terça-feira, setembro 13, 2011

BANANAS (1971)

BANANAS
Um filme de WOODY ALLEN




Com Woody Allen, Louise Lasser, Carlos Montalban, Natividad Abascal, Jacobo Morales, Miguel Suarez, David Ortiz, Sylvester Stallone

EUA / 82 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 28/4/1971 (New York)
Estreia em MOÇAMBIQUE a 8/9/1972
(LM, teatro Gil Vicente)


Esposito: «From this day on, the official language of San Marcos will be Swedish. Silence! In addition to that, all citizens will be required to change their underwear every half-hour. Underwear will be worn on the outside so we can check. Furthermore, all children under 16 years old are now... 16 years old!»

Desde o início da sua carreira que Woody Allen nos habituou a vê-lo em várias funções no cinema - como argumentista, como actor, como realizador. Por esta ordem, atendendo a que só depois de ser actor é que dirigiu um filme e porque foi pela escrita que ele começou o seu brilhante trajecto, quando logo aos 17 anos começou a idealizar gags para alguns dos cómicos da época: Sid Caesar, Garry Moore, Sid Corney, tornando-se rapidamente um dos nomes mais importantes do show business e da TV americana. Foi o autor ainda de algumas peças de teatro (mais tarde adaptadas ao cinema), sendo também conhecido por alguns livros e discos humorísticos. A primeira contribuição para o cinema, dá-se em 1965 (no filme “What’s New Pussycat”, de Clive Donner – como argumentista e actor), tendo continuação dois anos depois nos filmes “Casino Royale” (colaborou no argumento, embora não creditado) e “What’s Up Tiger Lily?” (adaptação de um filme de espionagem japonês). 1969 é o ano em que pela primeira vez é o responsável total: pelo argumento, pela realização e como intérprete. O filme chamou-se “Take The Money and Run” e marcou o início do contacto de Woody Allen com o público cinéfilo.

Durante meia dúzia de anos, Allen iria comportar-se como um agricultor que lança as sementes à terra. “Bananas” (1971), “Play It Again, Sam” (1972), “Everything You Always Wanted To Know About Sex, But Were Afraid To Ask” (1972), “Sleeper” (1973) e “Love And Death” (1975), para além do primeiro filme, foram os campos que receberam as ideias, os gags, os tiques de um artista que nunca mais abandonaria as lides cinematográficas. Como sabemos hoje, mais de 40 anos passados, aquelas terras virgens tornar-se-iam extremamente férteis, tendo a primeira grande colheita sido feita logo em 1977, quando “Annie Hall” se estreou.

De todo este seu período inicial, o filme que mais se aproxima de “Annie Hall” é talvez “Play It Again, Sam”, onde, curiosamente, Allen não assina a realização (que esteve a cargo de Herbert Ross), mas no qual a sua imagem de marca se faz sentir fortemente, quer pela autoria do argumento (segundo a sua própria peça) quer pela inesquecível interpretação do herói que sonhava com Humphrey Bogart. Mas hoje quero recordar este seu segundo filme, “Bananas”, que foi um dos grandes responsáveis pela notoriedade que Allen passou a usufruir nos quatro cantos do mundo. Para a grande maioria do público foi mesmo o primeiro contacto com este judeu nova-iorquino, de seu nome completo, Allen Stewart Konisgsberg, nascido em Brooklyn, a 1 de Dezembro de 1935.


Com um orçamento de 2 milhões de dólares, “Bananas” inicia-se com uma reportagem em directo da República de San Marcos, sobre o anunciado assassínio do presidente em funções: «Good afternoon. Wide World of Sports is in the little republic of San Marcos where we're going to bring you a live, on the spot assassination. They're going to kill the president of this lovely Latin American country and replace him with a military dictatorship. And everybody is about as excited and tense as can be. The weather on this Sunday afternoon is perfect; and if you've just joined us, we've seen a series of colorful riots that started with the traditional bombing of the American embassy - a ritual as old as the city itself.»  Ou seja, logo nos primeiros minutos do filme estão lançados os dados para uma comédia subversiva, com muito nonsense à mistura, à boa maneira do humor delirante de uns Marx Brothers.

Aliás, de todos os cómicos emergentes no final dos anos 60, Woody Allen era aquele que mais se aproximava do humor de Groucho Marx. E que utilizava melhor o diálogo nesse sentido, soltando réplicas repentistas que liquidavam o interlocutor pela lógica e pela agressividade. Neste início de carreira Allen não tinha já qualquer problema em assumir as suas origens, usando o riso como uma espécie de exorcismo para controlar uma realidade que lhe escapa. Kafka demonstrou-o na literatura. Woody Allen repete-o em cada filme seu. Albert Memmi, um outro judeu lúcido, escreveu: «Quando o revoltado não pode revoltar-se, ri.» É isso que Allen faz. Inventa a ironia para desarmar a adversidade, antecipa a crítica pela auto-crítica, expondo-se tal como é (ambições e desejos, mesmo os mais íntimos) perante a câmara que ele próprio vai orientando.

