sexta-feira, julho 01, 2011

A MORTE LENTA DO CINEMA

São várias as razões que podem contribuir para que o cinema morra de uma morte mais ou menos prolongada e angustiada. Lembremos três:

1 - uma (des)educação de base, isto é, eminentemente social e política, que menospreza o cinema e se entrega à formatação televisiva.
2 - uma cultura televisiva que celebra a vacuidade de telenovelas e afins, secundarizando tudo o que tenha a ver com a especificidade cinematográfica.
3 - um tipo de jornalismo, em que se incluem algumas formas grosseiras de crítica, que reduz o cinema a um fenómeno anedótico e pitoresco, apenas caracterizado pela acumulação arbitrária de efeitos especiais.
Claro que, para além de tais factores, outros há que se empenham no mesmo assassinato cultural. Que factores? Pois bem, alguns filmes!!! "Transformers 3" é um desses filmes: uma avalanche de ruído (visual e propriamente sonoro) que menospreza qualquer gosto narrativo e que, ao longo de 150 minutos, mais não faz do que repetir a lógica pueril de gratificação instantânea do seu próprio trailer.
Como é que um espectador formado (?) apenas a ver filmes como este se pode alguma vez interessar por um épico de Griffith, um drama de Bergman ou uma comédia de Jerry Lewis? A resposta é simples: não pode. Porquê? Porque não sabe e, sobretudo, porque foi educado para não querer saber.
João Lopes in "Sound + Vision"

6 comentários:

Elisabete Cardoso disse...

Eu vi muitos clássicos pela tv há uns bons anos atrás e aprofundei o meu amor ao cinema também por ai. Portanto, não sei se atribuo culpas à televisão pelo que está a acontecer. Agora é mais net, jogos e outras fontes audiovisuais que acompanham o crescimento dos jovens e não lhes explicam que, por exemplo, ir para dentro de uma sala de cinema mastigar pipocas é uma falta de respeito! Agora é tudo negócio, o que não é mau, mas há limites de bom gosto.

Billy Rider disse...

Ora nem mais, uma descrição sucinta mas muito real do actual e jovem público que consome filmes do mesmo modo como ouve música via ipod - uma geração culturalmente muito infeliz e abandonada à sua (pouca) sorte. Que não é culpada, pois como diz o João Lopes, foi a educação a que tiveram direito. Mas como em tudo honram-se as devidas excepções, como é evidente.

Enaldo disse...

Parece que há uma relação estreita entre filmes agitadíssimos e o efeito compulsivo no consumo acelerado pelas pessoas que os acabam de assistir

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Tem toda razão, Rato.

O Falcão Maltês

furyanimal disse...

Concordo com a Elisabete: não culpo a televisão, o que aconteceu foi o avanço da tecnologia começando pelo video, dvd e agora o blueray. Com as vendas das tv fullhd e aquisição dos home theater existe todo conforto para se assistir os melhores filmes em casa. Eu por exemplo fazem meses que não vou a um cinema.
Um cinema suntuoso que foi uma fonte de encontros e crônicas em livros em minha cidade fechou as portas, agora só cabem lugar aos cinemas de shopping's exibindo filmes em 3DD
A juventude prefere ficar com os jogos mesmo.

Raildon Lucena disse...

É verdade... Transformers 3 mais parece uma super-pipoca de microondas recheada de ferro em banda de lata! O pior do filme é a velha patriotada e os "valores" ianques... É a derivação de outras histórias que já estamos cansados de ver... Diante disso, o novo público "cinéfilo" aprende a gostar dessas tranqueiras e, dificilmente, vai conseguir saborear um filme de verdade.

Abraços cinéfilos!

www.observatoriodecinema.blogspot.com