terça-feira, setembro 08, 2015

BFI / SIGHT & SOUND: OS MELHORES FILMES DE SEMPRE

A Sight & Sound, revista mensal publicada pelo British Film Institute, divulgou os resultados 2012 do inquérito que todas as décadas leva a cabo para listar os melhores filmes de sempre. Foram pedidas listas de 10 títulos a pessoas ligadas ao cinema: realizadores, críticos, académicos, programadores, distribuidores, escritores e cinéfilos em geral, tendo sido recebidas 846 listas de 73 países, com um total de 2045 filmes citados. No site do BFI são divulgados dois resultados: o TOP250 dos críticos e o TOP100 dos directores, afinal aqueles com mais autoridade para se pronunciarem sobre os melhores filmes de sempre. O Rato Cinéfilo decidiu juntar essas duas listas, contabilizando os respectivos votos. Eis o resultado (TOP20):
1. Vertigo / A Mulher Que Viveu Duas Vezes
    de Alfred Hitchcock (EUA, 1958) 222 votos (191 críticos + 31 directores)

2. Citizen Kane / O Mundo a Seus Pés
    de Orson Welles (EUA, 1941) 199 votos (157 críticos + 42 directores)

3. Tôkiô Monogatari / Viagem a Tóquio 
    de Yasujirô Ozu (JAPÃO, 1953) 155 votos (107 críticos + 48 directores)

4. 2001: A Space Odissey / 2001: Odisseia no Espaço
    de Stanley Kubrick (EUA-GB, 1968) 132 votos (90 críticos + 42 directores)

5. La Règle du Jeu / A Regra do Jogo
    de Jean Renoir (FRANÇA, 1939) 117 votos (100 críticos + 17 directores)

6. Sunrise: A Song of Two Humans / Aurora
    de F.W. Murnau (EUA, 1927) 110 votos (93 críticos + 17 directores)

7. Fellini 8 1/2 / Fellini Oito e Meio
    de Federico Fellini (ITÁLIA, 1963) 104 votos (64 críticos + 40 directores)

8. The Searchers / A Desaparecida
    de John Ford (EUA, 1956) 89 votos (78 críticos + 11 directores)

9. Apocalypse Now
    de Francis Ford Coppola (EUA, 1979) 86 votos (53 críticos + 33 directores)

10. A Bout de Souffle / O Acossado
     de Jean-Luc Godard (FRANÇA, 1959) 84 votos (57 críticos + 27 directores)

11. Chelovek S Kino-apparatom / O Homem da Câmara de Filmar
     de Dziga Vertov (URSS, 1929) 79 votos (68 críticos + 11 directores)

12. La Passion de Jeanne d'Arc / A Paixão de Joana d'Arc
     de Carl T. Dreyer (FRANÇA, 1928) 78 votos (65 críticos + 13 directores)

13. Zerkalo / O Espelho
     de Andrei Tarkovsky (URSS, 1975) 77 votos (47 críticos + 30 directores)

14. L'Atalante / O Atalante
     de Jean Vigo (FRANÇA, 1934) 75 votos (58 críticos + 17 directores)

15. The Godfather / O Padrinho
     de Francis Ford Coppola (EUA, 1972) 74 votos (43 críticos + 31 directores)

16. Persona / A Máscara
     de Ingmar Bergman (SUÉCIA, 1966) 73 votos (48 críticos + 25 directores)

17. Taxi Driver
     de Martin Scorsese (EUA, 1976) 72 votos (38 críticos + 34 directores)

18. Bronenosets Potyomkin / O Couraçado Potemkin
     de Sergei Eisenstein (URSS, 1925) 71 votos (63 críticos + 8 directores)

19. Shichinin no Samurai / Os Sete Samurais
     de Akira Kurosawa (JAPÃO, 1954) 70 votos (48 críticos + 22 directores)

20. Au Hasard, Balthasar / Peregrinação Exemplar
     de Robert Bresson (FRANÇA, 1966) 67 votos (49 críticos + 18 directores)