Woody Allen gosta de fazer cinema e gosta de fazer rir. Olha para a sociedade que o rodeia, arranca-lhe os podres, toca-lhe nos pontos fracos, destrói-lhe a camada de verniz que a cobre, e atira-a para a tela, com o ar truculento e brincalhão dum menino que, com a maior das inocências, desmanchou a telefonia do pai, só para ver como era. O resultado é quase sempre pouco cerimonioso, Allen diz o que tem a dizer sem papas na língua. Mostra o que tem a mostrar sem filtros nas lentes. E sabe muito bem que o burlesco, quando verdadeiramente burlesco, é duma agressividade feroz e acerada que não perdoa.

Nunca teve o génio de um Chaplin ou de um Bergman, mas reconheceu-o sempre, ao elogiar sem reservas todos os seus ídolos, ao longo dos anos e no decurso de muitas entrevistas e escritos. E a prestar-lhes os devidos tributos, como não se coíbe de o fazer neste seu segundo filme. Como por exemplo a Eisenstein (um carrinho de bébé a descer umas escadarias, tal como no “Couraçado Potiemkin”) Keaton (a cena das execuções em série) , Bergman (o sonho descrito na psiquiatra, com conotações óbvias a “Wild Strawberries”) ou a Chaplin: as sequências da experimentação dos novos dispositivos nos locais de trabalho e a liderança de um grupo de religiosos com a chave de porcas em cruz (alusões directas a “Modern Times”).

Mas para lá destes piscar de olhos aos clássicos, os gags são o elemento fulcral de “Bananas”, acumulando-se ao longo dos 82 minutos de duração do filme: a compra das revistas pornográficas, a ajuda eficaz ao parqueamento de um carro, a pequena orquestra de cordas a acompanhar o jantar que toca sem instrumentos, os preparativos para a sedução de Nancy (Louise Lasser, actriz acabada nessa altura de se divorciar de Allen), os treinos de guerrilha, toda a sequência do tribunal, a publicidade na igreja de uma nova marca de cigarros, o “Novo Testamento” («eu fumo», diz o padre. E acrescenta: «e Ele também!»), que originou um voto de protesto da Igreja católica sobre o filme, ou ainda a última reportagem em directo sobre a noite de núpcias do casal, a evocar certamente o bed-in de John e Yoko em Amsterdam alguns anos antes.

“Bananas” é uma comédia hilariante, que poderá parecer datada aqui ou ali, mas que continua a divertir-nos porque, no fim de contas, o mundo não mudou assim tanto. E as repúblicas das bananas, chefiadas por pequenos ditadores, continuam a existir, um pouco por todo o lado. Além disso é um filme-charneira, tremendamente inovador, que influenciou muitos realizadores das décadas subsequentes, nomeadamente Mel Brooks, Jim Abrahams e David Zucker, herdeiros legítimos deste humor absurdo e delirante mas extremamente eficaz. E que nos continua a fazer muito felizes.

CURIOSIDADES:

- Numa entrevista da época perguntaram a Woody Allen qual a razão do título do filme. A resposta foi: «chama-se “Bananas” por não existirem bananas nele»

- A grande maioria das cenas foram todas improvisadas.

- O facto de não aparecer uma gota de sangue no filme, mesmo nas cenas das execuções, foi deliberado e intencional, devido a Allen ter pretendido manter um tom de farsa em todo o filme

- A sequência dos músicos a tocarem mimicamente ficou a dever-se aos instrumentos encomendados não terem sido entregues a tempo e horas. Allen não pensou duas vezes e filmou toda a cena sem os instrumentos.

