quinta-feira, abril 21, 2011

WOODSTOCK (1970)

WOODSTOCK - 3 DIAS DE PAZ, MÚSICA E AMOR
Um filme de MICHAEL WADLEIGH



EUA / 184 min (Director's Cut: 228 min) / COR /16X9 (2.20:1)


Estreia nos EUA a 26/3/1970
Estreia em Moçambique a 24/4/1971
(LM, Teatro Scala)



 
Faz este fim-de-semana 40 anos que vi pela primeira vez o filme do concerto histórico de "Woodstock": três dias de paz, música e amor, em que cerca de 500.000 pessoas se reuniram no Verão de 69 numa área de 600 acres de terreno (a fazenda de Max Yasgur, na cidade rural de Bethel, Nova Iorque) para, com um único espírito colectivo, ouvirem alguns dos seus heróis predilectos: Joan Baez, Crosby Stills and Nash, Santana, Joe Cocker, The Who, Janis Joplin, Ten Years After, Canned Heat, Jefferson Airplane, Melanie, Country Joe & The Fish, John Sebastian, Jimi Hendrix...
 
 
 

Vale a pena relembrar. Afinal, nenhum outro festival de música teve tanta repercussão e tanta importância como este. Para entender o fenómeno é preciso voltar atrás no tempo. O mundo, e especialmente os Estados Unidos, passava por tempos difíceis de guerra, violência e desilusão. A década de 60, a mais conturbada do século, chegava ao fim, com uma sensação reinante de “e agora ?” no ar. E é nesse clima de final de festa, no último ano da década, que o maior evento de música já realizado encontra terreno fértil para se consolidar.
 
 
 
 
 

O festival foi idealizado e levado a cabo por quatro jovens: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang. John era o mais velho dos quatro, tinha 26 anos, e era o herdeiro da fortuna de uma farmácia e de uma fábrica de pasta de dentes. Ele e o seu amigo Joel possuiam um capital para investir e colocaram um anúncio no Wall Street Journal e no New York Times: «Jovens com capital ilimitado procuram oportunidades de investimento legítimas e propostas de negócios interessantes e originais.» Lang e Kornfeld tInham as ideias interessantes e originais, mas não tinham o dinheiro. Os dois pensavam fundar uma gravadora independente especializada em rock, localizada numa cidade afastada de Manhattan chamada Woodstock ou em realizar um festival misto de exposições e música ao vivo. Esta última foi a ideia que acabou por vingar.
 

 
 
 
Vieram de Norte a Sul do Pais. Durante três dias viveram, comeram, dormiram lado a lado para ouvirem a música rock de um geração perdida no tempo - os hippies, uma cultura de gente que apregoava Paz e Amor, no final da «sua» década. O filme "Woodstock", realizado por Michael Wadleigh (com Martin Scorsese como adjunto) e estreado apenas em 1970, apresenta-nos os preparativos para o grande concerto histórico: as torres de som, o palco, helicópteros trazendo músicos, as reacções dos habitantes locais bem como a declaração de Woodstock como concerto grátis quando se concluiu que era impossível controlar aquela multidão habituada a não pagar para ouvir música. "Woodstock" mostra-nos a tempestade que alagou os campos mas que não fez desistir aquelas centenas de milhares de espectadores à espera daquele que foi o maior concerto da história. "Woodstock" é um dos pontos altos da tomada de consciência da geração dos anos sessenta nos EUA e, principalmente do movimento de contestação à Guerra do Vietname que viria a culminar na marcha sobre Washington.

 
 
 
 

A música começou na tarde de 15 de Agosto, sexta-feira, às 17:07h e continuou até a metade da manhã do dia 18 de Agosto, segunda-feira. O festival fechou a via expressa do Estado de Nova Iorque e criou um dos piores engarrafamentos da nação. Também inspirou um monte de leis locais e estatais para assegurar que nada como aquilo jamais aconteceria novamente. "Woodstock", como poucos eventos históricos, tornou-se uma espécie de herança cultural, para os EUA e para o mundo. Assim como “Watergate” representa a crise nacional americana, “Woodstock” é hoje sinónimo do poder dos jovens e dos excessos dos anos 60. «O que nós tivemos aqui foi algo que ocorre uma vez na vida», diz o historiador Bert Feldman. Dickens disse isto primeiro: «Foi o melhor dos tempos. Foi o pior dos tempos.» É uma mistura que nunca será reproduzida novamente.
 
 
 
 
 
O evento tornou-se um verdadeiro ícone da contracultura. A força jovem e a liberdade assustaram os mais velhos e conservadores. Muitos dizem que "Woodstock" foi o fim de toda a ingenuidade e utopia que cercavam os anos 60. Outros dizem que foi o apogeu de todas as mudanças e desenvolvimento na sociedade. Mas todos concordam que o festival foi um marco incontornável na história da música.
 
 
 
 
 
CURIOSIDADES:

- A montagem do filme teve por base 120 horas de material filmado.

