Os valores que entram nesta tabela (em milhões de dólares) foram obtidos com o devido ajustamento à inflação - único processo que permite comparar as receitas obtidas por todos os filmes da história do cinema. As décadas de 60, 70 e 80 são as melhor representadas, com 4 filmes cada. E a dupla Spielberg-Lucas leva a parte de leão com 7 filmes, ou seja, 35% do total. Consequentemente, os géneros de aventura e ficção-científica assumem também a liderança. De assinalar ainda o cinema de animação, que consegue meter 3 títulos nesta tabela. De um modo geral são todos títulos que o público tem normalmente a noção de terem sido grandes êxitos, com excepção de "The Sting" e de "The Graduate", que confesso não estar à espera de ver num TOP 20 dos filmes mais lucrativos da história do cinema. Mas ainda bem: são dois belos filmes e é óptimo que tenham sido vistos assim por tanta gente.
quinta-feira, outubro 20, 2011
quarta-feira, outubro 19, 2011
1 ANO PRÓ FALCÃO
O blogue “O FalcãoMaltês”, da autoria de Antonio Nahud Jr., celebrou agora o primeiro ano de existência. Ainda um catraio, dirão alguns, mas a verdade é que os amantes do cinema clássico (o verdadeiro, o que vale a pena ser visto, revisto, apreciado e idolatrado), já não dispensa uma passagem semanal por aquele lugar. Nahud teve uma excelente ideia para comemorar esta data festiva: convidou 10 blogueiros a fazerem-lhe um conjunto de três perguntas cada um e depois respondeu a tudo, com muita franqueza e paixão cinéfila. O Rato Cinéfilo transcreve de seguida bocados dessa grande entrevista (quem a quiser ler na íntegra basta dar um salto ao “Falcão Maltês”):
- Nota-se a exposição de um vasto repertório em “O Falcão Maltês”, seja de fotos ou de informação sobre filmes, diretores e estrelas do cinema. O material é pesquisado apenas na web, ou você tem um arquivo pessoal? Fale mais sobre esse repertório apresentado, sobretudo referente aos filmes e estrelas do passado.
ANJ - Não deixo de pesquisar na web, Adalberto, mas boa parte do material postado neste blog vem do meu arquivo pessoal. Desde garoto, quando via os primeiros filmes, eu ia para casa rabiscar em cadernos sobre eles, completando essas anotações ingênuas com imagens recortadas em revistas ou jornais. Eu sempre li muito. Desde muito cedo. E comecei a gostar de cinema na mesma época, misturando tudo na minha cabeça. Logo passei a colecionar revistas de cinema, cartazes, figurinhas, livros etc. Até fazia ficha de filmes. Perdi muita coisa nessa minha vida cigana, morando em tantas cidades e países diferentes, mas ainda restou um farto acervo, do qual realmente me orgulho. Preservo uma coleção de cerca de três mil filmes, mais de uma centena de livros sobre cinema, inúmeras revistas e trilhas sonoras, além de pastas-arquivos abarrotadas de recortes.
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| "Rocco e Seus Irmãos", de Luchino Visconti |
- Comparando-se o cinema de hoje ao do passado, você acredita que ainda há lugar para a arte e a invenção?
ANJ - Nos últimos anos, como sabemos, a sensibilidade cultural caiu barbaramente, tornando ainda mais difícil a sobrevivência da arte inteligente e sofisticada, predominando o tolo, o perecível. O cinema também mergulhou nessa crise, mas alternativas positivas existem, mesmo com essa aparentemente irreversível decadência cultural. Já não há aquela efervescência cinematográfica em busca de um estilo, um movimento, ou mesmo da “obra perfeita”. Os cineastas de hoje não estão interessados em qualidade, mas em ganhar dinheiro e fama. São raros os que fogem dessa tendência. O que vale hoje é a cultura da celebridade, da vulgaridade televisiva. A mediocridade domina o mundo.
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| "O Sétimo Sêlo", de Ingmar Bergman |
- Quais os cinco melhores filmes na sua opinião afetiva?