- O actor Sylvester Stallone pode ser visto no papel de um deliquente que juntamente com outro atacam Allen no metropolitano.


segunda-feira, setembro 12, 2011

THE WARD (2010)

O HOSPÍCIO
Um filme de JOHN CARPENTER







Com Amber Heard, Mamie Gummer, Danielle Panabaker, Laura-Leigh, Lyndsy Fonseca, Jared Harris, Sydney Sweeney

EUA / 88 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia no CANADÁ a 13/9/2010
(Festival Internacional de Toronto)
Estreia na GRÃ-BRETANHA a 21/1/2011
Estreia em PORTUGAL a 8/9/2011


Dr. Stringer: «What's the first thing you remember?»
Kristen: «Fire»

Nove anos – o período que intervala a estreia das últimas duas longa-metragens de John Carpenter (este “The Ward”, no Festival de Toronto do ano passado,  e “Ghosts From Mars” no Verão de 2001) – é tempo demais, mesmo que durante todos os anos noventa o seu cinema tenha estado longe do brilhantismo conseguido nas décadas anteriores (a última grande obra de Carpenter data de 1988 e chamou-se “They Live”). Pelo meio ficaram apenas dois filmes para a série televisiva “Masters of Horror”: os episódios “Cigarette Burns” (2005) e “Pro-Life” (2006).

Por isso a impaciência não me deixou esperar por Outubro (mês em que se anuncia a edição europeia em DVD e Blu-Ray) e ontem, ao fim da tarde, rumei até Lisboa para ver o filme numa sala da capital. Tratou-se de uma atitude muito pouco usual em mim, atendendo a que há muito tempo que perdi a paciência para ver cinema num espaço público. Mas desta vez os índios não eram muitos, estavam mais ou menos pacíficos, e deixaram-me ver o filme em relativa calma e sossego.

Valeu a pena o sacrifício? Relativamente: não saí eufórico da sala (longe disso) mas também não dei o tempo por perdido. “The Ward” vê-se bem, sobretudo para os fanáticos do género (sim, sou um deles e sem cura possível), apesar de não apresentar nada de original e, pelo contrário, percorrer muitos dos clichés do filme de terror. Tudo o que “The Ward” mostra já estamos fartinhos de ver noutros filmes. Nem sequer falta o twist final (apenas uma semi-surpresa, visto ser facilmente adivinhada a partir do meio do filme), que o aproxima muito descaradamente de “Shutter Island”, de Scorsese, mas sem a classe deste. Ou o inevitável arrepio-final, moda lançada pela obra-prima de Brian DePalma (“Carrie”),  e que desde então não há filme de terror que se preze que não recorra a esse artifício final. Mesmo que o faça de forma perfeitamente gratuita, como é o caso aqui.


O que resta é uma mise-en-scène perfeita (único contributo reconhecível de Carpenter, que desta vez não é responsável pela música, como tantas vezes sucedeu no passado), uma fotografia a realçar convenientemente todo o clima claustrofóbico da clínica onde se passa a grande parte da história (apesar de alguns escuros demasiado acentuados), uma jovem actriz muito sensual (Amber Heard, na beleza dos seus 24 anos e bem rodeada por um elenco maioritariamente feminino) e sobretudo um delicioso momento musical ao som de “Run Baby Run (Back Into My Arms)”, o hit original dos Newbeats (escrito por Joe Melton e Don Gant) de 1965, recriado posteriormente por Roy Orbison e The Tremeloes (e que muito boa gente da minha geração irá redescobrir nas suas memórias musicais). Mas a frase incluída nos posters do filme - “Carpenter proves he is still the master of shock” - não contem, obviamente, qualquer ponta de verdade - o “master” há mais de 20 anos que foi de férias e ainda não foi desta que regressou ao convívio de todos os seus fans de outros tempos.




domingo, setembro 11, 2011

ENTREVISTA COM ELI ROTH


«Os filmes de terror não geram violência, são terapêuticos»


Nascido em Boston, em 1972, Eli Roth foi apelidado pela criti­ca de "inventor do torture porn", uma modalidade do ci­nema de terror independente hard, e agrupado no chamado splatter pack, um grupo de realizadores da sua geração e que fazem filmes de choque semelhantes aos seus, caso de Rob Zombie, James Wan, Leigh Whannell e Neil Marshall. Um rótulo liminar­mente rejeitado por este realizador de espírito independente e "apadrinhado" por Quentin Tarantino, que lhe deu um dos papéis principais em “Sacanas Sem Lei” (2009). Também argu­mentista, produtor e actor, Roth gosta de cinema de ani­mação (fez e deu voz a duas sé­ries de televisão animadas) e foi colaborador de David Lynch. «Estou pronto para vol­tar a realizar um filme em breve», disse ao DN. Mas não será a adaptação de “Chamada para a Morte”, de Stephen King, como correu há algum tempo.
- Quando decidiu que queria ser realizador, decidiu logo também que queria fazer filmes de terror?
- Eu queria fazer todo o tipo de fil­mes, mas soube logo que queria fazer filmes de terror, os meus fa­voritos de sempre. Também gos­tava de animação, do Bugs Bunny e de filmes como “O Submarino Amarelo”. Sempre gostei de dese­nhar e pintar, e a minha mãe é pin­tora. Quando era miúdo, passava o tempo a desenhar e a pintar. Nessa altura, os filmes de terror eram uma coisa proibida. Não havia vídeos, não havia cabo e nunca passavam na televisão, porque eram muito violentos. Estavam envoltos numa aura de mistério, ouvíamos os ir­mãos mais velhos descrevê-los. Foi “Alien, O Oitavo Passageiro” que me fez querer ser realizador. E também “Guerra das Estrelas”, e “Tubarão”.

