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quinta-feira, novembro 28, 2013

THE DEAD ZONE (1983)

ZONA DE PERIGO
Um Filme de DAVID CRONENBERG



Com Christopher Walken, Brooke Adams, Herbert Lom, Tom Skerritt, Anthony Zerbe, Martin Sheen
 
EUA / 103 min / COR / 16x9 (1.85:1)
 
Estreia nos EUA a 21/10/1983


Johnny Smith: “If you could go back in time to Germany, before Hitler came to power, knowing what you know now, would you kill him?”

Fui desde sempre um grande apreciador do cinema de David Cronenberg, esse realizador canadiano nascido em Toronto a 15 de Março de 1943, que gosta de usar o corpo humano como matéria prima ideal para a moldagem dos seus filmes. Este “The Dead Zone” não será um dos mais representativos desse cinema mas consegue envolver-nos numa atmosfera psicológica bem delineada, onde não será alheia a paisagem invernal em que decorre toda a acção do filme. Apesar do próprio Cronenberg ter lamentado o facto de a versão em video possuir um tom demasiado claro, penso que a brancura da neve contribui decisivamente para a criação dessa atmosfera que é uma característica fundamental de “The Dead Zone” e uma das razões porque eu gosto tanto deste filme.
 
Adaptado de uma novela de sucesso de Stephen King, “The Dead Zone” conta-nos a curiosa história de um professor, Johnny Smith (Christopher Walken), que um acidente de viação irá atirar para um coma profundo de cinco anos na cama de um hospital. O despertar, que para Johnny é como se fosse o dia seguinte, traz-lhe a revelação da dura realidade: encontra-se praticamente paralizado da cintura para baixo e Sarah (Brooke Adams), a mulher com quem estava para se comprometer nas vésperas é agora casada e mãe de uma criança. Pouco depois Johnny descobre em si próprio a estranha capacidade de visualizar acontecimentos passados ou futuros que lhe ocasionam insuportáveis dores de cabeça, acompanhadas por uma sensação que ele próprio descreve como a de uma “morte antecipada”.
 
Com o passar do tempo Johnny volta a conseguir andar, embora com dificuldades, e aprende a usar o seu novo dom para alterar o destino e evitar assim que certos acontecimentos trágicos se venham a concretizar, nem que para tal seja necessário sacrificar a própria vida. Cronenberg sempre se sentiu atraído pelo corpo humano e o modo como esse corpo nos pode eventualmente afectar ou mesmo destruir. Em “The Dead Zone” essa obsessão continua, se bem que vista agora por um prisma ligeiramente diferente – não temos aqui nenhum vírus ou parasita, o habitual horror é desta vez substituído pela fragilidade, a qual progressivamente se vai apoderando do corpo de Johnny Smith.
 
Como habitualmente Cronenberg sente-se confortável na adaptação de outras histórias que não as suas, o que o torna menos indulgente e mais linear no modo de as filmar. Essa linearidade de processos, a sua montagem fluida, invisível, confortam a fé do espectador naquilo que lhe é dado a observar. Nada de magia ou atmosferas góticas, é a estrutura narrativa que conduz o espectador à inquietude fundamental de observador. “The Dead Zone” é, segundo o próprio realizador, um filme essencialmente sobre perda e sacrifício, o que não o impede de constituir também um excitante thriller, feito com mestria e inteligência, e recheado de cenas que por certo perdurarão na memória dos apaixonados deste género de cinema.
 
CURIOSIDADES:
 
- A novela de Stephen King, onde o filme é baseado, inspirou-se de facto num personagem real, o físico Peter Hurkos, o qual alegava que os seus poderes lhe tinham aparecido após uma queda de um escadote em que teria batido com a cabeça no chão

- O trecho do poema que Johnny lê aos seus alunos no início do filme é a parte final de “The Raven”, da autoria de Edgar Allen Poe

- Os intervenientes na sequência da 2ª Guerra Mundial falam todos em polaco

- David Cronenberg foi premiado por este filme nos Festivais de Avoriaz (França) e de Fanta (Itália). Por sua vez, “The Dead Zone” foi considerado o melhor filme de horror de 1983 pela Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Film dos EUA.