ANJ - Tenho percebido que sempre que ouso listar os melhores de sempre, os filmes não são os mesmos das listas anteriores. Talvez eu seja meio volúvel, hoje Visconti, amanhã Bergman. Mas vamos lá. Fico com “Rocco e seus Irmãos / Roco e i Suoi Fratelli” (1960), de Luchino Visconti; “Rashomon / Idem” (1950), de Akira Kurosawa; “A Marca da Maldade / Touch of Evil” (1958), de Orson Welles; “Fausto / Faust – Eine Deutsche Volkssage” (1926) de F. W. Murnau; e “O Sétimo Selo / Det Sjunde Inseglet” (1956), de Ingmar Bergman.
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| "A Sede do Mal", de Orson Welles |
- Qual o pior cinéfilo, aquele metido a crítico, que observa cada detalhe para somente criticar cada um dele baseado em alguma regra cinematográfica (e ai de você se discordar dele) ou aquele que torce o nariz quando você lhe fala sobre um filme com mais de 10 anos de idade sem nem ao menos pensar se seria uma boa experiência vê-lo?
ANJ - Eu não entendo o cinéfilo que vive só de modismos ou blockbusters, esnobando o cinema clássico. É o mesmo que gostar de música e não ouvir jazz, bossa-nova, samba canção. Essa desinformação limita, não abre caminhos, não se sustenta. Tampouco compreendo o cinéfilo metido a crítico de cinema, analisando rigorosamente cada filme que vê sem qualquer preparo. Sei que não existe uma escola de crítica, onde se sai crítico de cinema, mas tal profissão não é fácil como muita gente pensa. O crítico deve ter, antes de mais nada, um repertório muito extenso da cinematografia e a capacidade de contextualizar os filmes no universo sócio-político-cultural em que eles se inserem. Ele também precisa investir na inteligência do leitor, despertando o interesse por textos elaborados. O que vejo em abundância nada mais é do que o triunfo da preguiça intelectual, o superficial que não satisfaz.
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| "Aconteceu no Oeste", de Sergio Leone |
- Tendo vivido na Europa, o que você acha do spaghetti-western?
ANJ - Tenho até vergonha de confessar, mas sinceramente não suporto o spaghetti-western, mesmo vendo talento em Giuliano Gemma, Franco Nero, Gian Maria Volonté e em alguns diretores como Sergio Corbucci ou Damiano Damiani. Toda a sua embalagem me parece primária, rude, improvisada, sem verdade ou emoção. Por achar o spaghetti-western tão oportunista e descartável, terminei por separar o Sergio Leone dessa febre cult sem estilo. “Era Uma Vez no Oeste / C’era una Volta Il West” (1968) é uma obra-prima memorável e o Leone, magistral. Ele não merece seguidores tão chinfrins.
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| "Do Céu Caíu Uma Estrela", de Frank Capra |
- Cite três filmes que influenciaram a sua vida
ANJ - “O Sétimo Selo”, de Bergman, tornou-me consciente da fragilidade da vida e do desequilíbrio humano. “A Felicidade Não se Compra / It’s a Wonderful Life” (1946), de Frank Capra, me fez crer na inocência e na generosidade como bens preciosos e em extinção. “A Noite / La Notte” (1961), de Antonioni, revelou-me que a solidão e a falta de comunicação são estigmas incontornáveis da humanidade.
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| "A Noite", de Michelangelo Antonioni |
- Diga o filme e a personagem (masculina ou feminina) que você mais gostaria de ter desempenhado no cinema e porquê.
ANJ - Gosto do Rick Blaine de Humphrey Bogart em “Casablanca” (1942), mesmo não me interessando muito pelo filme num todo. Acho comovente esse quarentão independente, rebelde, deslocado, solitário, sem esperanças, vivendo num país que não é o seu, percebendo a loucura generalizada e estrangulando-se emocionalmente pela recordação de um amor impossível. Cai como uma luva no meu estilo de vida.
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| "Casablanca", de Michael Curtiz |
- Acredito que o cinema, tal como o conhecemos durante as nossas vidas, tem os dias contados e não vai sobreviver no futuro. Imagine que você dispõe de uma máquina do tempo e pode ir ao ano 5000 dar uma palestra sobre o que era essa coisa da “Sétima Arte” dos séculos XX e XXI. Quais os cinco filmes que você levaria debaixo do braço para exemplificar o que era o Cinema nas suas diversas vertentes?