 - Por causa de filmes como “Hostel” e “Hostel 2”, a crítica pôs-lhe o ró­tulo de "inventor do torture porn", um subgénero do cinema de ter­ror em que as personagens são horrivel e graficamente tortura­das. O que pensa deste rótulo?
- Acho que é ridículo. Mas quando fazemos um filme que mexe com as pessoas, não podemos ficar sur­preendidos se nos metem numa caixa. Eu queria fazer um filme que acordasse as pessoas, que as cho­casse e as pusesse a falar e a discu­tir a violência. Tal como o George Romero e o Tobe Hooper fizeram nos anos 70, eu pretendi fazer um filme que pudesse ser visto repetidas vezes, e discutido a vários níveis. Essa rotulação não passa de uma maneira fácil de me meter, e ao filme, num ghetto, e de o menosprezar. Os fãs não usam esse termo. Um crítico que o usa é logo visto como uma pessoa que não gosta deste tipo de filmes, e não ligam à opiníão dele.
- Aliás, isso é ignorar que o cinema de terror tem uma longa tradição de abordagem da violência, e que tem evoluído com o tempo.
- Exacto. Olhem para os quadros de Bosch ou de Goya. Chamariam a isso arte pornográfica? Um filme como “Hostel” é, para mim, mais um passo na evolução do género e fico lisonjeado que as pessoas falem tanto sobre ele. Eu não quis neces­sariamente ser mais violento do que qualquer outro realizador antes de mim, quis foi abordar a violência de uma nova maneira.

- Também tem produzido filmes de terror tradicionais, como “O Último  Exorcismo”, e agora uma fita de artes marciais com o Russell Crowe, “The Man with the Iron Fists”, realizado pelo RZA.
- Quero mostrar às pessoas que sou mais do que um realizador meti­do numa caixa e rotulado, apenas associado à tortura e à violência. E faço-o com filmes como esses.
- Os mestres do terror costumam ser realizadores independentes. Rodou os seus filmes neste siste­ma de produção. É um requisito necessário para fazer cinema de terror que fuja à rotina, às nor­mas e à censura dos estúdios?
- Ajuda sempre ser independente, porque mantém a pureza. Nós sentimos logo quando um filme é fabricado por um estúdio. O studio system funciona bem para certo tipo de filmes, mas o cinema de terror tem que ser perigoso, tem que forçar a nota. Tem que mostrar o impensável, o que não se pode fazer. Veja “A Última Casa à Esquerda": é um filme assustador porque a cena de violação é horri­velmente realista, até o próprio violador se sente incomodado de­pois. O remake do estúdio é poli­ticamente correcto, mas a certa al­tura, por nenhuma razão, mostra os seios da rapariga, o que ainda é mais gratuito do que a violação do filme original. E o elemento de transgressão foi eliminado. Os me­lhores filmes de terror recentes são independentes. Olhe, o “Actividade Paranormal”, por exemplo, safou­ -se de não se estrear por causa do lobby dos fãs, porque não o queriam distribuir. Mas já o remake de “Veio do Outro Mundo”, do John Carpenter, é um bom filme de ter­ror de estúdio, e custou 50 milhões de dólares, um orçamento impen­sável para um independente. Os estúdios também podem fazer bons filmes de terror. Tudo depen­de do tema. Se é FC e monstros, os estúdios alinham. Se mete huma­nos, violência e tortura, vai melhor com os independentes.

- Disse numa entrevista que «os fil­mes violentos não geram violên­cia nem incitam a ela». E é verda­de. Mas esse mito tolo persiste. Porquê?
Claro! Há estudos feitos por uni­versidades sobre isso, que mos­tram que os índices de violência diminuem sempre que se estreiam filmes violentos. As pessoas vio­lentas estão todas no cinema [risos]. E o mito persiste porque as pessoas não querem aceitar as suas responsabilidades sociais e fazem dos filmes o bode expiatório. É muito mais fácil culpar o cinema. A violência não começou em 1969 com “A Quadrilha Selvagem", do Sam Peckinpah. Os EUA foram fundados com base na violência. A vida é violenta. O que vemos no ci­nema é apenas uma representa­ção da violência. E os filmes de terror têm uma função terapêutica, servem para as pessoas fazerem a catarse dos horrores e da violên­cia da vida real. Os meus filmes re­flectem realidades como Abu Grahib, o uso da tortura pela ad­ministração Bush ou a arrogância dos EUA no mundo pós 11 de Setembro.

