre alguma coisa a ser descoberta em cada retorno. De
salientar também a excelência de todas as interpretações da parte de actores
que hoje em dia já fazem parte da mitologia do cinema: Sir Laurence Olivier, Charles
Laughton (aqui no seu penúltimo filme, o actor viria a falecer no dia 15 de Dezembro de 1962, com 63 anos), Peter Ustinov, Jean Simmons, Tony Curtis, John Gavin para além de Kirk
Douglas, claro. Kubrick, apesar
de aqui não ter tido a faca e o queijo na
mão, e por isso ter sido obrigado, forçosamente, a ceder a algumas
pressões, soube utilizar toda a largura do grande écran para comunicar com o
público de um modo espectacular, conseguindo uma obra adulta, de inegável interesse, baseada
num dramatismo chocante e realizada com grande força expressiva. "Spartacus"
permanece como um dos cantos à liberdade mais ardentes e menos superficiais do
cinema made in USA.
CURIOSIDADES:
- O
som da multidão a gritar o nome de Spartacus
foi gravado durante um jogo de futebol americano em 1959, no Spartan Stadium, propriedade da
Universidade de Michigan
- Diversas
cenas entre Peter Ustinov e Charles Laughton foram re-escritas pelo
primeiro, devido aLaughtonnão ter
gostado das constantes no guião original
- Ingrid
Bergman, Jeanne Moreau e Elsa Martinelli rejeitaram todas elas o papel de Varínia.
Jean Simmons foi escolhida pelo
próprio Stanley Kubrick, apesar da
pronúncia britânica da actriz (que os produtores queriam ser exclusiva dos
intérpretes de personagens romanos)
- A
versão original incluía uma cena nos banhos romanos em que Crasso (Laurence Olivier) tenta seduzir
Antoninus (Tony Curtis), através de
alusões eróticas à diferenciação entre ostras e caracóis. A "Liga de Decência
Americana" acabaria por conseguir retirar essa cena da montagem final a ser
exibida comercialmente. Na restauração levada a cabo em 1991 a cena foi
reposta, mas parte dos diálogos tinham-se perdido. Tony Curtis concordou em gravar de novo a sua parte mas devido a Laurence Olivier já ter falecido, foi o
actor britânico Anthony Hopkins que acedeu a gravar as falas do seu compatriota
(o seu nome aparece por isso nos créditos da versão restaurada)
- O
argumentista Dalton Trumbo queria que a Universal contratasse Orson Welles para
o papel do pirata Tigranes Levantus. Mas foi o actor Herbert Lom (célebre pela sua personagem de chefe de polícia na
série de filmes da Pantera Cor-de-Rosa)
que acabou por desempenhar aquele pequeno papel
- Conta-se
que durante as filmagens Tony Curtisteria desabafado com Jean Simmons:
«Who do I have to screw to get off this film?»; ao que a actriz teria
respondido: «When you find out, let me know»
- Em
Junho de 2008, o American Film Institute classificou “Spartacus” no 5º lugar
da lista dos melhores épicos de sempre
- John
Wayne e Hedda Hopper, figuras conotadas com a ala direitista de Hollywood,
apressaram-se desde logo a adjectivar o filme de “propaganda marxista”, mesmo
antes do mesmo se estrear nas salas americanas (o nome de Dalton Trumbo teria
sido o suficiente para despoletar tal atitude)
- Mais
tarde Kirk Douglas viria a admitir
que a razão principal pela qual se tinha envolvido no projecto de “Spartacus”fora o facto do realizador William Wyler o não ter aceite para desempenhar o
papel de Ben-Hur (e mesmo o de Messala), na super-produção de 1959.
- A
versão restaurada de 1991 contém exactamente mais 4 minutos de filme do que a
versão original exibida nas salas de cinema em 1960. Dois desses minutos dizem
respeito à cena já referida entre Olivier e Curtis (cortada na altura) e os
restantes dois minutos são de pequenos excertos mais violentos de algumas sequências:
a morte de Draba (com o corte no pescoço feito por Crassos) ou a amputação do
braço de um soldado durante a batalha, por exemplo. O restante tempo, cerca de 9 minutos, foi
usado na Overture, Entr’acte e Exit Music.
- “Spartacus” ganhou 4 Óscares da Academia
(Cinematografia, Direcção Artística e Cenários, Guarda-Roupa e Actor Sendário –
Peter Ustinov). Foi ainda nomeado
nas categorias de Música e Montagem. Ganhou também o Globo de Ouro para o
melhor filme-drama (mais 5 nomeações: Actor dramático – Laurence Olivier, Realização, Música Original e Actores Secundários
– Peter Ustinov e Woody Strode)