sábado, dezembro 04, 2010

THE BIG COUNTRY (1958)

DA TERRA NASCEM OS HOMENS
Um filme de WILLIAM WYLER


Com Gregory Peck, Jean Simmons, Carroll Baker, Charlton Heston, Burl Ives, Charles Bickford, Chuck Connors, Alfonso Bedoya


EUA / 165 min / COR / 16X9 (2.35:1)


Estreia nos EUA a 1/10/1958




Patricia Terrill: «But if he loved me, why would he let me think 
he was a coward?”»
Julie Maragon: «If you love him, why would you think it? 
How many times does a man have to win you?»
  
Na América dos anos 50 a televisão começa a fazer sombra ao cinema, retirando muitos espectadores às salas escuras. Uma das armas de que Hollywood se serviu para contrariar tal deserção foi a técnica do écran largo e majestoso (o “cinemascope” era o mais popular) a servir grandes produções, com incidência particular em sagas familiares. À data, o último filme de Wyler, “Friendly Persuasion”, tinha ganho a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1957 e fora nomeado para 6 Oscars, apesar de não ter ganho nenhum. 

Gregory Peck, pelo seu lado, estava nos píncaros da fama e, juntamente com Wyler, resolve produzir “The Big Country”, rodeando-se do que de melhor havia na altura: argumentistas de créditos bem firmados, técnicos irrepreensíveis e actores de grande popularidade junto ao público. Até no campo do acompanhamento musical teve a sorte de beneficiar da inspiração do compositior Jerome Moross que escreveu um tema belissimo, cujos primeiros acordes ainda hoje remetem directamente para o filme (Oscar para a melhor música).

“The Big Country” não é um western convencional. Muito pelo contrário, tenta combater o estereotipo e a simplicidade que a maior parte das vezes se encontra no género. Nesta crónica familiar do Texas as personagens principais possuem todas traços psicológicos bem vincados, os quais se espelham nos ideais que professam. Gregory Peck está magnífico na figura de James McKay, o gentleman oriundo do civilizado leste que desembarca numa terra onde a violência dita as suas leis, para se casar com a filha de um dos caciques locais, o “major” Henry Terrill (Charles Bickford).
A sua compostura austera, avessa a exibicionismos gratuitos, irá gerar uma onda de incompreensão em seu redor, nomeadamente da parte da noiva, Patricia Terrill (Carrol Baker). A excepção será Julie Maragon (belissima Jean Simmons), a professora herdeira de umas terras que, por causa da água nelas existentes, pontuam a rivalidade entre o clã dos Terrill e o clá dos seus vizinhos, os Hannassey, de hábitos bem distantes do aburguesamento dos primeiros, e cujo patriarca, Rufus, é desempenhado pelo excelente actor Burl Ives (Oscar do melhor actor secundário neste filme).

O filme foi baptizado em França como “Les Grands Espaces”, título feliz por traduzir acertadamente toda a belissima fotografia e o modo como Wyler filma todos aqueles vastos espaços, lembrando por vezes a poesia de um John Ford, o grande especialista na matéria. Duas sequências de antologia a reter: o eclodir da atracção entre Peck e Simmons junto ao rio; e a longa sessão de pancadaria entre McKay e o capataz, Steve Leech (Charlton Heston, aqui num papel mais ou menos secundário, que teria direito à devida compensação, logo no ano segunte com “Ben-Hur”, do mesmo William Wyler).

“The Big Country” poderá não pertencer à elite do clube dos melhores westerns de todos os tempos mas é certamente um dos seus sócios mais prazenteiros. Wyler conseguiu realizar um filme longo mas arrebatador e de uma atmosfera crepuscular, quase shakespeareana, onde nos mostra um Oeste menos mitológico, é certo, mas incomparavelmente mais próximo da realidade. Um filme que cresceu com o passar do tempo mas sem qualquer indício de envelhecimento e que impressiona a cada revisão. Um dos meus westerns favoritos a que estou sempre pronto a regressar.

CURIOSIDADES:

- Segundo Gregory Peck, William Wyler pretendia que este filme fosse uma espécie de alegoria de esquerda ao tema da Guerra Fria. A relação entre os dois foi tão difícil durante a rodagem do filme que o realizador afirmou que nem por um milhão de dólares voltaria a dirigir Peck

- Na altura Burl Ives tinha 47 anos, apenas mais 11 do que Chuck Connors, que desempenha o papel de um dos seus filhos

1 comentário:

Billy Rider disse...

Grande e original western, sem dúvida!