segunda-feira, julho 27, 2015

BIO-FILMO: STEVE McQUEEN

Nascido a 24 de Março de 1930, em Beech Grove, Indiana, EUA
Falecido a 7 de Novembro de 1980, na Cidade de Juarez, México
«I live for myself and I answer to nobody»

Juntamente com Marlon Brando e Paul Newman, Steve McQueen foi justamente considerado como o actor-referência das décadas de 60 e 70, chegando a ser o mais bem pago de todos. Surgido ainda nos anos 50, McQueen trouxe consigo a rebeldia de um James Dean, parte integrante de um comportamento marginal regulado por um código moral e ético de contornos muito pessoais. «Sou um fazedor de filmes», afirmaria, «quero o respeito da indústria, mas na minha própria mente não estou seguro de que actuar seja uma coisa para um homem crescido fazer». Alguns anos antes de Hollywood lhe dar a liberdade ambicionada, Steve não passava de um delinquente juvenil que corria em motocicletas aos fins-de-semana para poder angariar algum dinheiro que lhe permitisse sobreviver. A sua vida foi sempre pautada por uma série de contradições. No auge da fama, procurava o anonimato e o isolamento. Tendo aprendido a representar pelo método do Actor’s Studio, desbaratou toda essa formação na criação das suas personagens que, em última análise, apareciam sempre imbuídas da sua marca única.


Terrence Steve McQueen nasceu em Beech Grove, Indiana, a 24 de Março de 1930. Ainda antes de completar o primeiro ano de vida, Steve viu a mãe, alcoólica, ser abandonada pelo pai, um ex-piloto acrobático, o que o conduziu a uma quinta no Missouri, para ser educado por um tio. Oito anos depois a mãe casa-se pela segunda vez e vai buscar a criança para viver com ela e com o padrasto em Los Angeles. Mas Steve rapidamente se torna num delinquente, o que o leva a ser internado num reformatório juvenil, o California Boys Republic. Em 1947, com dezassete anos, abandona de vez os estudos e alista-se na marinha mercante. Segue-se o serviço militar de três anos na US Marine Corps.


Sem saber muito bem o que fazer na vida, Steve vai para Nova Iorque no princípio da década de 50, onde se ocupa em variadissimos empregos, cada um mais provisório do que o precedente – é jornaleiro, reparador de televisões, jogador, piloto de motocicletas, chauffeur de taxis. Em 1952, e por influência de um amigo, começa a interessar-se pela arte de representar; frequenta a Sanford Meisner’s Neighborhood Playhouse, sendo pouco depois aceite no lendário Actor’s Studio, de Lee Strasberg, onde conhece alguns dos futuros grandes actores do cinema. Em 1956 estreia-se na Broadway, ao substituir à última da hora Ben Gazzara na peça “A Hatful of Rain”. Nesse mesmo ano tem um pequeno papel no cinema, ao lado de Paul Newman, no filme “Somebody Up There Likes Me”, e conhece a bailarina Neile Adams, com quem se casa.

Em 1958, depois de mais algumas representações em palco, McQueen entra num episódio da série televisiva “Trackdown”. Esse episódio, intitulado “The Bounty Hunter”, dá origem a uma nova série sobre um caçador de prémios no velho Oeste, Josh Randall, personagem que irá ser interpretada por Steve McQueen ao longo de 94 episódios de cerca de meia hora cada um (a série acaba em 1961). O fotógrafo William Claxton, futuro amigo de McQueen, recorda como conheceu o actor: «Certa noite, pouco tempo depois de me casar, estava em casa com a minha mulher, no nosso exíguo estúdio de Hollywood Hills. Liguei o pequeno televisor a preto e branco – estava a dar uma cena de perseguição com cowboys a cavalo. “Que porcaria!”, pensei eu. Os westerns nunca tiveram qualquer significado para nenhum de nós, a não ser em casos muito especiais. Subitamente, apareceu no minúsculo écran um grande plano de um rosto. Um rosto invulgar. Era um cowboy completamente diferente. Em apenas um grande plano, aquele sujeito conseguia transmitir seis ou sete emoções, por vezes contraditórias, e pensamentos aparentemente profundos. Ele era simultaneamente interessante, invulgar, cativante e sensível. Tinha um aspecto áspero, era realmente diferente, mas dono de uma elegância pouco convencional. Era o Steve McQueen, e o programa que passava na TV era o “Wanted: Dead or Alive”».