Listas são listas, valem o que valem, mas este TOP 20, resultado extraído de listas individuais de 10 títulos, da autoria de críticos e realizadores de todo o mundo, é bem capaz de ser uma das classificações mais próximas da realidade objectiva, ou seja, em que o gosto pessoal estará preterido a favor do valor cinematográfico de cada uma destas obras. Uma lista obrigatória portanto, aconselhada a todos os estudiosos do cinema. De estranhar no entanto algumas ausências "de peso": D.W. Griffith ("Intolerance" ou "Broken Blossoms" não destoariam), Luchino Visconti (sobretudo "Rocco e I Suoi Fratelli"), Alain Resnais (estou a pensar, claro, no "Hiroshima Mon Amour"), mas sobretudo é a ausência de qualquer filme de Chaplin neste TOP 20 que mais sobressai. “City Lights”, o filme mais votado, aparece apenas em 30º lugar no TOP 100 dos Directores (14 votos) e em 50º lugar no TOP 250 dos Críticos (29 votos). Em contrapartida, Francis Ford Coppola é o único realizador repetente. De notar ainda que o filme mais recente é de 1979, o que espelha bem o decréscimo artístico do cinema nas últimas décadas. No TOP dos Críticos são citados apenas 4 títulos pós-1979 nos 50 primeiros lugares; e no TOP dos Directores esse número é de 6 títulos. Por simples curiosidade, listam-se de seguida as escolhas de alguns dos realizadores mais conhecidos:

ABEL FERRARA: Cul-de-Sac (Roman Polanski, 1966) / The Devils (Ken Russell, 1971) / Hawks and Sparrows (Pier Paolo Pasolini, 1966) / Prison (Ingmar Bergman, 1949) / Lolita (Stanley Kubrick, 1961) / Los Olvidados (Luis Buñuel, 1950) / Ran (Akira Kurosawa, 1985) / Touch of Evil (Orson Welles, 1958) / A Woman Under Influence (John Cassavetes, 1974) / Zero de Conduite (Jean Vigo, 1933)

FRANCIS FORD COPPOLA: The Apartment (Billy Wilder, 1960) / Ashes and Diamonds (Andrzej Wajda, 1958) / The Bad Sleep Well (Akira Kurosawa, 1960/ The Best Years of Our Lives (William Wyler, 1946) / I Vitelloni (Federico Fellini, 1953) / The King of Comedy (Martin Scorsese, 1983) / Ragging Bull (Martin Scorsese, 1980) / Singin’ in the Rain (Stanley Donen, Gene Kelly, 1951) / Sunrise (F.W. Murnau, 1927) / Yojimbo (Akira Kurosawa, 1961)

KENNETH BRANAGH: Au Revoir Les Enfants (Louis Malle, 1987) / Black Narcissus (Michael Powell, Emeric Pressburger, 1947) / Brief Encounter (David Lean, 1945) / Citizen Kane (Orson Welles, 1941) / Manhattan (Woody Allen, 1979) / Napoleon (Abel Gance, 1927) / Raging Bull (Martin Scorsese, 1980) / The Searchers (John Ford, 1956) / The Third Man (Carol Reed, 1949) / Tootsie (Sydney Pollack, 1982)

LAWRENCE KASDAN: L’Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969) / The Battle of Algiers (Gillo Pontecorvo, 1966) / Dr. Strangelove (Stanley Kubrick, 1963) / The Godfather (Francis Ford Coppola, 1972) / The Grapes of Wrath (John Ford, 1940) / Lawrence of Arabia (David Lean, 1962) / Out of the Past (Jacques Tourneur, 1947) / La Règle du Jeu (Jean Renoir, 1939) / The Seven Samurai (Akira Kurosawa, 1954) / The Treasure of Sierra Madre (John Huston, 1947)

MANOEL DE OLIVEIRA: Battleship Potemkin (Sergei Eisenstein, 1925) / Gertrud (Carl T. Dreyer, 1964) / The Gold Rush (Charles Chaplin, 1925) / The Informer (John Ford, 1935) / Ivan the Terrible (Sergei Eisenstein, 1945) / Journey to Italy (Roberto Rossellini, 1954) / Mouchette (Robert Bresson, 1966) / La Passion de Jeanne d’Arc (Carl T. Dreyer, 1927) / Playtime (Jacques Tati, 1967) / Ugetsu Monogatari (Kenji Mizoguchi, 1953)