 

segunda-feira, maio 28, 2012

GAMBIT (1966)

LADRÃO ROUBADO
Um filme de RONALD NEAME


Com Shirley MacLaine, Michael Caine, Herbert Lom, Roger C. Carmel, Arnold Moss, etc.

EUA / 109 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA: NY, 21/12/1966
Estreia em PORTUGAL: Lisboa, 27/11/1968

Harry: «Now will you stop asking questions?»
Nicole: «It's only human to be curious Harry»
Harry: «Yes, well as far as I'm concerned you're far too human»

Antecipando a estreia da nova versão de “Gambit” (a 12 de Outubro nos EUA), uma realização de Michael Hoffman, argumento dos irmãos Coen (mas por que carga d’água é que os manos não realizaram eles próprios o filme?) e interpretação de Cameron Diaz e Colin Firth, e ainda o septuagenário Tom Courtenay  e a octogenária Cloris Leachman (actores importantes de outras décadas e ainda no activo, mas de quem não tenho ouvido falar há muitos anos), resolvi rever o filme original, do qual guardava muito boas recordações. O resultado não podia ter sido melhor: cerca de 100 minutos de puro e inteligente entretenimento (coisa rara nos tempos que correm), com dois dos meus actores favoritos dos anos 60, Michael Caine e Shirley MacLaine.

A história é de Sidney Carroll, na qual a nova versão se deve de igual modo inspirar (pelo menos a publicidade adianta que se trata da nova versão de “Gambit”) e conta-se em meia dúzia de palavras: Harry Dean (Michael Caine), um inglês recém-iniciado nas artes do roubo e da falsificação (um tanto ou quanto inexperiente portanto) propõe-se executar o plano perfeito para se apoderar de um busto feminino pertencente a um árabe riquíssimo, Mister Shahbandar (Herbert Lom, o inspector-chefe da série da “Pantera-Cor-de-Rosa”), e cujo preço seria incalculável (na verdade o objectivo era ligeiramente diferente, mas deixo tal revelação para os que nunca viram o filme). Para isso resolve pagar os serviços de uma bailarina oriental de um cabaret de Hong Kong, Nicole Chang (Shirley MacLaine), devido à sua extraordinária semelhança com a mulher da escultura, por quem o magnate do petróleo teria tido paixão avassaladora, antes da mesma vir a falecer, cerca de dez anos antes.

No filme temos direito a duas versões da mesma empreitada: assistimos em primeiro lugar ao que acontece enquanto Harry Dean explica o plano ao sócio, onde tudo se desenrola na perfeição. E depois a acção “real”, em que, como seria previsível, tudo (ou quase tudo) sai mal, começando logo pela jovem bailarina que na versão idealizada não abre uma única vez a boca, mas que afinal fala pelos cotovelos. Este modo de apresentar a história (o antes e o depois) funciona às mil maravilhas, simultaneamente com o humor que acompanha a cada passo as peripécias do larápio e da sua “ajudante”, a qual, com o decorrer do filme, acaba por inverter os papéis, sendo ela a principal responsável por levar o roubo a porto seguro.

“Gambit” é um estilo de cinema bem típico dos anos 60, uma comédia inteligente, bem estruturada e muito bem filmada, e em que o charme particular de ambos os actores contribuiu decisivamente para o sucesso junto do público. Ronald Neame, o realizador britânico, ex-fotógrafo, que seis anos depois nos daria um dos filmes-catástrofe mais eficazes de sempre (“The Poseidon Adventure”), mostra-se aqui perfeitamente à vontade, dirigindo elegantemente um filme que se mantém fresco e viçoso como há quase 50 anos atrás. A descobrir, ou a rever, antes da estreia da nova versão, lá mais para depois do Verão.

 CURIOSIDADES:

- Shirley MacLaine, na altura uma actriz de topo, tinha sempre o direito de veto na escolha do seu partenaire. Foi ela quem escolheu Michael Caine, depois de ver o trabalho do actor inglês em “Alfie”

- O “gambit” é uma táctica do jogo de xadrez que consiste em sacrificar uma peça para se obter uma posição mais vantajosa no tabuleiro


LOBBY CARDS:

quarta-feira, abril 18, 2012

SPARTACUS (1960)

SPARTACUS
Um filme de STANLEY KUBRICK

Com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin, Nina Foch, John Ireland, Herbert Lom, Woody Strode, etc.

