sábado, setembro 12, 2015

SLEEPLESS IN SEATTLE (1993)

SINTONIA DE AMOR
Um filme de NORA EPHRON

Com Tom Hanks, Meg Ryan, Bill Pullman, Ross Malinger, Rita Wilson, Rob Reiner, Rosie O’Donnell, Victor Garber, Barbara Garrick, etc.

EUA / 105 min / COR / 
4X3 (1.33:1)

Estreia nos EUA: 25/6/1993
Estreia em PORTUGAL: Lisboa (cinema São Jorge), 19/11/1993


Dr Marcia Fieldstone: «What are you going to do?»
Sam Baldwin: «Well, I’m gonna get out of bed every morning… breathe in and out all day long. Then, after a while, I won’t have to remind myself to get out of bed every morning and breathe in and out… and, then after a while, I won’t have to think about how I had it great and perfect for a while.»
Dr. Marcia Fieldstone: «Tell me what was so special about your wife?»
Sam Baldwin: «Well, how long is your program? Well, it was a million tiny things that, when you added them all up, they meant we were supposed to be together… and I knew it. I knew it the very first time I touched her. It was like coming home… only to no home I’d ever known… I was just taking her hand to help her out of a car and I knew. It was like… magic!»


Este “Sleepless In Seattle” é um dos “filmes da minha vida”. Não pela sua maior ou menor qualidade, mas tão sómente porque foi testemunha de um reencontro há muito adiado. Joaquim Pessoa, um dos meus poetas de cabeceira, exprimiu como só ele sabe essa sensação: "Tu vieste. E acordas todas as horas; preenches todos os minutos; acendes todas as fogueiras; escreves todas as palavras". Por isso, temo que o meu comentário ao filme não seja totalmente imparcial, atendendo à carga emocional que ele representou (e ainda representa) para mim. Vi-o pela segunda vez menos de um mês depois da sua estreia no cinema São Jorge, em Lisboa, a 3 de Dezembro de 1993, uma sexta-feira à noite. Foi um dia muito especial esse, ao qual “Sleepless In Seattle” adicionou um pequeno toque de magia. Sim, porque é disso que o filme trata, dos "acordes perfeitos" que por vezes se estabelecem entre duas pessoas, tornando esses momentos inesquecíveis.


O filme inicia-se por um funeral: o de Maggie, a jovem esposa de Sam Baldwin (Tom Hanks), que deixa este naturalmente abatido e revoltado com a vida. Sam é arquitecto, vive em Chicago, e tem um filho de 8 anos, Jonah (Ross Malinger), que dali em diante passará a ser a sua única companhia. Mudam-se para Seattle, uma cidade portuária no noroeste dos Estados Unidos, junto à fronteira com o Canadá. Ano e meio depois, Sam continua com dificuldades em dormir, apesar de ter voltado a trabalhar. Na véspera de Natal, Jonah liga para um desses programas da rádio que têm o hábito de se meterem na vida das pessoas, resgatando histórias pessoais para deleite dos seus ouvintes. Como presente de Natal, pede uma nova mulher para o pai, e consegue que este, muito contrariado, aceda a falar com a responsável do programa, uma tal Drª Marcia Fieldstone (ver diálogo acima transcrito). Entre as muitas mulheres que ouvem a história de Sam e por isso anseiam conhecê-lo, encontra-se Annie Reed (Meg Ryan), uma jornalista de Baltimore, que está prestes a casar-se com Walter (Bill Pullman), um homem adorável (apesar das alergias), que tem tudo para a fazer feliz. Mas a história ouvida na rádio torna-se uma obsessão para ela, a ponto de viajar para Seattle (Baltimore, lembre-se, fica na costa oposta do continente americano) no intuito de conhecer pessoalmente quem inexplicavelmente lhe tomou conta de todos os pensamentos. Alguém que nunca viu na vida, que nem sabia que existia, mas que, quem sabe, seja a "tal alma gémea" .


Todo este preâmbulo tem como objectivo presentear o espectador com a pungente sequência final, passada em Nova Iorque, nomeadamente no topo do Empire State Building. Estou até convencido que a filmagem desse epílogo, um dos mais emocionantes da história do cinema (assim, de repente, lembro-me de apenas mais dois com igual índice de intensidade: o do "Cinema Paradiso" e o do "City Lights"), foi a razão primeira pela qual "Sleepless In Seattle" foi escrito. Tendo como reminiscências o clássico de Cary Grant e Deborah Kerr (“An Affair To Remember”, 1957), filme várias vezes citado (e visualizado), Nora Ephron (1941-2012), responsável também pelo argumento (melhor do que directora, ela foi uma argumentista notável), reinventa o filme de Leo McCarey, adaptando-o para a modernidade. Sem ponta de ironia, e utilizando a ingenuidade e a sinceridade dos melodramas da década de 50, Nora Ephron mostra-nos que o amor, afinal, não muda muito ao longo dos tempos, sendo reconhecido, quase sempre, por aquele pequeno frisson entre duas pessoas, que por causa disso se tornam especiais: "Existem amores, vagos e fugidios, que duram apenas três dias. Mas há outros, raros e preciosos, que o tempo e a saudade alimentam e que duram toda a vida". A tal "magia" de que o filme fala.


Com uma belissima cinematografia de Sven Nykvist (cujas câmeras se passearam por muitos filmes de Ingmar Bergman) e uma banda-sonora de grande qualidade, repleta de temas clássicos, "Sleepless In Seattle" contém ainda algumas sequências deliciosas, onde predomina um humor inteligente, capaz de substituir a gargalhada fácil por um sorriso iluminado. Se também atentarmos na qualidade, sem execepção, de todos os intérpretes (salientando obviamente Meg Ryan, que está como peixe na água neste tipo de filmes), temos a noção que estão reunidos todos os ingredientes indispensáveis numa boa comédia romântica. E "Sleepless In Seattle" é sem dúvida uma das melhores. Cinco anos depois, Nora Ephron voltaria a escrever e a dirigir uma nova comédia com os mesmos actores, Meg Ryan e Tom Hanks. Chamou-se "You've Got Mail".


CURIOSIDADES:

- A hilariante cena entre Tom Hanks e Victor Garber, evocando cenas do filme "The Dirty Dozen", foi completamente improvisada.

- O papel de Annie foi recusado por actrizes muito conhecidas, nomeadamente Julia Roberts, Kim Basinger, Michelle Pfeiffer, Jennifer Jason Leigh e Jodie Foster. Nicole Kidman e Demi Moore foram também equacionadas para o papel.

- Foi o segundo de três filme em que Meg Ryan e Tom Hanks trabalharam juntos. O primeiro foi "Joe Versus The Volcano" (1990) e o terceiro, "You've Got Mail" (1998).

- Nora Ephron escreveu o argumento de "When Harry Met Sally" (1989), também com Meg Ryan, filme dirigido por Rob Reiner, o qual participa como actor neste "Sleepless In Seattle".

- Em Junho de 2008, o American Film Institute colocou "Sleepless In Seattle" na lista das 10 melhores comédias românticas de sempre. Ver lista completa aqui.

- O filme teve duas nomeações para os Óscars de Hollywood, nas categorias de argumento original (Nora Ephron, David S. Ward e Jeff Arch) e melhor canção: "A wink and a smile" (música de Marc Shaiman e letra de Ramsey McLean), interpretada por Harry Connick Jr. Mais três nomeações para os Globos de Ouro: melhor comédia ou musical; actriz principal (Meg Ryan) e actor principal (Tom Hanks). Ver aqui outros prémios.

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