ANJ - Êta, amigo, tá complicado... Contar a história do cinema em cinco filmes não é fácil não... Vamos ver... Começaria com “Tempos Modernos / Modern Times” (1936), de Chaplin. Saltaria para “O Boulevard do Crime / Les Enfants Du Paradis” (1945), de Marcel Carné. Continuaria com o neo-realista “Ladrões de Bicicleta / Ladri di Biciclette” (1948), de Vittorio De Sica. Depois “2001 – Uma Odisséia no Espaço / 2001: A Space Odyssey” (1968), de Kubrick, e por fim, “Apocalipse Now / Idem” (1979), de Coppola.
- Se você tivesse que usar três substantivos para descrever "cinema"... quais usaria?
ANJ - Preto-e-branco, coração, memória.
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| "O Destino Bate à Porta", de Tay Garnett |
- Nós, muitas vezes, temos gostos completamente opostos em questão de atores/atrizes... Explique-me... por que Lana Turner?
ANJ - A questão da atração/afeição é inexplicável, misteriosa. Cada um tem os seus fetiches e sensações privadas. O mesmo acontece em relação ao universo cinematográfico. Muitas vezes nos encantamos por certos atores/atrizes sem nenhum talento especial e sem qualquer motivo aparente. Por exemplo, gosto demais do Tyrone Power e da Rita Hayworth, dois atores de talento limitado. Já outros - embora tenha consciência do talentos deles -, não consigo engolir, até incomodam, fico sempre pensando: "Esse personagem ficaria melhor na pele de tal ator. O filme cresceria muito mais". É o que sinto em relação a Jimmy Stewart, Doris Day, Tony Curtis, Julie Andrews, Sidney Poitier, John Wayne, June Allyson, Joan Collins, Dean Martin, entre outros. A Lana não faz parte do meu círculo de seletos, mas aprecio sua beleza sensual, o porte de diva, a trajetória perene e apaixonada. O autógrafo que tenho dela aconteceu mais por impulso. Ela estava no Festival de San Sebastian e eu a seguia com os olhos, procurando desvendar o mito. De repente, a estrela sorriu para mim, eu me aproximei e timidamente pedi um autógrafo. Na época, meu inglês era limitado e nem deu para confessar como sou fã de alguns de seus filmes.
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| "Amarcord", de Federico Fellini |
- Uma das minhas memória prediletas... você se lembra da primeira vez que entrou num cinema? Descreva sua sensação...
ANJ - A primeira vez realmente não me recordo. Nas defasadas matinês do cinema da minha cidade interiorana só exibiam reprises de filmes de Jerry Lewis, Elvis Presley, épicos (Hercules, Maciste etc.) e westerns italianos. Eu ia semanalmente assisti-los como quem ia à missa, bastante entediado. Tudo realmente começou na minha primeira sessão noturna, em um cinema de arte. Eu tinha doze anos e fui com meu pai assistir “Amarcord”. Fiquei enfeitiçado, estarrecido. Ainda mais que não havia nenhuma outra criança presente, somente adultos. Passei o resto da noite sem dormir, literalmente seduzido pela magia do bom cinema.
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| "Tempos Modernos", de Charles Chaplin |
quinta-feira, outubro 06, 2011
THE HOLE (2009)
MEDOS
Um filme de JOE DANTE
Com Chris Massoglia, Haley Bennett, Nathan Gamble, Teri Polo, Bruce Dern, Quinn Lord
EUA / 92 min / COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia em ITÁLIA a 11/9/2009
(Festival de Veneza)
Estreia nos EUA a 31/10/2009
(Festival AFI)
Estreia em PORTUGAL a 21/4/2011
Um filme de JOE DANTE
Com Chris Massoglia, Haley Bennett, Nathan Gamble, Teri Polo, Bruce Dern, Quinn Lord
EUA / 92 min / COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia em ITÁLIA a 11/9/2009
(Festival de Veneza)
Estreia nos EUA a 31/10/2009
(Festival AFI)
Estreia em PORTUGAL a 21/4/2011
«Cresci a adorar filmes de suspense e de criaturas. Na minha carreira já realizei uma série de filmes de terror e também sobre a adolescência, como “Gremlins”. Mas nenhum deles tinha a mesma mistura daqueles arrepios de nos fazer saltar da cadeira com elementos de drama humano como o que esta história me ofereceu.»