EUA / 184 min (197 min) / COR / 
16X9 (2.20:1)

Estreia nos EUA a 6/10/1960
(New York)
Estreia no BRASIL a 17/11/1960


Antoninus: «Are you afraid to die, Spartacus?»
Spartacus: «No more than I was to be born»

De acordo com os compêndios históricos (ou, mais recentemente, com as enciclopédias digitais), Spartacus, ao que parece de raça númida e oriundo de uma família nobre, nasceu na Trácia (região que hoje em dia engloba a Grécia, Bulgária e Turquia), por volta do ano 110 antes de Cristo. Reduzido à escravidão por ter desertado do exército romano, foi levado para Cápua, onde se tinha estabelecido a principal academia de gladiadores. Inteligente, bom estratega militar e de força hercúlea, ficou na história como um herói da liberdade dos oprimidos. Dizem os historiadores antigos que um dos motivos que o levaram a sublevar-se foi ter encontrado a sua irmã Mirza reduzida à escravatura e obrigada a praticar a prostituição. No filme, revolta-se ao ver partir a escrava Varínia (Jean Simmons), vendida a Crasso (Laurence Olivier), militar e patrício romano.

Estátua de Denis Foyatier, Museu do Louvre, Paris
Spartacus, que viria a morrer na Batalha de Silaro, perto de Petelia, no ano 71 A.C. (com cerca de 40 anos portanto), foi algo mais que um rebelde. A sublevação por ele promovida, que aglutinou cerca de 100 mil escravos, teve um duplo interesse histórico. Em primeiro lugar, lutou pela liberdade dos escravos; em segundo lugar, por um objectivo político: a constituição de uma sociedade livre. Depois dos seus primeiros êxitos e vitórias, teve consciência da necessidade de uma estruturação social; apercebeu-se com clareza que teria de enfrentar Roma e lutou desesperadamente para que os seus seguidores se não reduzissem a simples bandos dedicados à pilhagem.


Com a desculpa, mais ou menos esfarrapada, de que “Spartacus” teria sido um filme renegado por Stanley Kubrick (o cineasta não chegou a tanto, lamentou-se apenas de não ter tido o controle desejado sobre vários aspectos da produção, algo que seria drasticamente alterado no futuro), certa crítica americana sempre preferiu excluí-lo das suas análises, limitando-se a algumas notas mais ou menos superficiais sobre ele. A verdade, no entanto, parece-me outra: é que “Spartacus” sempre foi conotado como uma obra esquerdista e sabe-se bem como a América reage a tudo o que lhe cheire a tais proveniências. Bastará dizer que o filme se baseia no romance de Howard Fast, membro do Partido Comunista, condenado à prisão pelos esbirros do maccarthismo, e escritor cujos livros foram retirados das bibliotecas públicas. E se acrescentarmos que o argumento foi escrito por Dalton Trumbo, que fez parte dos célebres “Dez de Hollywood” e que também conheceu as agruras da prisão, então podemos facilmente intuir a embirração desses críticos para com o filme.

De qualquer modo, “Spartacus” não se poderá considerar efectivamente um filme kubrickiano, no sentido mais lato, ou seja, de ser uma obra pensada, programada e executada pelo famoso realizador. Com efeito, Kubrick foi contratado por Kirk Douglas, na sua qualidade de produtor executivo, já a rodagem tinha começado (a sequência das minas de sal), sob a direcção de Anthony Mann, realizador com o qual Douglas se viria a desentender, acabando por o despedir. E mesmo depois as relações entre Kubrick, Trumbo e Douglas não seriam as melhores. Depois do filme concluído, Douglas chegou a dizer que nunca mais trabalharia com Kubrick (o que de facto aconteceu) e que estava arrependido de ter despedido Mann. Anos mais tarde o actor só aceitou participar no filme “The Heroes of Telemark” com a condição de que Mann fosse contratado para dirigir esse filme.

