quinta-feira, fevereiro 24, 2011

AND THE WINNER TAKES IT ALL!

Sempre que se aproxima uma atribuição dos Óscares pela Academia de Hollywood repete-se o mesmo frenesim, um pouco por toda a parte, como se o cinema começasse e acabasse naquele único momento. Faz tempo que eu ficava acordado madrugada fora para assistir à cerimónia integral dos Óscares. Mas já me deixei disso há vários anos - é que o lado "feira de vaidades" da coisa tem vindo a sobrepôr-se ao lado cinéfilo e sinceramente, esgotou-se-me a paciência. Reconheço o valor do prémio - quanto mais não seja pela sua antiguidade - mas acho que se fala demais. Basta dar uma vista de olhos aí por alguns blogues e o assunto chega mesmo a cansar, tão repetitivo ele se torna. Todo o bloguista que se preze faz as suas apostas, diz das suas preferências, quase sempre com várias semanas de antecedência do “histórico” momento. A Academia deve esfregar as mãos de contente ao constatar tanta publicidade gratuita por essa blogosfera fora. Mas o mais importante quase ninguém refere - é que existem outros prémios no mundo do cinema, de interesse semelhante e que provavelmente não cometem tantas injustiças como as que sempre me lembro de ver nos Óscares. Até os Globos de Ouro, dentro da mesma linha, conseguem ser mais criteriosos. E este ano, como sempre, não foge à regra - dois dos melhores filmes estreados em 2010, "Hereafter" do Eastwood e "The Shutter Island" do Scorsese são tratados abaixo de cão. O primeiro tem apenas uma nomeação - imagine-se! - na categoria de efeitos especiais (só podem estar a gozar ao realçarem esse aspecto do filme). O segundo, então, é pura e simplesmente ignorado. Aliás, quem se der ao trabalho de fazer uma simples pesquisa pela história dos Óscares, verificará certamente que ao longo dos anos os melhores filmes produzidos em Hollywood têm ficado quase sempre de fora.

É por isso que eu nunca atribuí grande importância a esses eventos, Óscares ou quaisquer outros. Valem o que valem, poderão servir de referência, mas nada mais do que isso. Porque em última análise só os premiados lucram (em fugaz notoriedade mas sobretudo monetariamente) alguma coisa com isso. E todos sabemos como funcionam os lobbies, sobretudo em Hollywood. Basta puxarmos um pouco o filme atrás e lembrarmo-nos de alguns nomes nunca agraciados pela Academia. Cito apenas os casos mais flagrantes: Charles Chaplin, Orson Welles, Alfred Hitchcock, Ernst Lubitsch, Howard Hawks, King Vidor, Josef Von Sternberg, Sidney Lumet, Fritz Lang, Stanley Kubrick, Arthur Penn, David Lynch são alguns das muitas dezenas de realizadores de eleição que nunca viram um filme seu ser premiado com uma estatueta dourada. No campo dos actores, então, o esquecimento é ainda mais exemplar: Charles Chaplin, Greta Garbo, Lillian Gish, Cary Grant, Barbara Stanwyck, Montgomery Clift, James Dean, Gene Tierney, Peter O’Toole, Richard Burton, Natalie Wood, Steve McQueen, Peter Sellers, John Malkovich, Julianne Moore, Alan Bates..., a lista é infindável. Alguém, no seu perfeito juízo, concebe o cinema sem os filmes da grande maioria destes nomes? E atenção que só falo em nomes passíveis de serem eleitos pela Academia - é que, convém lembrar aos esquecidos e aos fanáticos dos Óscares -  existe e sempre existiu muito mais cinema para lá das muralhas de Hollywood. Felizmente que a história de todo esse Cinema não se confunde com a história de uma qualquer Academia. E o Tempo será sempre, mas sempre, o Juiz Supremo!

5 comentários:

Billy Rider disse...

Na verdade só os incautos ou os de fácil deslumbramento é que se deixam enganar pelo valor cinematográfico de um galardão como o Oscar, que maioritariamente reflecte apenas o poder das produtoras dos filmes.

Álvaro Martins disse...

Pois é Rato, espero que esses anos de que falas sejam tipo (pelo menos) vinte ou trinta anos, sei lá.. por aí, é que eu já por volta de dez anos (pelo menos) que me dei conta disso eheh, e visto eu ser muito mas muito mais novo do que tu eheh =P

Rato disse...

O tempo das ilusões já lá vai mesmo há muuuiiitos anos. Mas à falta de melhor sempre ia vendo a festarola. Agora nem isso, é que não há mesmo pachorra para tudo aquilo.

Álvaro Martins disse...

Viva Cannes, viva o Berlinale, viva Veneza, o Sundance...

José Luís disse...

Completamente de acordo com o teu artigo sobre os "Oscars".