sexta-feira, julho 06, 2012

MONUMENTAL - CRIME SEM CASTIGO

Com projecto do arquitecto Rodrigues Lima, o Monumental era constituído por um teatro para 1182 espectadores, um cinema para 2170, um café-restaurante e uma sala para exposições artísticas. Localizado na Praça Duque de Saldanha, em Lisboa, foi inaugurado no dia 14 de Novembro de 1951, com o filme "O Facho e a Flecha" de Jacques Tourneur, com Burt Lancaster, e a peça de teatro "As Três Valsas", com João Villaret e Laura Alves. A sala de cinema, com eixo central paralelo à Av. Fontes Pereira de Melo, possuía um écrã gigantesco, onde mais tarde seriam projectados os filmes em 70 mm e 6 bandas estereofónicas. 
Alguns títulos dos muitos filmes inesquecíveis que por lá tive a felicidade de assistir: "Spartacus" e "2001: Odisseia no Espaço" de Stanley Kubrick, "West Side Story" de Jerome Robbins e Robert Wise "My Fair Lady" de George Cukor, "Morte em Veneza" de Luchino Visconti, "El Cid" de Anthony Mann, "Papillon" de Franklin Schaffner, "Longe da Multidão" de John Schlesinger, "Tommy" de Ken Russell , "Star Wars" de George Lucas, "Um Violino no Telhado" de Norman Jewison, "Halloween" de John Carpenter.

Comportando plateia e dois balcões, esta sala constituía a «referência mais imensa do espaço-cinema em Portugal: a sala cheia parecia uma cidade!» No interior existia um enorme foyer, muito à Hollywood, com mármores, dourados e lustres. No topo do edifício funcionava um atelier onde se faziam os cartazes dos filmes (um tipo de publicidade que infelizmente também se perdeu com o passar dos anos) e que mais tarde foi adaptado para uma pequena sala-estúdio, o Satélite, inaugurada no Verão de 1971 com o filme francês "Les Choses de la Vie" de Claude Sautet (estive lá, nessa estreia). Outros filmes importantes que vi nesta pequena sala: "Irei Como Um Cavalo Louco" de Fernando Arrabal, "Sopro no Coração" de Louis Malle, "O Cio" de Paul Morrisey, "Fellini 8 1/2" de Federico Fellini.

Nos anos 60 o Monumental, por intermédio do seu dinâmico empresário, Vasco Morgado, abriu também as suas portas a inúmeros concursos e festivais musicais, para além de muitos intérpretes da música Pop: Sylvie Vartan (14 de Março de 1964), Rita Pavone (13 de Junho de 1965), The Searchers (2 e 3 de Novembro de 1965), The Animals (7 de Dezembro de 1965) - podia ler-se no Diário de Notícias: «Um aviso! Não tragam os Beatles! Será o fim do Monumental a avaliar pelo delírio que ontem provocaram os Animals. Gritos estridentes, ininterruptos, agudos, lancinantes, um uivo sincopado de yé-yé, definindo quase um sentimento de dor» - , Charles Aznavour (6 e 7 de Janeiro de 1966), Conjunto Académico João Paulo (7 de Fevereiro de 1966), Nino Ferrer (3 de Junho de 1966), Richard Anthony (28 de Fevereiro de 1966), Sandie Shaw (3 de Julho de 1967) e Georgie Fame (Outubro de 1968), entre outros.
O exterior do edifício era de pedra, com colunas, estátuas decorativas e esferas armilares de ferro que estão, hoje em dia, junto ao Padrão dos Descobrimentos, em Belém. A ordem de demolição chegou em 1984, e o último filme a ser exibido, foi... "E Tudo o Vento Levou". No mesmo local ergue-se hoje um moderno edifício (todo ele ostensivamente espelhado), também chamado Monumental (embora a sua arquitectura, extremamente feia e agressiva, nada tenha a ver com o antigo), com escritórios, lojas e 4 salas de cinema, a maior das quais com 378 lugares.
Pessoalmente, considero que a extinção do edifício do Monumental foi um dos maiores crimes culturais jamais cometidos na capital. E, que eu saiba, ninguém foi preso por isso. Nem o arquitecto, nem o construtor, nem o principal responsável: o então presidente da Câmara Municipal - Krus Abecassis - democrata-cristão já falecido e personagem de triste memória para a cidade de Lisboa.

3 comentários:

renatocinema disse...

Como estudante de história fico encantado com os textos do seu site.

Continue assim. Parabéns.

Rato disse...

Obrigado, Renato

Rui Ferrao disse...

Olá há todo:-)sobrigado por este site..De facto a Praca do saldanha atual alem adiada e uma vergonha chaia mamarrachos vidro da treta..Eu Não era muito do tempo do Monumental nasci so em 1974 mas tenho lembranças lindas de o ver nos olhos de crianca que era na altuta na praca Saldanha lindo impacto de maravilhosa obra pedra granitica muito luxuoso por fora e dentro ainda mais era.Como foi possível destruir??? Sabe se Laura<3Alves nos seus últimos anos de vida sentava se num banco na praca do saldanha do lado virado Rua rua da Praia vitoria olhar seu Monumental faito em ruinas durante longa demolição..Case como pensar que uma vida inteira deu 1951 com inoguracao com três valsas o inaugurou com outros e nomes de oro Teatro e cinema de Portugal lá tanto foi aplaudida<3amada e reconhecida..Ninguém imaginava case 33 anos mais tarde estupidez erracional da camara presidente Sr Cruz Abecassis metese Monumental como especi idificio no grato e eliminar depressa dar lugar há outros idificios projectados não foram para a Frente eram selvagens demais tal zona violariam pdm da Cidade..Embora que lá estaija saija primo do que se pensou no original 1982/1983..Noutras capitais estimase conservase mantém apostase como Monumental madrid etc belas salas Itália aqui toca camartelo..Vida segue numa cidade cada vês mais mudada para pior.Até penso Monumental podia ca estar em Lisboa actual deste Novo século..Sou da opinião Lisboa o Perdeu Também anos 80 ninguém quis saber ou todos calaram até a demolição ser irreversível quando foi imbergada finalmente presa era tal todo idificio por dentro foi destruído a denamite parte dos muitos compressores porque também era uma pedra ferro basse muito sólida e construçao fonumenal melhor arte trabalhar na pedra anos 40/50 do século passado.Daixo este apelo restaurar urgentemente estatuas de Pedra tão Praca de Londres eram do Monumental.Como uma sugestão estatuas estavam dentro Atrim tipo Pedra e bride devem guardadas negam exp Centro cultural de Belém.Um abra<3ço super obrigado....R.P..