MARTIN SCORSESE: 2001: A Space Odissey (Stanley Kubrick, 1968) / Fellini 8 ½ (Federico Fellini, 1963) / Ashes and Diamonds (Andrzej Wajda, 1958) / Citizen Kane (Orson Welles, 1941) / The Leopard (Luchino Visconti, 1963) / Paisà (Roberto Rossellini, 1946) / The Red Shoes (Michael Powell, Emeric Pressburger, 1948) / The River (Jean Renoir, 1951) / Salvatore Giuliano (Francesco Rosi, 1962) / The Searchers (John Ford, 1956) / Ugetsu Monogatari (Kenji Mizoguchi, 1953)

PAUL SCHRADER: Citizen Kane (Orson Welles, 1941) / The Conformist (Bernardo Bertolucci, 1970) / In The Mood For Love (Wong Kar Wai, 2000) / The Lady Eve (Preston Sturges, 1941) / Orphée (Jean Cocteau, 1950) / Pickpocket (Robert Bresson, 1959) / La Règle du Jeu (Jean Renoir, 1939) / Tokyo Story (Yasujirô Ozu, 1953) / Vertigo (Alfred Hitchcock, 1958) / The Wild Bunch (Sam Peckinpah, 1969)

QUENTIN TARANTINO: Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979) / The Bad News Bears (Michael Ritchie, 1976) / Carrie (Brian De Palma, 1976) / Dazed and Confused (Richard Linklater, 1993) / The Good, The Bad and The Ugly (Sergio Leone, 1966) / The Great Escape (John Sturges, 1963) / His Girl Friday (Howard Hawks, 1939) / Jaws (Steven Spielberg, 1975) / Pretty Maids All In A Row (Roger Vadim, 1971) / Rolling Thunder (John Flynn, 1997) / Sorcerer (William Friedkin, 1977) / Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)

SAM MENDES: Les 400 Coups (François Truffaut, 1959) / Blue Velvet (David Lynch, 1986) / Citizen Kane (Orson Welles, 1941) / Fanny and Alexander (Ingmar Bergman, 1984) / The Godfather (Francis Ford Coppola, 1972) / Kes (Ken Loach, 1969) / Rosemary’s Baby (Roman Polanski, 1968) / Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976) / There Will Be Blood (Paul Thomas Anderson, 2007) / Vertigo (Alfred Hitchcock, 1958)

WOODY ALLEN: Les 400 Coups (François Truffaut, 1959) / Fellini 8 ½ (Federico Fellini, 1963) / Amarcord (Federico Fellini, 1972) / The Bicycle Thieves (Vittorio De Sica, 1948) / Citizen Kane (Orson Welles, 1941) / Le Charme Discret de la Bourgeoisie (Luis Buñuel, 1972) / La Grande Illusion (Jean Renoir, 1937) / Paths of Glory (Stanley Kubrick, 1957) / Rashômon (Akira Kurosawa, 1950) / The Seventh Seal (Ingmar Bergman, 1957)

4 comentários:

Pastor Rodrigo Almeida disse...

Queria convidar você a dar uma olhada no meu blog e se gostar virar seguidor. Estarei seguindo seu blog o qual eu curti bastante. Há entre e comente vai ser uma honra.
http://cinema4x4.blogspot.com.br/

Fábio Henrique Carmo disse...

A ausência de filmes mais recentes não se deve a um suposto "decréscimo artístico" dos último anos. Isso se deve ao fato de que críticos e diretores são muito apegados ao passado, aos filmes responsáveis por sua formação.

Já tinha conhecimento dessas listas, mas foi bem legal a compilação que vc fez, Rato. Realmente um lista de filmes imprescindíveis! Até a próxima!

Rato disse...

Em parte você tem razão, Fábio, cada um de nós dá sobretudo valor ao que mais o influenciou. Mas... já pensou no tempo que entretanto já passou? Não acha que 33 anos é muito ano para que apenas meia dúzia de títulos tenham contribuído significativamente para a formação das pessoas ligadas ao cinema? Não tenha ilusões, meu amigo: o tempo do cinema artístico é chão que já deu uvas. E há muito tempo! Existem excepções? Pois claro que há. Mas elas só vêm confirmar a regra geral: o cinema dos nossos dias não passa de um produto comercial, com muito pouco de contribuição artística.

Nowhereman disse...

Estou com o Rato, o estertor artístico do cinema é já demasiado ruidoso para que dele possamos duvidar