Ainda naquele ano de 1958 McQueen roda o seu primeiro filme como actor principal, “The Blob”, hoje em dia considerado um filme de culto da ficção científica. Mas é na remake americana “The Magnificent Seven” do filme japonês “The Seven Samurais”, de Akira Kurosawa, que se inicia a sua rápida ascensão ao estrelato, objectivo atingido apenas três anos depois quando protagoniza o mega-sucesso “The Great Escape”, pelo qual o Festival Internacional de Moscovo o distingue como melhor actor do ano. A partir daqui, e até ao final dos anos 60, a fama de McQueen consolida-se através dos seus papeis mais carismáticos, que fazem dele um dos mais lendários actores do cinema americano. Em 1961 cria a sua própria empresa de produção, a Solar Productions. É nomeado quatro vezes para o Globo de Ouro: “Love with the Proper Stranger” (1963); “The Sand Pebbles” (1966);  “The Reivers” (1969) e “Papillon” (1970), mas desta instituição recebe apenas, por duas vezes (1967 e 1970), o Henrietta Award, troféu destinado a consagrar o actor mais popular a nível mundial. É ainda nomeado para o Oscar de melhor actor principal pelo filme “The Sand Pebbles” (1966).


Amigo pessoal de Sharon Tate, tinha sido convidado para jantar em casa da então mulher de Roman Polanski quando esta foi brutalmente assassinada pelo clã de Charles Manson, a 9 de Agosto de 1969. Posteriormente, McQueen viria a ter conhecimento que o seu nome se encontrava no topo da lista do assassino como alvo prioritário a abater. Com o início dos anos 70 chegam também os primeiros insucessos no box-office: “The Reivers”, “Le Mans” e “Junior Bonner” não conseguem atingir o êxito espectacular dos seus filmes precedentes. No entanto, “The Getaway”, um emocionante thriller de Sam Peckinpah, volta a ser um grande sucesso de bilheteira. É durante as filmagens deste filme que nasce o tumultuoso romance entre McQueen e Ali MacGraw, a inesquecível intérprete de “Love Story”, que porá termo aos 15 anos de casamento com Neile Adams. O casal divorcia-se em Abril de 1972 e McQueen casa-se com Ali um ano depois, em Agosto de 1973 – a união durará cerca de cinco anos.


Em 1974 McQueen recebe 1,5 milhão de dólares e mais 10% nas receitas, para rodar o filme-catástrofe “The Towering Inferno”, ao lado de Paul Newman e Faye Dunaway. Mesmo assim uma quantia inferior à que recebera por “Papillon” no ano anterior. Será o seu último e grande sucesso, que lhe permitirá retirar-se temporariamente do mundo do cinema. O regresso só acontecerá quatro anos depois com a adaptação, por Arthur Miller, da peça de Ibsen, “An Enemy of the People”, onde, para além de actor principal é também produtor executivo. Estreado um ano depois de se encontrar concluído, o filme revelar-se-ia uma decepção, quer junto à crítica quer junto ao público. E, no entanto, ao longo da sua carreira, McQueen recusaria muitas dezenas de papeis em filmes que posteriormente seriam grandes sucessos no box-office. Aqui ficam alguns exemplos: “Bob & Carol & Ted & Alice” (1969), “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), “The French Connection” (1971), “Dirty Harry” (1971), “One Flew Over The Cuckoo’s Nest” (1975), “Missouri Breaks” (1976), “A Bridge Too Far” (1977), “Close Encounters of the Third Kind” (1977), “Superman” (1978), “Apocalypse Now” (1979).