(Entrevista de Eurico de Barros, publicada no DN em 11 de Setembro de 2011)

sexta-feira, setembro 09, 2011

PASSATEMPO 4


Para imprimir e testar os vossos conhecimentos...

PERSONAGENS-MISTÉRIO:

A
1 – Actriz norte-americana nascida na Florida, a 14/1/1941
2 – Estreou-se no teatro, na peça "A Man For All Seasons"
3 – Foi casada com Peter Wolf, um dos membros da J. Geils Band
4 – Teve um breve romance com Lenny Bruce, em 1963
5 – Wim Wenders recebeu das mãos dela a Palma de Ouro do Festival de Cannes
6 – Publicou a sua auto-biografia em 1995: "Looking For Gatsby: My Life"
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B
1 – Actriz francesa nascida em Gennevilliers, a 27/6/1955
2 – Estreou-se no cinema com apenas 14 anos
3 – Teve 8 nomeações para os Césares, tendo ganho por 5 vezes
4 – Ao longo da carreira tem desempenhado muitos papeis trágicos, nomeadamente de mulheres com problemas mentais
5 – Tem um filho do actor Daniel Day-Lewis
6 – Teve ligações amorosas com o actor Warren Beatty e o músico Jean-Michel Jarre
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C
1 – Realizador inglês nascido em Londres, a 16/2/1926
2 – Ganhou o Leão de Ouro de Veneza com um documentário
3 – Para além do cinema, dirigiu peças de teatro. musicais e óperas
4 – Foi nomeado para 3 Óscares, tendo ganho apenas 1
5 – Citação: «Estou mais interessado no cobarde do que no héroi; mais no falhanço do que no sucesso»
6 – Homossexual, faleceu na sequência de um ataque cardíaco, a 25/7/2003. Foi o seu companheiro que desligou a máquina à qual se encontrava ligado
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D
1 – Actriz inglesa nascida a 9/5/1936, em Birkenhead
2 – É actualmente membro do Parlamento Inglês
3 – Existe um teatro com o seu nome
4 – Ganhou 2 Óscares, mas nunca esteve presente para os receber
5 – Representou a rainha Elizabeth I, quer no cinema quer na televisão
6 – Terminou a sua carreira artística em 1994
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E
1 – Argumentista e realizador espanhol
2 – Nasceu em Huesca, a 4/1/1932
3 – Tem um filho da actriz Geraldine Chaplin
4 – Era o realizador preferido de Luis Buñuel
5 – Fez vários documentários sobre danças como o tango, o flamenco ou as sevilhanas
6 – Mariza, Camané, Caetano Veloso ou Chico Buarque, foram alguns dos muitos intérpretes que contribuiram para o sucesso do seu filme "Fados"
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RESULTADOS DO PASSATEMPO 3:

PERSONAGENS-MISTÉRIO:

A - DARYL HANNAH
B - JAMES COBURN
C - BIGAS LUNA
D - FRANCO ZEFFIRELLI
E - BRITT EKLAND

AYRTON SENNA

Estreia-se hoje em Portugal - no Festival de Cinema do Douro (Douro Film Harvest) - o tão aguardado documentário sobre a vida do inesquecível piloto brasileiro. Aqui fica o respectivo trailer:

quinta-feira, setembro 08, 2011

BONANZA - COLECÇÃO DE 65 DVD'S (260 episódios)

Mesmo que não se trate da colecção completa (430 episódios, entre 1959 e 1973), esta é uma excelente notícia para todos quantos na sua meninice se deliciaram com esta lendária série televisiva. "Bonanza" começou a ser difundida em Portugal em Maio de 1961, cerca de dois anos após se ter estreado nos Estados Unidos. Tomei contacto com ela apenas em 1964, quando vim de férias a Portugal. Tinha na altura 11 anos e não houve sábado que não tivesse ficado colado à televisão (ainda a preto e branco nessa altura). Muitos dos actores convidados tornar-se-iam mais tarde bastante conhecidos do grande écran. Casos, por exemplo, de Yvonne DeCarlo, Jack Warden, Ida Lupino, James Coburn, Dan Duryea, Ricardo Montalban, Bob Hopkins, Stella Stevens, Leonard Nimoy, Lee Van Cleef, e tantos, tantos outros. Um obrigado portanto ao Planeta DeAgostini, que em boa hora se lembrou de disponibilizar a série para todos os seus inúmeros fans (até agora só tinham aparecido em DVD alguns episódios esporádicos). Fazem-se votos que a breve trecho apareça também nos escaparates outra mítica série dos anos 60: "O Fugitivo", com David Jansen.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Entrevista a WOODY ALLEN: «Gostava de ter sido um grande músico»