Joe Dante
Filmado no agora muito em voga 3D, “The Hole” não necessita desse complemento técnico para ser aquilo que é – um bom entretenimento de suspense genuíno. Aliás, diz quem viu, a versão em 3D fica muito aquém da versão “normal”, o que em nada vem abonar esta nova moda, feita exclusivamente a pensar em lucros adicionais. Pessoalmente recuso-me a ver tais filmes que, no meu entender, vêm desvirtuar o cinema, transformando-o numa mera atração de feira. Um pouco como acontecia com o Cinerama dos anos 50 e 60, mas sem as características espectaculares desse sistema. Já não bastavam os efeitos digitais, usados quase sempre despudoradamente, agora a grande indústria tenta também cativar os mais incautos com uma dimensão extra. Felizmente que a “novidade” não tem tido grande impacto junto do público e o mais natural será o seu desaparecimento a curto prazo.
Joe Dante tem passado a maior parte da sua carreira entretido com produções para televisão, sobretudo realizando episódios para séries. “CSI: Nova Iorque”, “Masters of Horror”, “Night Visions”, “Amazing Stories” ou “The Twilight Zone” (nova edição) são algumas dessas séries, de maior ou menor sucesso. A sua estreia no cinema data de 1978, com o filme “Piranha”, onde dirige Kevin McCarthy, o intérprete de “Invasion of the Body Snatchers”, após o que realizou alguns filmes durante a década de 80 e no domínio do fantástico, tais como “The Howling” (1981), “Gremlins” (1984), “Explorers” (1985) ou “Innerspace” (1987). Por causa desses títulos é vulgar designar-se o seu cinema como “terror familiar”, significando isso uma ausência de violência gráfica (o chamado gore), antes privilegiando a emoção e o suspense. Este “The Hole” não foge à regra, distanciando-se por isso das características mais comuns do filme de terror; apesar do seu início, já visto muitas dezenas de vezes – a mudança para uma nova casa de uma pequena família, aqui formada por uma mãe e dois filhos. Mas as semelhanças ficam-se por aqui.
Na cave da nova casa, os dois irmãos, Dane (Chris Massoglia) e Lucas (Nathan Gamble), descobrem, com a ajuda da nova vizinha, Julie (Haley Bennett) um misterioso buraco, fechado a sete chaves, que depois de aberto apresenta a inquietante particularidade de não ter fundo. Não, não é nenhum portal para o inferno, como os três adolescentes chegam a pensar, pelo menos aquele “inferno bíblico” povoado de diabretes. O inferno, aqui, são os medos pessoais de cada um, são os pesadelos mais sombrios e ocultos que se vão pouco a pouco materializando. Com argumento de Mark L. Smith, “The Hole” enquadra-se melhor no género do filme de aventuras, como aliás é compreensível face aos antecedentes de Dante, não descurando contudo todo um clima de grande suspense que mantém sempre alerta a atenção do espectador . De realçar ainda a fotografia e também uns cenários pouco vulgares neste tipo de produção, os quais, na parte final do filme chegam a invocar alguma pintura moderna, nomeadamente a de Salvador Dali.