Já divorciado de Ali MacGraw, McQueen compra em 1979 um rancho em Santa Paula, para onde se muda com a modelo Barbara Minty, que viria a ser a sua última mulher. Alguns dias antes do Natal desse ano é-lhe diagnosticado um cancro avançado nos pulmões devido à exposição ao amianto. Em 1980 estreiam-se os seus derradeiros filmes, “Tom Horn” e “The Hunter”, mas o actor encontra-se já em plena fase de combate ao mal que o afecta. Falhados todos os tratamentos convencionais, McQueen vai para Juarez, no Mexico, afim de se submeter a algumas cirurgias experimentais. Estas são bem sucedidas mas o coração do actor não aguenta o esforço. Steve McQueen vem a morrer a 7 de Novembro de 1980, vítima de dois ataques cardíacos sucessivos. Foi cremado, tendo as suas cinzas sido espalhadas no Oceano Pacífico. Tinha 50 anos.


Hoje, mais de um quarto de século após o seu desaparecimento, Steve McQueen é ainda uma estrela. Os seus filmes continuam a ser vistos e revistos por sucessivas gerações de cinéfilos e a sua imagem é de tal maneira ainda apelativa que se fazem spots publicitários com ela, quer seja para promover um certo tipo de vodka ou um novo modelo Mustang. Artistas da música pop compõem canções sobre ele (Sheryl Crow chegou a ganhar um Grammy) e a marca McQueen continua a vender de tudo um pouco, desde perfumes a relógios de desporto. Se por acaso ele aparecesse por aí era bem capaz de esboçar um sorriso trocista e proferir aquela célebre frase de “Papillon”: «Hey you bastards, I'm still here!»




FILMOGRAFIA:

1980 – The Hunter / Caça ao Homem
1980 – Tom Horn / Tom Horn, o Cowboy
1978 – An Enemy of the People / O Inimigo do Povo
1974 – The Towering Inferno / A Torre do Inferno
1973 – Papillon
1972 – The Getaway / Tiro de Escape
1972 – Junior Bonner / Júnior Bonner, O Último Brigão
1971 – Le Mans
1969 – The Reivers / Os Ratoneiros
1968 – Bullitt
1968 – The Thomas Crown Affair / O Grande Mestre do Crime
1966 – The Sand Pebbles / Yang-Tsé em Chamas
1966 – Nevada Smith
1965 – The Cincinnati Kid / O Aventureiro de Cincinnati
1965 – Baby the Rain Must Fall / Errando Pelo Caminho
1963 – Love with the Proper Stranger / Amar Um Desconhecido
1963 – Soldier in the Rain / Soldado à Chuva
1963 – The Great Escape / A Grande Evasão
1962 – The War Lover / O Homem Que Gostava da Guerra
1962 – Hell Is for Heroes! / O Inferno é para os Heróis
1961 – The Honeymoon Machine / O Jogo do Amor
1960 – The Magnificent Seven / Os Sete Magníficos
1959 – Never so Few / Quando Explodem as Paixões
1959 – The Great St. Louis Bank Robbery
1958 – The Blob / Fluído Mortal
1958 – Never Love a Stranger / Não Ames Um Desconhecido
1956 – Somebody up there Likes Me / Marcado pelo Ódio



2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

É um dos meus atores preferidos, Rato. Acho a sua presença em cena contagiante. Vi e revi "Papillon" várias vezes e sempre fico emocionado. Pena que fez tão poucos filmes.
Viva McQueen! Belo post.
Obrigado.

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Billy Rider disse...

Como todas as lendas, Steve McQueen morreu cedo demais. Se bem que o actor não tivesse grande apego à sua profissão no cinema - a sua grande paixão sempre foi a velocidade - legou-nos extraordinários momentos através das personagens dos seus filmes. Era único e carismático e possuía aquele "algo" extra que fazia a câmara de filmar (e através dela os nossos olhos) ficar viciada na sua imagem e compostura.
O cinema vive muito dos seus actores e McQueen foi sem dúvida um dos maiores.
Como sempre um post 5 estrelas do meu amigo Rato!