Retrato de uma lenda viva na primeira pessoa. Levanta-se às 6.30 horas da manhã, exercita-se numa passadeira rolante, escreve, toca clarinete e vê jogos de basquete. Diz que leva uma vida de classe média. Rodou os últimos filmes na Europa, mas preferia não sair de Nova Iorque. Apesar da sua falta de auto-estima, de que faz prova nos seus filmes, Woody Allen já foi nomeado para mais de 20 Óscares, nas categorias de realizador, produtor e argumentista. A esse sucesso contrapõe o que diz ser uma vida desinteressante e metódica, feita de hábitos peculiares, em que invariavelmente entra o exercício na passadeira rolante, duas horas de escrita e ensaios de clarinete.
E para os tempos livres? Gosta de beber uma cervejinha diante da televisão, em t-shirt, e sai de casa para assistir jogos de basquete. Em “Meia-Noite em Paris” o realizador norte-americano prega-nos uma partida aos disfarçar-se de Owen Wilson e revive a nostalgia da Belle Époque, privando com Hemingway, Dali, Picasso e Buñuel, numa aproximação à “Rosa Púrpura do Cairo” que conta com Marion Cotillard, Rachel McAdams e até a primeira-dama francesa, Carla Bruni. Durante meia hora partilhámos com Woody Allen um mundo que está para lá do ecrã. As suas conversas filsóficas conduzem irremediavelmente à sua crença num derradeiro final inapelável e finito. Mas por que será que nos deixa sempre um sorriso nos lábios?
- Você deve ser um homem muito atarefado. Ainda consegue encontrar tempo para descansar entre os vários projectos que tem em mãos?
- Parece que sou uma pessoa muito ocupada, mas na verdade não sou.

- Não me diga!
- É verdade. Não sou muito ocupado. Durante o ano tenho tempo para fazer o meu filme, para escrever, fazer o casting, realizá-lo e montá-lo. E ainda me resta tempo para tocar com a minha banda, fazer digressões de jazz. Mas também para brincar com os meus filhos, levá-los à escola, fazer os meus exercícios, assistir aos jogos de basquete, ver filmes, passear...Pode parecer que trabalho muito mas não é verdade.

- Como é o seu dia típico?
- Levanto-me de manhã cedo, por volta das 6.30h, levo os miúdos à escola e escrevo. Por volta do meio dia, pratico um pouco de clarinete, e posso ir a um jogo de basquete. No dia seguinte se não me apetecer não escrevo. Mas normalmente apetece-me. Está a ver, não é o mesmo que uma professora ou um médico. Todos os dias têm de estar presentes à mesma hora até ao fim do dia. A minha vida é muito mais preguiçosa.
- A sua família também gosta desta parte de ir aos festivais e ficar fechada num hotel?
- Eles gostam imenso. Sempre que faço um filme em Barcelona, Londres, Paris ou Roma eles podem passar vários meses num hotel e fora de Nova Iorque. Gostam mais do que eu que preferia não sair de lá. Até porque em casa tenho tudo o que preciso. O ar condicionado, os medicamentos, o clarinete. Está tudo ali.

- A verdade é que faz quase uma filme por ano. Trabalhar parece ser quase uma necessidade. Está a ver-se trabalhar quando tiver, por exemplo, a idade de Manoel de Oliveira, que tem 103 anos e ainda muitos projectos para concretizar?
- Isso seria óptimo. Acho que vou continuar a trabalhar até não poder mais ou até deixarem de financiar os meus filmes. Obviamente não tanto quanto o Manoel, pois ele é um fenómeno. Trabalharei enquanto a saúde não me falhar.

- A personagem de Owen Wilson parece estar com uma mulher que não ama. Isso sucede várias vezes nos seus filmes. Acha que por as pessoas não gostarem de estar sózinhas aceitam viver com pessoas que não amam?
- Há uma quantidade enorme de pessoas que têm essa vida. Muitas estão em relações em mesmo em casamentos porque têm medo de estar sózinhas. Preferem o compromisso de um casamento em que estão contentes 20% do tempo e descontentes os outros 80% a não ter ninguém. Se fosse possível acabar com uma relação premindo um botão penso que muitos o fariam mas como é complexo e leva algum tempo, a solidão com companhia acaba por tornar-se mais agradável.
- A personagem de Hemingway diz no filme que o amor de uma grande mulher pode fazer-nos esquecer a morte. É a opinião de Hemingway ou a sua?
- É a de Hemingway.