As filmagens tiveram imensos problemas. Jean Simmons teve de ser operada de urgência; Douglas aparecia tarde e a más horas no set das filmagens e apanhou um vírus durante dez dias; Ustinov, Olivier e Laughton ausentavam-se regularmente devido a compromissos publicitários e Tony Curtis chegou a ter um pé engessado por ter torcido o tendão de Aquiles a jogar ténis com Douglas. Além disso, Dalton Trumbo fazia alterações ao guião constantemente. Consequentemente, Kubrick adoptou um novo método de trabalho - improvisava no local das filmagens com os actores e criava cenas em vez de se basear em exclusivo no guião. Nas cenas em que não havia diálogos, Kubrick punha música adequada ao ambiente, como na época dos filmes mudos, para transmitir a emoção da cena.

A falta de liberdade de que Kubrick se queixava (e com razão), é, paradoxalmente, o tema que “Spartacus” aborda. E nenhum filme sobre esse princípio fundamental dos direitos humanos pode ser encarado de ânimo leve. Sobretudo se se trata de um filme que se eleva acima do ponto de vista liberal para entrar numa concepção mais crítica das relações sociais, estruturando-se numa abordagem popular da famosa revolta dos gladiadores (a mais importante rebelião de escravos de que há memória desde a antiguidade), que divulga, de um modo algo rudimentar, o esquema marxista da luta de classes. Nota-se bem que muitas das preocupações de Kubrick passaram pela tentativa de transformação do guião e da história original. Um exemplo: quer no livro de Fast quer no argumento de Trumbo, Spartacus morre em combate e de seguida é crucificado. O que fez Kubrick? Teve aquela ideia brilhante (e cruel) do duelo final, em que Antoninus e Spartacus se degladiam até à morte, tentando cada um deles levar de vencida o opositor, para desse modo o poupar ao terrível suplício da cruz.


O enredo de “Spartacus” assenta numa dezena de personagens principais que se destacam das massas, na oposição entre o Senado romano de um lado e o universo dos escravos rebeldes do outro. De salientar que a evasão e a revolta dos gladiadores é utilizada pelos expoentes do poder em Roma para lutarem entre eles, e desse modo assegurarem o controlo dos destinos do Estado, em jogos de bastidores e intrigas, afinal os contornos habituais de qualquer disputa pelo poder. A vitória acaba por sorrir a Crasso (Laurence Olivier) no confronto shakespeariano que mantém ao longo do filme com Graco (Charles Laughton), mas é uma vitória um pouco amarga pois não consegue atingir o objectivo principal que é o do aniquilamento da ideia da revolta e da liberdade: «I wasn’t afraid of Spartacus when I fought him, because I knew he could be beaten. But now I fear him, even more than I fear you, dear Caesar.»

O interesse político de "Spartacus" assenta na sua base revolucionária, formulada numa estruturação histórica própria - o confronto de duas mentalidades totalmente incompatíveis e incomunicáveis: a dos escravos, que se vai estruturando entre as coordenadas da vingança e da liberdade, com problemáticas de ordem e organização, e com uma clara visão do perigo da despolitização do movimento subversivo, e a dos patrícios, senadores e militares romanos, incapazes de avaliarem a sublevação dos escravos mais que como uma loucura ou um desespero. Para os romanos, a sua ordem social é “a” ordem social; para eles, não é possível outra forma social ou política avançada. O confronto destas duas mentalidades confere ao filme um novo dramatismo - temático-ideológico -, que compensa, ou pelo menos reduz, o sentimentalismo imperante em várias cenas.

Visualmente, “Spartacus” continua a ser impressionante, sobretudo após ter sido restaurado em 1991, num meticuloso trabalho de Robert A. Harris, que criou um novo negativo em 65 mm, a partir de fragmentos coloridos originais. E é um filme que não se esgota numa primeira visão, existe sempre alguma coisa a ser descoberta em cada retorno. De salientar também a excelência de todas as interpretações da parte de actores que hoje em dia já fazem parte da mitologia do cinema: Sir Laurence Olivier, Charles Laughton (aqui no seu penúltimo filme, o actor viria a falecer no dia 15 de Dezembro de 1962, com 63 anos), Peter Ustinov, Jean Simmons, Tony Curtis, John Gavin para além de Kirk Douglas, claro. Kubrick, apesar de aqui não ter tido a faca e o queijo na mão, e por isso ter sido obrigado, forçosamente, a ceder a algumas pressões, soube utilizar toda a largura do grande écran para comunicar com o público de um modo espectacular, conseguindo uma obra adulta, de inegável interesse, baseada num dramatismo chocante e realizada com grande força expressiva. "Spartacus" permanece como um dos cantos à liberdade mais ardentes e menos superficiais do cinema made in USA.