domingo, outubro 02, 2011
RED RIDING HOOD (2011)
A RAPARIGA DO CAPUZ VERMELHO
Um filme de CATHERINE HARDWICKE
Com Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie
EUA - CANADÁ / 100 min / 16X9 (2.35:1)
Estreia nos EUA a 7/3/2011
Estreia em PORTUGAL a 14/4/2011
Um filme de CATHERINE HARDWICKE
Com Amanda Seyfried, Gary Oldman, Billy Burke, Shiloh Fernandez, Max Irons, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie
EUA - CANADÁ / 100 min / 16X9 (2.35:1)
Estreia nos EUA a 7/3/2011
Estreia em PORTUGAL a 14/4/2011
Resolvi alugar este filme por três razões: primeiro porque sou fã do fantástico e do filme de terror; depois porque tenho grande apreço pelo trabalho do actor inglês Gary Oldman; finalmente, confesso que estava muito curioso em ver como Julie Christie, uma das mulheres mais lindas do meu tempo (e a inesquecível intérprete de Lara do “Doutor Zhivago”) se encontrava aos 70 anos. Após uma (penosa) visualização, tive mesmo de me contentar apenas com a satisfação desta última curiosidade. Apesar de ter envelhecido com classe, não teria reconhecido a actriz se não soubesse que era ela quem interpretava a avózinha do capuchinho vermelho. No resto, nada se salva neste filme. O fantástico e o terror estão ausentes (muito por causa de um argumento sem pés nem cabeça, onde o maior interesse reside na resposta à questão «mas afinal quem é o lobo mau?», à semelhança da maior parte dos livros de Agatha Christie, onde o conhecimento de quem era o criminoso era sempre o momento mais ambicionado. Mas aqui nem sequer essa revelação funciona); as interpretações são do piorio (que tristeza ver Gary Oldman envolvido numa coisa destas); a realização e a montagem cumprem quase religiosamente a “regra dos planos de 3 segundos” (só tarde demais é que me dei conta do nome que assina este amontoado de imagens – Catherine Hardwicke, a mulher responsável pelo famigerado e inóquo “Twilight”). Com a agravante do embuste que é recorrer-se a uma fotografia “bonitinha” para camuflar todas as deficiências reinantes. Estou convencido que até o público (muito) adolescente a quem “Red Riding Hood” obviamente se destina, sentirá alguma dificuldade em retirar alguma satisfação do filme. Enfim, um produto perfeitamente escusado, que só vai engrossar o lote dos filmes que nos levam a acreditar na extinção da outrora chamada “Sétima Arte”. Lote esse que, infelizmente, não pára de crescer.
sexta-feira, setembro 30, 2011
FADOS (2007)
FADOS
Um filme de CARLOS SAURA
Com Mariza, Carlos do Carmo, Camané, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lila Downa, Toni Garrido, Lura, Argentina Santos, Catarina Moura, Cuca Roseta, Miguel Poveda
PORTUGAL - ESPANHA / 93 min / COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia no CANADÁ a 6/9/2007
(Festival de Toronto)
Estreia em PORTUGAL a 4/10/2007
Um filme de CARLOS SAURA
Com Mariza, Carlos do Carmo, Camané, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lila Downa, Toni Garrido, Lura, Argentina Santos, Catarina Moura, Cuca Roseta, Miguel Poveda
PORTUGAL - ESPANHA / 93 min / COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia no CANADÁ a 6/9/2007
(Festival de Toronto)
Estreia em PORTUGAL a 4/10/2007
Apresentado pela primeira vez ao público português numa estreia de gala em Lisboa, no dia 4 de Outubro de 2007, “Fados”, de Carlos Saura, tem alcançado um notório sucesso ao longo destes 4 anos, qualquer que seja o País em que seja apresentado. «Como é que um espanhol se atreve a vir a Portugal para fazer um filme sobre fados?», foi a pergunta colocada pelo próprio realizador nessa altura, considerando-se logo de seguida um felizardo por ter sido ele o autor de algo que nenhum português se tinha lembrado de fazer. Autor de outros filmes ditos musicais – “Carmen” (1983), “Sevillanas” (1992), “Flamenco” (1995) e “Tango” (1998) – Saura soube mostrar com inegável bom gosto a música e o mundo do Fado, por onde desfilam nomes que dispensam apresentação, quer da cena artística portuguesa quer da internacional. Mariza, Carlos do Carmo, Camané, a mexicana Lila Downs ou os brasileiros Caetano Veloso e Chico Buarque são alguns desses nomes.
