sexta-feira, setembro 17, 2010

BIO-FILMO: ELIA KAZAN

Nascido a 7 de Setembro de 1909 em Constantinople (Istanbul), Turquia
Falecido a 28 de Setembro de 2003 em New York, EUA





"I do not hate you at all. You are simply not of my kind.
You had the choice, my dear fellow, between nobility and a career.
You made your choice. Be happy with it, but leave me in peace."
("Mephisto", Klaus Mann)

Estas palavras podiam definir a vida de Elia Kazan, uma aposta na sua carreira pessoal em detrimento da sua imagem como homem. A opção foi tomada em 10 de Abril de 1952, quando Kazan traiu todo o seu passado político denunciando como comunistas oito dos seus antigos companheiros, além de diversos funcionários do partido comunista, ao qual ele próprio tinha pertencido durante os anos 30. Esse testemunho, além de destruir as vidas e carreiras dos acusados, ajudou a consolidar a “lista negra” de Hollywood e a prolongar o efeito nefasto da Comissão de actividades anti norte-americanas. A sua carreira continuou assim normalmente, sem percalços, quer no cinema quer no teatro.
Com Arthur Miller em 1949
Mas a sua atitude nunca foi esquecida . Por isso, quase cinquenta anos depois, quando a Academia resolveu atribuir-lhe um Oscar honorário durante a cerimónia anual em 1999 (ocorrida a 21 de Março), grande parte da assistência recusou levantar-se e aplaudir o realizador. Gregory Peck, que de uma maneira algo relutante lhe entregou o troféu, disse nessa altura que «o trabalho de um homem deveria ser separado da sua vida pessoal». Devido a tal hostilidade por parte dos seus pares Kazan, constrangido, apenas conseguiu balbuciar algumas palavras de agradecimento antes de abandonar o palco. A sua carreira tinha recebido o reconhecimento que artisticamente merecia mas o preço pago fora alto demais...
Com Marlon Brando em 1954
 Como contribuição para a história do Cinema irão permanecer alguns filmes-chave da cinematografia norte-americana: “A Streetcar Named Desire” (1951), “On the Waterfront” (1954), “East of Eden” (1955), “Baby Doll” (1956), “Splendor in the Grass” (1961), “America, America” (1963), “The Arrangement” (1969) ou ainda “The Last Tycoon” (1976). Nomeado cinco vezes para o Oscar de melhor realizador viria a ganhar a ambicionada estatueta por duas vezes: em 1948 (por “Gentleman’s Agreement”) e em 1955 (por “On the Waterfront”).
Com Warren Beatty em 1961
Kazan foi um daqueles cineastas cujo itinerário espiritual se reflectiu profundamente na sua obra. E as contradições com que se debateu ao longo de toda a sua vida projectaram-se inequivocamente nos seus filmes. Excelente director de actores (foi essa uma das suas imagens de marca), fundou em 1947 o Actor’s Studio (em cuja direcção se manteve até 1962), juntamente com Lee Strasberg e Cherryl Crawford. Inspirado nos métodos de Konstantin Stanislavski para a formação de actores, por lá passaram quase todos os grandes nomes do cinema americano a partir dos anos 50. Kazan era filho de emigrantes greco-arménicos, e tinha 4 anos quando em 1913 a família pisou solo americano pela primeira vez.
Com Ingrid Boulting e Robert De Niro em 1976

FILMOGRAFIA:

1976 – The Last Tycoon / O Grande Magnate
1972 – The Visitors / Os Visitantes
1969 – The Arrangement / O Compromisso
1963 – America, America
1961 – Splendor in the Grass / Esplendor na Relva
1960 – Wild River / Quando o Rio Se Enfurece
1957 – A Face in the Crowd / Um Rosto na Multidão
1956 – Baby Doll / A Voz do Desejo
1955 – East of Eden / A Leste do Paraíso
1954 – On the Waterfront / Há Lodo no Cais
1953 – Man on a Tightrope / Salto Mortal
1952 – Viva Zapata!
1951 – A Streetcar Named Desire / Um Eléctrico Chamado Desejo
1950 – Panic in the Streets / Pânico nas Ruas
1949 – Pinky / Herança Cruel
1947 – Gentleman’s Agreement / A Luz é Para Todos
1947 – Boomerang! / Crime Sem Castigo
1947 – The Sea of Grass / Terra de Ambições
1945 – A Tree Grows in Brooklyn / Laços Humanos

2 comentários:

Billy Rider disse...

É verdade, o homem foi um "fucking bastard" como colega mas deu ao Cinema filmes eternos e fabulosos, como se pode constatar aí na biografia.

nowhereman disse...

Há sobretudo duas obras-primas absolutas e rigorosamente obrigatórias: "East of Eden" e "Splendor in the Grass". Na filmografia restante continua a existir muito bom cinema, claro, mas não atingem a arte sublime daqueles dois títulos.
Por todos os filmes que o Sr. Kazan me deu a ver já há muito que lhe perdoei as fraquezas humanas. Até porque houve outros delatores que nem artisticamente fizeram qualquer coisa de jeito. Por exemplo o "Duke" Wayne, que nunca passou da mediocridade e que até morreu convencido da razão dos seus ideais e comportamentos.