- Concorda com ele?
- Não, não concordo. Concordo mais com a personagem do poeta [W.H.] Auden, que fala na morte ser o som de uma tempestade ao longe durante um piquenique. Sobre a morte eu tenho uma posição muito concreta: sou contra.

- Mas identifica-se mais com a opinião de Auden?
- É isso que eu sinto. É algo que está sempre lá fora. Mesmo nos melhores momentos. Mesmo nas celebrações, nos casamentos, nos melhores momentos. A morte está lá sempre.

- É o seu maior receio?
- Sim, é o meu maior receio. Não é o seu?
- Mas o Hemingway também diz que «quem não desafiar a morte não poderá escrever nada grandioso»...
- Isso é verdade. A minha cobardia em vida custou-me muito. No meu quotidiano e na minha arte. Se eu fosse mais corajoso e menos cobarde, poderia ter alcançado mais, ido mais longe. Teria escrito melhor e faria melhores filmes. Em geral teria uma vida melhor. Bom, por outro lado, se fosse demasiado ousado também poderia já não estar vivo.

- Porque não se considera um grande artista ou grande escritor?
- Porque é verdade, não sou. Mas mesmo se fizesse essa pergunta a um grande mestre, digamos Picasso, ele diria a mesma coisa. Teria alcançado mais se os seus eventuais limites tivessem sido ultrapassados. Todos os artistas são muito conscientes das suas falhas.

- Conheceu alguns dos artistas que aparecem no seu filme, como Dali, Buñel ou Picasso?
- Conheci algumas pessoas que foram bons artistas. De todos, o primeiro que conheci depois tornou-se meu amigo, o Groucho Marx. Sempre achei divertido e sempre gostei dele. Quando o conheci, ele foi muito simpático. Mas eu pensei: «estou eu aqui num restaurante com o Groucho Marx e ele não tem o seu bigode...» Parecia um tio judeu, um parente afastado da minha mãe. Ele foi sempre humano, o que me desgostou um bocadinho, por não ser aquele tipo que estava sempre a contar piadas. Por isso, quando tive a oportunidade de conhecer Louis Armstrong, acabei por não arriscar...

- Porquê?
Estas pessoas são deuses para mim e  gosto de os manter assim.
- Como se sentiu então ao construir estas personagens? Divertiu-se a recriar Hemingway e Picasso?
- Claro, foi divertido colocar-me na pele deles. Ao longo da minha vida conheci alguns artistas importantes. Nunca conheci Hemingway, mas conheci outros escritores famosos. Conheci e trabalhei com o Saul Bellow, conheci o Gabriel Garcia Marquez. Ambos venceram o prémio Nobel. Conheci pessoas muito famosas, mas normalmente nunca fico amigo delas porque não as quero conhecer melhor do que aquilo que elas representam.


- Que encanto especial tem para si a nostalgia? O filme salienta que devemos viver o presente. Mas há também este lado nostálgico...

- Está a tocar no ponto. Nós extrapolamos apenas o melhor. Quando vejo certos objectos, um livro por exemplo, recordo-me de quando era jovem, dos comic books que lia. Mas quando vou mais longr, percebo como certas coisas eram terríveis... A escola, a II Guerra Mundial estava a decorrer... Na realidade era horrível. Quando pensamos na Belle Époque, pensamos na Gigi, nas roupas, no champanhe. Mas aconteciam coisas horríveis ao mesmo tempo. As mulheres morriam ao dar à luz, não havia cura para a tuberculose, sífilis ou poliomielite. Eram tempos terríveis. Seria óptimo poder recuar no tempo e passar lá um dia. Almoçar e regressar.

- Se pudesse fazer isso, a que época recuaria?
- Provavelmente iria à Paris da Belle Époque. Também adoraria conhecer Viena no virar do século, cheia de génios, compositores e artistas.

- Sei que trabalha com a sua irmã, como produtora. É um homem de família?
- Sim, sou um homem de família. Não vivo a vida dos boémios dos anos 20, isso é certo. Tenho uma vida muito de classe média. Vivo num bairro rodeado por corretores de bolsa e banqueiros. Não conheço ninguém. Tenho o meu dia-a-dia. A minha diversão é ver televisão com uma t-shirt vestida e beber uma cerveja a ver football.