Filme sem argumento, “Fados” é apenas uma colagem de momentos musicais, sem ter qualquer pretensão a documentário, como erradamente é comum apelidá-lo. O próprio Saura já desfez quaisquer dúvidas que pudessem existir ao declarar que a única coisa que procurou foi o prazer de escutar e difundir um género musical que se presta às variações mais diversas, desde a interpretação dita “clássica” ao mais verbal dos “hip-hop”. A propósito, esta peculiar interpretação (uma homenagem a Alfredo Marceneiro) tem arrepiado os ouvidos dos puristas mas, como muito bem lembrou Carlos do Carmo, o Ti Alfredo sempre foi um vanguardista e provavelmente teria apreciado tal ousadia. Mas passemos a palavra ao realizador espanhol:
«O cinema musical pode adoptar várias formas, mas considero que o seu estado mais puro é aquele que não se submete a um argumento do tipo narrativo. Neste caso, as histórias que se vão contar já se encontram nos próprios Fados e o material visual básico serão os fadistas, os músicos e os bailarinos que os interpretam. Porque se trata de fazer um filme sobre os Fados. Cresci com eles, com a voz e presença de Amália Rodrigues. Nos temas que não domino, procuro rodear-me dos melhores especialistas no tema. Assim fiz no passado e assim farei agora, nem que seja pelo respeito e pelo carinho que merece o nosso país vizinho, tão próximo e às vezes tão desconhecido.
Uma das vantagens de um musical, tal como o entendo, é a possibilidade de modificar a iluminação no caminho, de alterar cenários, utilizar todos os elementos modernos que temos à nossa disposição: espelhos de cristal e de plástico, luzes intermitentes, sombras, projecções, imagens digitais… A única obrigação é a de seguir o ritmo musical e não traír esse “tempo interno” que a execução, o canto, o bailado impõem por si só. Por outro lado, é necessário encontrar soluções que permitam ir um pouco mais além do que poderia resultar de um documentário bem realizado. Tem de se procurar “esse algo mais” que ofereça ao espectador uma perspectiva distinta, um enfoque diferente no desenvolvimento da obra, que o “guie” através de uns olhos que não são os seus.
Não se trata de fazer um filme sobre a história e a evolução do Fado, e muito menos de fazer uma visita aos lugares onde se canta o Fado em Lisboa (o que já foi feito em outras ocasiões), trata-se de fazer um filme essencialmente visual, pelo que é necessário encontrar as imagens que transmitam o ritmo necessário: uma vezes pela surpresa, outras pela beleza plástica e outras pela qualidade dos fados e dos fadistas. Um aspecto que tenho procurado sempre nos meus trabalhos musicais é o de abrir novas perspectivas, ou seja, ancorar onde o Fado se abre para o futuro. Este é um tema delicado, mas que trataremos com muito respeito, buscando novos caminhos e orientações.
O fado identifica-se principalmente pela saudade: a nostalgia daqueles que ficaram em Portugal com a recordação daqueles que atravessaram os mares para não voltar e dos que partiram com a recordação da terra onde nasceram. Daí o cruzamento de ritmos e músicas entre a Europa, América e África numa incessante viagem de ida e volta. Hoje encontramos essa saudade tão portuguesa: tristeza, melancolia e lamento nas letras e na forma de cantar os Fados. São, na minha opinião, os Fados mais bonitos e existem centenas de exemplos maravilhosos. Por outro lado, não descuramos canções e bailes festivos (alguns já esquecidos no Portugal actual) e que quisemos recuperar e actualizar, pois estão relacionados com a evolução do Fado»
É costume cantar-se o Fado de olhos fechados, mas este filme de Carlos Saura merece ser visto de olhos bem abertos. Entre o genérico inicial (“Fado da Saudade“, de Carlos do Carmo) e o final (“Ó Gente da Minha Terra”, de Mariza), são 18 quadros musicais, com cenários simples mas eficazes, que cumprem a missão de ceder o foco principal à música e aos seus intérpretes. Todos eles de grande qualidade, mas é justo destacarem-se as prestações de Mariza no tema “Transparente”, impregnado de matizes moçambicanas; de Lila Downs na feliz recriação do fado de Lucília do Carmo, “Foi na Travessa da Palha”; de Caetano Veloso na pungente versão de “Estranha Forma de Vida” (uma sentida homenagem à grande Amália) e aquele magnífico quadro final, onde se recria o ambiente de uma casa de fados típica (a reter as vozes de Carminho e Ricardo Ribeiro, as novissimas vozes do Fado).
