quarta-feira, outubro 16, 2013

MOTHER'S DAY (1980)

O DIA DA MÃE
Um Filme de CHARLES KAUFMAN


Com Nancy Hendrickson, Deborah Luce, Tiana Pierce, Holden McGuire, Billy Ray McQuade, Rose Ross, etc.


EUA / 98 min / COR / 16X9 (1.85:1)


Estreia nos EUA a 15/9/1980
Estreia em PORTUGAL a 17/6/1983
(Lisboa, cinema Eden)

Abbey: «Jackie, everywhere you turned in life you got shit.
Well now we'll do the fighting back for you»

“Mother’s Day” esteve muito bem acompanhado logo na 2ª edição do Fantasporto, em 1983: “Blade Runner” (Tony Scott), “Possession” (Andrzej Zulawski), “A Casa do Cemitério” (Lucio Fulci), “Stalker” (Andrei Tarkovski), ou “Les Fantômes du Chapelier” (Claude Chabrol), eram alguns dos filmes a concurso. Não ganhou, é certo (o vencedor nesse ano foi o “Scanners” do David Cronenberg), nem sequer o merecia (com tantos colegas ilustres), mas a verdade é que se tornou rapidamente num filme de culto, hoje em dia muito pouco visto ou conhecido. 

O prólogo de “Mother’s Day” mostra-nos uma daquelas sessões de convivência beata, onde toda a gente se beija e abraça, para gáudio do promotor do espectáculo, que assim irá conseguir meter mais umas centenas de dólares ao bolso. No final da sessão, um casal de jovens hippies aceita boleia de uma simpática velhota, planeando roubá-la e eventualmente assassiná-la. Só que o feitiço se vira contra o feiticeiro, e após o aparecimento em cena dos simpáticos filhos da idosa os acontecimentos precipitam-se e são os jovens que acabam degolados no meio da floresta de New Jersey. Segue-se o genérico inicial e somos então apresentados a um trio de amigas, Abbey (Nancy Hendrickson), Jackie (Deborah Luce) e Trina (Tiana Pierce) ex-universitárias, que uma vez por ano se reúnem para passarem um fim-de-semana no campo. E já se está mesmo a ver qual o local escolhido para o novo encontro...


Resumindo, as três amigas são sequestradas pelos filhos da mamã que levam as suas novas presas para o lar, doce lar (uma cabana no meio da floresta), onde os aguarda a matriarca, pronta a presidir a mais uma sessão de jogos e divertimentos, para desanuviar a monotonia dos seus rebentos. Quando as meninas procuram fugir, sem sequer se despedirem dos seus amáveis anfitriões, é que tudo se precipita. Uma delas não resiste a tanta excitação e acaba mesmo por morrer, após ser violada. E as outras duas resolvem então vingar-se e regressar à casa para um ajuste de contas final.

Incluindo-se no género de terror gore, “Mother’s Day” subverte-o completamente através de um humor bem negro. A originalidade do filme é tentar conciliar aspectos característicos desse género, mas em locais e com funções totalmente diversas. Em lugar de serem os elementos tradicionalmente “puros” a serem ameaçados pelo mal, o mal é aqui identificado com os valores mais sacralizados: a Mãe (Rose Ross), os filhos (Holden McGuire e Billy Ray McQuade) que a procuram “honrar” o melhor que sabem, a família, em suma. Uma ideia na verdade bem divertida, onde a engenhosidade do argumento – escrito pelo próprio Kaufman – tira o melhor partido de um elenco sem nomes sonantes e de uma equipa técnica mais ou menos vulgar. Para os fans de “The Texas Chainsaw Massacre” (1974) este “Mother’s Day” constitui uma variante bem mais divertida do que o clássico de Tobe Hooper.



3 comentários:

Anónimo disse...

O que este filme tem de melhor é o poster original, simplesmente magnífico. De resto é tudo grotesco em demasia.

José Morais disse...

Continua cheio de surpresas este Rato Cinéfilo. E em todos os géneros. Mas é essa variedade que faz o encanto do cinema, não é?
Nunca vi este "Mother's Day", mas como sou adepto de emoções fortes (nem que sejam levadas a sorrir, como parece ser o caso), vou já fazer o download. Thanks!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Esse é uma surpresa pra mim...

O Falcão Maltês