- Pensa que poderia ter sido outra pessoa, com outra queda artística que não realizador?
- Não que eu quisesse ser outra coisa, mas às vezes penso que gostaria de ter tido um talento diferente. Gostaria de ter tido um grande talento musical. Gostava de ter sido um grande músico.

- Além do clarinete, há outros instrumentos que o tentem?
- Não, isso não. O clarinete é o meu instrumento. Não o trocaria pelo piano.

- Se encontrasse um génio da lâmpada, o que lhe pediria?
- O que eu quero não é possível. Gostaria que a condição humana fosse muito diferente do que é. Que não envelhecêssemos depois de uma certa idade, que não ficássemos doentes. A condição humana é trágica, pois todas estas coisas acontecem. E rápido. Eu gostaria de uma mudança redical. Acho que a única forma de se fazer essa mudança é mesmo a magia. Não acho que seja a ciência, nem os filósofos, psicólogos ou políticos. Enquanto não aparecer alguém com esse toque de magia, acabaremos todos na mesma situação terrível.

- Como olha para os seus filmes antigos? Há algum de que goste particularmente?
- Sim, tenho alguns filmes de que me orgulho. Sempre gostei de “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Maridos e Mulheres”, “Balas Sobre a Broadway”. Recentemente tenho gostado de “Match Point” e de “O Sonho de Cassandra”, talvez por serem temas mais negros.

- E de quais gostou menos?
- O filme que gostei menos de fazer foi “A Maldição do Escorpião de Jade”. Não deveria ter-me contratado a mim próprio para o papel principal. Tinha óptimos actores e acabei por os desiludir. Se tivesse contratado o Jack Nicholson ou alguém como ele – um protagonista mais sólido – teria tido um filme melhor. Fui fraco nesse papel e o resultado final acabou por se ressentir disso. Existem alguns filmes meus que me fazem sentir melhor, mas não são muitos.
- “Annie Hall”?
- Foi um grande sucesso comercial, mas essa é já uma boa razão para não gostar dele [risos]. Mas não desgosto. Diverti-me imenso a fazê-lo. Lembro-me de fazer “Maridos e Mulheres” e de me divertir a vê-lo. Com o “Match Point” e o “Balas na Broadway” passou-se o mesmo. Mas a “Rosa Púrpura” acho que foi aquele que mais me satisfez. A maior parte dos filmes que fiz nunca mais os vi.

- Não me diga que não gosta de “Manhattan”...
- Não lhe posso dizer porque nunca o vi...

- Porquê?
- Não quero voltar a ele porque me arrisco a ficar destroçado.

- No entanto, mesmo depois disso, já teve bastantes mulheres dos seus sonhos...
- Sim, posso dizer que conheci algumas mulheres dos meus sonhos. A minha segunada mulher [Louise Lasser] – a primeira não conta, pois tinha apenas vinte e poucos anos – foi uma mulher dos meus sonhos. Era fantástica e demo-nos muito bem, mas depois não deu certo. Entretanto, conheci mulheres realmente incríveis, que deram grandes contributos para a minha vida. Mas nem sempre resulta. Nem sempre podemos viver juntos, e aí é que está o problema. Quando se está no show business há uma tendência para conhecermos muitas mulheres de sonho. Se eu trabalhasse num escritório talvez conhecesse mulheres agradáveis, mas nunca mulheres do outro mundo. Quem é que no seu emprego conheceria alguém como a Scarlet Johansson, ou a Penélope Cruz ou agora a Naomi Watts? Isso não acontece. Agora, eu posso trabalhar com elas o dia todo. Tenho essa possibilidade de conhecer estas mulheres fantásticas, mesmo que nada aconteça.
- Pode dizer-se que os filmes são sobre a procura do sentido da vida? Sente que já o encontrou?
- Não, e o problema é que, quanto mais velhos ficamos, mais esse problema se agrava. Tudo se torna mais deprimente.

- A que é que hoje atribui mais valor na sua vida?
- Bom, acho que é ao ar.

- Está a falar a sério?
- Para mim o mais importante é ter saúde. É o meu valor prioritário. O conhecimento seria a minha segunda escolha, depois o dinheiro, e a seguir o amor. Serão essas as quatro coisas mais importantes para mim.

- E nessa ordem?
- Talvez. A saúde é definitivamente o mais importante. Depois vem o conhecimento. O dinheiro é muito importante, muito mais importante do que eu achava quando era mais novo. O amor também é muito importante, mas se tivermos saúde, conhecimento e uma certa estabilidade financeira, normalmente temos boas oportunidades de encontrar o amor. E será até algo mais divertido. É divertido procurar o amor.

(Entrevista de Paulo Portugal, publicada na revista Tabu nº 261, de 2 de Setembro de 2011)

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