“Fados” já se encontra disponível em DVD – aconselha-se obviamente o Blu-Ray – e entre os diversos extras é de destacar uma tertúlia muito especial onde, à volta de uma mesa, alguns dos intervenientes no filme vão conversando descontraidamente com o jornalista Nuno Galopim, quer sobre o filme quer sobre outros assuntos. São cerca de 90 minutos de interessante e animada cavaqueira, no decorrer da qual ainda somos brindados com 4 temas, interpretados ao vivo por cada um dos fadistas presentes.
A banda-sonora encontra-se disponível neste blogue
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sexta-feira, setembro 23, 2011
BIO-FILMO: ANTHONY PERKINS
Nascido a 4 de Abril de 1932, em Nova Iorque
Falecido a 12 de Setembro de 1992, em Hollywood
«I have learned more about love, selflessness and human understanding from the people I have met in this great adventure in the world of AIDS than I ever did in the cutthroat, competitive world in which I spent my life»
Existem actores que passam ao lado de uma grande carreira no cinema e que no entanto são recordados para sempre por causa de um único filme. Anthony Perkins foi um desses actores e “Psycho”, do mestre Alfred Hitchcock, foi, obviamente, o filme que em 1960 lhe trouxe a fama eterna (seriam feitas mais duas sequelas e um terceiro filme para televisão, mas todos eles perfeitamente escusados). Admirador confesso de Orson Welles (com quem rodou um dos seus filmes mais conhecidos, “The Trial”) e de Elvis Presley (deu o nome do Rei do Rock ao filho mais velho, nascido em 1976), Perkins nasceu em Nova Iorque, a 4 de Abril de 1932 (no mesmo dia do que o realizador soviético Andrei Tarkovsky). Filho único, teve problemas do foro psíquico desde muito novo, o que o levou a submeter-se por várias vezes a tratamentos específicos.
O pai, James Osgood Perkins, actor teatral relativamente conhecido na Broadway, morreu quando Perkins tinha apenas 5 anos. Educado pela mãe, estuda no Brown College e no Nichols Institute de Palm Beach, na Florida, e mais tarde inscreve-se no Rollins College (1951-1952) e na Columbia University (1952-1953). Inicia-se nos palcos em companhias de amadores e, nos meses de Verão, em grupos profissionais. Estreia-se no cinema em 1953 e durante três anos desempenha diversos papeis em séries televisivas. Pouco antes de acabar os estudos, é chamado à Broadway pela Playwright’s Company para interpretar, ao lado de Joan Fontaine, a peça “Chá e Simpatia”, como substituto de John Kerr. Em 1956 regressa ao cinema pela porta grande, pois seria nomeado para o Oscar de melhor actor secundário pelo filme “Friendly Persuasion”, de William Wyler, uma história de Quakers passada em 1862, e na qual Perkins desempenha o papel do filho de Gary Cooper.
Anthony Perkins foi um homem sensível e inteligente que sofreu bastante ao longo da sua vida, quer no campo pessoal quer no profissional, no qual foi usado (e abusado) pelos tubarões de Hollywood que o obrigaram a desempenhar papeis em filmes que ele sabia de antemão não terem qualquer valor artístico, conforme desabafou mais tarde numa entrevista: «I spent a couple of years playing parts in which I was supposed to be a decisive person, but all the while I was in torment over the feeling of being a total cipher. It just about paralysed me.»
Durante a sua carreira viria a ganhar diversos prémios de interpretação, como o Globo de Ouro em 1957 (actor mais promissor) e o troféu Edar Allen Poe em 1974 (pelo filme “The Last of Sheila”). Foi distinguido ainda como o melhor actor do Festival de Cannes de 1961 (por “Goodbye Again / Aimez-Vous Brahams?”). Entre 1962 e 1971, Perkins desenvolveu uma bela carreira na Europa, tendo oportunidade de actuar sob a direção de cineastas prestigiados, tais como Claude Chabrol, André Cayatte, René Clément, Anatole Litvak, Jules Dassin, Orson Welles, Edouard Molinaro, entre outros.