- A edição do realizador, feita em 1994, apresenta pela primeira vez diversas actuações não incluídas na versão estreada nos cinemas: Grateful Dead, Janis Joplin, Jefferson Airplane ou Canned Heat. Outros grupos, que actuaram no festival, nunca apareceram em qualquer versão do filme. Casos dos Creedence Clearwater Revival (estes a pedido expresso de John Fogerty, devido a problemas registados no som, durante a actuação do grupo), Mountain, The Band e Tim Hardin.

- Apesar de ter actuado com Crosby, Stills And Nash, Neil Young não aparece no filme (apenas na banda sonora, nos temas “Sea of Mdness” e “Wooden Ships”).

- Joni Mitchell foi convidada para participar no Festival, mas o seu empresário não a autorizou a deslocar-se para garantir a sua presença no programa televisivo “The Dick Cavett Show”. Companheira de Graham Nash na altura, Joni compôs depois o tema “Woodstock”, que foi um enorme êxito para os Crosby, Stills And Nash.



- O tema “Freedom”, que tornou a actuação de Richie Havens uma das mais míticas do festival e do filme, nem sequer constava do alinhamento inicial. Foi devido à muita insistência do público que Havens resolveu cantá-la.

- Os Led Zeppelin, grupo que na época se encontrava no topo, declinou o convite para actuar em Woodstock. Nesse mesmo fim-de-semana deram um concerto em New Jersey, não muito longe do local onde decorria o festival. Também Bob Dylan, The Jeff Beck Group (com Rod Stewart), Iron Butterfly, Jethro Tull, Procol Harum, The Byrds e The Moody Blues, entre outros, não aceitaram tocar em Woodstock. Os Beatles chegaram a ser contactados, mais por cortesia do que por qualquer esperança na sua aparição pública (como se sabe o grupo tinha abandonado há já alguns anos os espectáculos ao vivo). No entanto John Lennon chegou a equacionar a sua presença como integrante da Plastic Ono Band.

- O festival redundou num enorme fiasco financeiro. Os únicos itens que deram algum dinheiro foi o filme e a banda-sonora, precisamente onde os promotores não tinham investido.

- "Woodstock" foi distinguido com o Óscar do melhor documentário, tendo também sido nomeado para as categorias de Montagem e Som.

ALGUNS MOMENTOS INESQUECÍVEIS:
CANNED HEAT
JOAN BAEZ
COUNTRY JOE McDONALD

THE WHO

ALGUNS DOS QUE JÁ PARTIRAM:
Alan Wilson (“Canned Heat”) - 3/9/1970 (27 anos)
Jimi Hendrix (“The Jimi Hendrix Experience”) - 18/9/1970 (27 anos)
Janis Joplin - 4/10/1970 (27 anos)
Keith Moon ("The Who") - 7/9/1978 (32 anos)
Tim Hardin - 29/12/1980 (39 anos)
Bob Hite (“Canned Heat”) - 6/4/1981 (36 anos)
Felix Pappalardi (“Mountain”) - 17/4/1983 (43 anos)
Richard Manuel (“The Band”) - 4/3/1986 (42 anos)
Paul Butterfield (“The Butterfield Blues Band”) - 4/5/1987 (44 anos)
Tom Fogerty ("Creedence Clearwater Revival") - 6/9/1990 (48 anos)
Jerry Garcia (“Grateful Dead”) - 9/8/1995 (53 anos)
Rick Danko (“The Band”) - 10/12/1999 (56 anos)
John Entwistle ("The Who") - 27/6/2002 (57 anos)
Spencer Dryden (“Jefferson Airplane”) - 11/1/2005 (66 anos)
Mitch Mitchell (“The Jimi Hendrix Experience”) - 12/11/2008 (61 anos)

3 comentários:

Ganza disse...

CURIOSO.... AINDA ESTA SEMANA ESTIVE A REVER O "dvd" DESTE FABULOSO ACONTECIMENTO A PROPÓSITO DOS JEFFERSON AIRPLAIN, GRATEFUL DEAD, JIMI HENDRIX, ETC., E OUTROS GOSTOS PESSOAIS,FIQUEI IMPRESSIONADO COMO PUDE GOSTAR TANTO DE REVER ISTO, E CADA VEZ MAIS ME CONVENÇO QUE ESTE FOI O EVENTO MAIS DEMOCRÁTICO, EMBLEMÁTICO, CULTURAL, MUSICAL, GERACIONAL, DUMA ÉPOCA E DO SÉCULO....
UM ABRAÇO...

ps ( pena foi o meu Benfica)

Rato disse...

Olá Zé!
Não sei se te lembras, mas assistimos juntos à estreia (dia 24/4/1971, um sábado à noite), no balcão do Scala (cinema que hoje já não existe, o espaço está agora integrado numa loja comercial). Tínhamos 17 anos e nesse dia consegui levar os meus pais e uns primos meus mais velhos, que obviamente detestaram o filme, sobretudo por causa do "barulho" da música.
Abraço!

José Morais disse...

A "edição de coleccionador" comemorativa do 40º aniversário contém 4 dvd's: o filme (director's cut) nos dois primeiros, actuações extra no terceiro e uma série de entrevistas no último. Vale a pena, sobretudo para a malta da geração de 60, a quem este filme traz tantas recordações.