quinta-feira, março 03, 2011

À L'INTÉRIEUR (2007)

INSIDE
Um Filme de ALEXANDRE BUSTILLO e JULIEN MAURY


Com Béatrice Dalle, Alysson Paradis, Nathalie Roussel, François-Régis Marchasson, Jean-Baptiste Tabourin, Dominique Frot, etc.

FRANÇA / 83 min / COR / 
16X9 (1.85:1)

Estreia em FRANÇA a 24/5/2007
(Festival de Cannes)
Estreia nos EUA a 17/10/2007
(Screamfest Film Festival)



“A L’Intérieur” é mais uma das revelações do gore francês, género do qual se têm comentado por aqui alguns títulos. Violento e sanguinolento como os demais, tem a particularidade de se desenrolar quase inteiramente no espaço fechado de uma residência, curiosamente (ou propositadamente) com o número 666 na porta de entrada. Trata-se, uma vez mais, de uma primeira obra, mas desta vez assinada por dois directores, Julien Maury e Alexandre Bustillo (ex-jornalista da revista francesa Mad Movies) que também é responsável pelo argumento.


A história, como convém neste tipo de filmes, é extremamente simples: Sarah Scarangelo (Alysson Paradis) é uma repórter fotográfica que consegue sobreviver a um violento acidente de carro, no qual o marido perde a vida. As imagens da colisão – magníficas – constituem o prólogo do filme. Sarah encontra-se grávida e o trauma provocado pela morte do companheiro vem alterar-lhe radicalmente o modo de encarar a vida, tornando-a em pouco tempo numa pessoa taciturna e apática, características bem evidenciadas nos primeiros quinze minutos do filme, durante os quais uma tensão em crescendo nos vai anunciando a tragédia que está para vir.


Chegada a véspera de Natal, Sarah encontra-se em casa, sózinha, tendo agendado o parto para a manhã do dia seguinte, altura em que o patrão a virá buscar para dar entrada no hospital. Mas aquela noite revelar-se-á tudo menos pacífica. A campainha da porta soa e uma silhueta de mulher perfila-se junto à entrada. Desconhecida para Sarah, a estranha visita parece saber tudo a seu respeito, tentando convencê-la a deixá-la entrar. Alarmada, Sarah telefona à polícia que chega algum tempo depois para constatar a ausência de qualquer intrusa. Fica a promessa de voltarem durante a ronda seguinte e Sarah vai deitar-se. Mas a mulher volta a aparecer, conseguindo desta vez introduzir-se dentro da casa. E as suas intenções não são nada pacíficas…


Desenrolando-se numa densa atmosfera de claustrofobia, “A L’Intérieur” conjuga o gosto pelo macabro com um mórbido sentido de humor na apresentação dos episódios que vão tendo lugar. Sarah luta desesperadamente pela sobrevivência (dela e do filho que traz no ventre), chegando a ter alguma esperança à medida que outras pessoas vão chegando à casa (o patrão, a mãe, os polícias). Mas todas elas vão sendo sucessivamente eliminadas pela intrusa demoníaca, aparentemente sem qualquer razão subjacente (o motivo será no entanto revelado no surpreendente final). O título do filme, mesmo a sua tradução inglesa (“Inside”) reflecte dois interiores distintos mas que se confundem na sua extrema vulnerabilidade – o interior da casa e o interior do ventre de Sarah, sendo ambos o objectivo de violação por parte da outra mulher. Uma violação que vem a concretizar-se numa terrível apoteose final, de contornos maléficos e de visão quase insustentável, requacionando-se a teoria da essência do mal estar ligado à natureza da mulher e ao seu papel de procriação.


 Um filme hiper-brutal, por vezes horripilante, mas de que não conseguimos desviar os olhos desde que aquele magnífico genérico nos fez regressar à grande escola do horror – uma escola famosa, onde leccionaram alguns dos melhores professores do passado: Argento, Fulci, Carpenter, Romero. No campo da interpretação, o realce vai para Alysson Paradis (irmã mais nova da cantora Vanessa Paradis) que nos dá uma angustiante e vulnerável Sarah mas sobretudo para Béatrice Dalle, que compõe aqui uma das mais perturbantes personagens femininas de que tenho memória. Dada a crueza das imagens e sobretudo por causa do distúrbio psicológico do enredo, “A L’Intérieur” deverá ser prudentemente evitado por parte de mulheres que se encontrem grávidas. De resto, convidam-se todos os apreciadores do género para se deliciarem durante cerca de 80 minutos num carrocel de contínuos sobressaltos.




7 comentários:

Ganza disse...

NOJENTO!!!!!!!!...SANGUE!!!!!.....

José Morais disse...

Será que aí o Ganza viu o filme ou o seu elucidativo comentário se resume às fotografias colocadas no post?
Pela minha parte partilho da opinião crítica do Rato, pois considero este filme um grande acontecimento dentro do género gore. Mas, claro, há que ser fan deste tipo de filmes e sobretudo ter um estômago forte (ou pelo menos não muito cheio na altura da visão)

Billy Rider disse...

E os franceses continuam a dar cartas neste género muito específico

João Lameira disse...

Vi este filme no MOTELx em 2008. Há muito que não sentia aquela excitação ao sair de uma sala de cinema, raras vezes a voltei a sentir depois (ainda assim, algumas, felizmente). Gosto muito deste filme. O final é belíssimo e cheio de perversa ternura.

Rato disse...

Completamente de acordo, João Lameira. O final é mesmo isso - uma ternura perversa ou um macabro poético.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Também já vi e confirmo a brutalidade do filme.

Ganza disse...

Boa Zé ....!!! Gostei do "pelo menos não muito cheio na altura da visão"... assim como de " uma ternura perversa ou um macabro poético"... fosga-se sangue esssssspalhado gratuitamente só mesmo, um pouquinho, na bancada da cozinha, quando vou cortar os bifinhos do "filhete" (como se diz cá na minha terra)para o almocinho... e, sim, não vi o filme, foi só pelas imagens e discrição dessa história patética...!(ponto de exclamação final). O homem que sabe demasiado é que tem razão.... uma brutalidade... ou não me digam que não sabem o que isso é...!(também)