Depois de ter mantido um caso com a actriz Victoria Principal no final dos anos 60, Perkins veio a casar-se com a fotógrafa de modas Berinthia Berenson, irmã de outra conhecida actriz (Marisa Berenson) a 9 de Agosto de 1973. Do casamento, que durou 19 anos, até à morte do actor em 1992, nasceram dois filhos. Apesar desse lado familiar, Perkins sempre manifestou tendências homossexuais ao longo da vida, o que o levou a ser contaminado com o vírus da SIDA, em 1989 (o actor só aceitou realizar as respectivas análises depois da saída de um artigo no jornal “National Enquire” que o dava como bi-sexual e relatava o seu envolvimento, no passado, com o actor Tab Hunter, o bailarino Rudolf Nureyev e o dançarino-coreógrafo Grover Dale). A mulher, Berry, viria a falecer tragicamente a 11 de Setembro de 2001 – ia a bordo do primeiro dos fatídicos vôos que embateram no World Trade Center, em Nova Iorque. Como curiosidade, assinala-se ainda a ordenação de Perkins como ministro da Paz, tendo celebrado o quarto casamento de Dennis Hopper, em 1989.
Para além da sua carreira no cinema, Anthony Perkins editou ainda três albuns de canções: “Tony Perkins” (Epic LN-3394, 1957), “From My Heart” (RCA Victor LPM-1679, 1958) e “On a Rainy Afternoon” (RCA Victor LPM-1853, 1958) e diversos singles, tendo um deles, “Moonlight Swim”, atingido o TOP 30 da Billboard, em 1957. Disponibiliza-se aqui uma coletânea que inclui o primeiro album, e uma série de temas editados no pequeno formato de 45 rpm: salientam-se os últimos quatro, que apareceram num raro Extended Play de 1961, gravado em francês.
1992 – Los Gusanos No Llevan Bufanda
1991 – Der Mann Nebenan
1989 – Edge of Sanity / À Beira da Loucura
1988 – Destroyer / A Sombra do Assassino
1986 – Psycho III / Psico III
1984 – Crimes of Passion / As Noites de China Blue
1983 – Psycho II / Psico II
1980 – Double Negative
1979 – The Black Hole / Abismo Negro
1979 – Twee Vrouwen
1979 – Winter Kills / Pela Mira da Espingarda
1979 – North Sea Hijack / Assalto no Alto Mar
1978 – Remember My Name / Recorda o Meu Nome
1975 – Mahogany
1974 – Murder on the Orient Express / Crime no Expresso do Oriente
1974 – Lovin’ Molly
1972 – The Life And Times of Judge Roy Bean / O Juiz Roy Bean
1972 – Play It s It Lays
1971 – Quelqu’un Derrière la Porte / Dívia de Ódio
1971 – La Décade Prodigieuse / A Década Prodigiosa
1970 – WUSA / Muro de Separação
1970 – Catch 22 / Artigo 22
1968 – Pretty Poison / Doce Veneno
1967 – Le Scandale / Champanhe Escandaloso
1966 – Paris Brûle-t-il? / Paris Já Está a Arder?
1965 – The Fool Killer
1964 – Une Ravissante Idiote / Uma Encantadora Idiota
1963 – Le Glaive et la Balance
1962 – Le Couteau Dans la Plaie / A Fronteira da Noite
1962 – The Trial / O Processo
1962 – Phaedra / Fedra
1961 – Goodbye Again (Aimez-Vous Brahms?) / Mais Uma Vez Adeus
1960 – Psycho / Psico
1960 – Tall Story / Adeus, Inocência
1959 – On the Beach / A Hora Final
1959 – Green Mansions / A Flor Que Não Morreu
1958 – The Matchmaker / Viva o Casamento
1958 – Desire Under the Elms / Desejo Debaixo dos Ulmeiros
1958 – This Angry Age / Esta Terra Amarga
1957 – The Tin Star / Sangue no Deserto
1957 – Fear Strikes Out / Vencendo o Medo
1957 – The Lonely Man / O Cavaleiro Solitário
1956 – Friendly Persuasion / Sublime Tentação
1953 – The Actress / A Actriz
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