CURIOSIDADES:

- O som da multidão a gritar o nome de Spartacus foi gravado durante um jogo de futebol americano em 1959, no Spartan Stadium, propriedade da Universidade de Michigan

- Diversas cenas entre Peter Ustinov e Charles Laughton foram re-escritas pelo primeiro, devido a Laughton não ter gostado das constantes no guião original

- Ingrid Bergman, Jeanne Moreau e Elsa Martinelli rejeitaram todas elas o papel de Varínia. Jean Simmons foi escolhida pelo próprio Stanley Kubrick, apesar da pronúncia britânica da actriz (que os produtores queriam ser exclusiva dos intérpretes de personagens romanos)

- A versão original incluía uma cena nos banhos romanos em que Crasso (Laurence Olivier) tenta seduzir Antoninus (Tony Curtis), através de alusões eróticas à diferenciação entre ostras e caracóis. A "Liga de Decência Americana" acabaria por conseguir retirar essa cena da montagem final a ser exibida comercialmente. Na restauração levada a cabo em 1991 a cena foi reposta, mas parte dos diálogos tinham-se perdido. Tony Curtis concordou em gravar de novo a sua parte mas devido a Laurence Olivier já ter falecido, foi o actor britânico Anthony Hopkins que acedeu a gravar as falas do seu compatriota (o seu nome aparece por isso nos créditos da versão restaurada)

- O argumentista Dalton Trumbo queria que a Universal contratasse Orson Welles para o papel do pirata Tigranes Levantus. Mas foi o actor Herbert Lom (célebre pela sua personagem de chefe de polícia na série de filmes da Pantera Cor-de-Rosa) que acabou por desempenhar aquele pequeno papel


- Conta-se que durante as filmagens Tony Curtis teria desabafado com Jean Simmons: «Who do I have to screw to get off this film?»; ao que a actriz teria respondido: «When you find out, let me know»

- Em Junho de 2008, o American Film Institute classificou “Spartacus” no 5º lugar da lista dos melhores épicos de sempre

- John Wayne e Hedda Hopper, figuras conotadas com a ala direitista de Hollywood, apressaram-se desde logo a adjectivar o filme de “propaganda marxista”, mesmo antes do mesmo se estrear nas salas americanas (o nome de Dalton Trumbo teria sido o suficiente para despoletar tal atitude)

- Mais tarde Kirk Douglas viria a admitir que a razão principal pela qual se tinha envolvido no projecto de “Spartacus” fora o facto do realizador William Wyler o não ter aceite para desempenhar o papel de Ben-Hur (e mesmo o de Messala), na super-produção de 1959.

- A versão restaurada de 1991 contém exactamente mais 4 minutos de filme do que a versão original exibida nas salas de cinema em 1960. Dois desses minutos dizem respeito à cena já referida entre Olivier e Curtis (cortada na altura) e os restantes dois minutos são de pequenos excertos mais violentos de algumas sequências: a morte de Draba (com o corte no pescoço feito por Crassos) ou a amputação do braço de um soldado durante a batalha, por exemplo. O restante tempo, cerca de 9 minutos, foi usado na Overture, Entr’acte e Exit Music.

- “Spartacus” ganhou 4 Óscares da Academia (Cinematografia, Direcção Artística e Cenários, Guarda-Roupa e Actor Sendário – Peter Ustinov). Foi ainda nomeado nas categorias de Música e Montagem. Ganhou também o Globo de Ouro para o melhor filme-drama (mais 5 nomeações: Actor dramático – Laurence Olivier, Realização, Música Original e Actores Secundários – Peter Ustinov e Woody Strode)