Mostrar mensagens com a etiqueta 2012. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2012. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 20, 2013

THE CABIN IN THE WOODS (2012)

A CASA NA FLORESTA
Um Filme de DREW GODDARD



Com Kristen Connolly, Chris Hemsworth, Anna Hutchison, Richard Jenkins, Sigourney Weaver, etc.

EUA / 95 min / COR / 16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA a 9/3/2012 
(South by Southwest Film Festival)
Estreia em PORTUGAL a 15/8/2012



Ontem à noite, farto de tanto debate político, apeteceu-me ver um qualquer filme inconsequente, daqueles que entretêm durante duas horas mas que depois vão rapidamente para o baú do esquecimento. Ainda estive para me levantar do sofá e ir buscar um DVD que se adequasse ao meu estado de espírito na altura. Mas reparei que num dos canais de cinema estava a começar um filme de terror que nunca tinha visto, chamado "The Cabin in the Woods / A Casa na Floresta". Como sou fã do género, deixei-me ficar. Depressa constatei que esse meu acto de preguiça me iria custar caro. Até que não estava nos dias mais exigentes, um filmezinho normal, mesmo cheio de clichés, seria bem-vindo. Mas aquilo que se anunciava como a clássica casa isolada, mais ou menos assombrada, que vai dizimando as visitas indesejáveis (como "Cabin Fever", uma das melhores referências desse tipo de filmes), começou a seguir por diferentes e tortuosos caminhos, combinando um voyeurismo laboratorial com a execução programada de uma qualquer carnificina. Com direito a apostas e tudo.


Confesso que sou completamente alérgico à Teresa Guilherme e à sua "Casa dos Segredos". E não se trata de uma mera alergia psicológica, chega mesmo a incomodar-me fisicamente. Mesmo em zapping acelerado, quando tenho a má sorte de por lá passar, parece que o comando perdeu de repente velocidade, tal a ânsia de mudar de canal rapidamente. Este "The Cabin in the Woods" é algo assim, directamente inspirado em um qualquer reality-show acéfalo de que o meio televisivo usa e abusa em todo o lado. Por entre uma fotografia que oscila entre o branco inodoro do laboratório, onde os técnicos controlam as cobaias que lhes caíram nas mãos, e o negrume mais baço da floresta, onde não se consegue ver a ponta de um corno, o filme vai evoluindo numa espiral de efeitos digitais, sempre gratuitos e muito mal enjorcados, que no limite denotam uma falta angustiante de ideias.


Estamos no mundo delirante do vale-tudo, com um argumento sem pés nem cabeça, grotescamente filmado, e onde abundam sequências abjectas, que roçam a pornografia imagética. Não sei se foi intenção dos responsáveis por esta "coisa" o esforçarem-se por atingirem o grau zero da qualidade em filme. Mas que o conseguiram, conseguiram, não tenho qualquer dúvida sobre isso. Dizer que "The Cabin in the Woods" é o pior filme de terror de sempre é dizer muito pouco e é ofender um género que mesmo no seu pior consegue interessar os incondicionais fans do género, onde eu me incluo. "The Cabin in the Woods" é um dos piores filmes de sempre, e não me lembro, assim de repente, de qualquer outro título que com ele consiga disputar tal ceptro. E por último, uma interrogação: o que é que actores como Richard Jenkins ou Sigourney Weaver andam por ali a fazer?


quarta-feira, outubro 02, 2013

THE WORDS (2012)

AS PALAVRAS
Um Filme de BRIAN KLUGMAN e LEE STERNTHAL



Com Bradley Cooper, Jeremy Irons, Dennis Quaid, Zoe Saldana, John Hannah, Ben Barnes, Nora Amezeder, Olivia Wilde, etc.

EUA / 102 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 27/1/2012 
(Sundance Film Festival)
Estreia em PORTUGAL a 1/11/2012



«We all make our choices in life.
The hard thing to do is live with them»

Há filmes assim, de que pouco ou nada ouvimos falar, e que nos passam completamente ao lado, arriscando um anonimato precoce. Felizmente não foi o caso. Mesmo com um ano de atraso deparei-me uma destas noites com este “The Words”, enquanto fazia o meu zapping habitual pelos canais de cinema. A cena envolvia Jeremy Irons, um dos meus actores de cabeceira, e como não fazia a mínima ideia de que filme se tratava, resolvi premir o botãozinho mágico do comando e começar a ver o filme desde o início. Em boa hora tomei tal decisão, pois caso contrário deixaria de ver um filme interessantíssimo.

Estreia na realização dos argumentistas Brian Klugman (intérprete também de várias séries televisivas) e Lee Sternthal, “The Words” tem como ponto de partida um facto verídico ocorrido em 1922, ano em que a mulher de Ernest Hemingway perdeu vários manuscritos do escritor que se encontravam dentro de uma mala, numa estação ferroviária de Paris. Apesar de se ter tratado de um roubo, consta que ele nunca mais lhe perdoou. Aliás, existe uma cena do filme em jeito de homenagem, onde se mostra a casa onde Hemingway viveu na capital francesa.

“The Words” começa com a apresentação do best-seller de um escritor, Clay Hammond (Dennis Quaid, um actor em via descendente) no auditório de uma livraria em Manhattan. O enredo do livro diz respeito também a um escritor, Rory Jansen (Bradley Cooper, que, “ressacas à parte”, se impõe cada vez mais como um dos melhores actores da sua geração), personagem que tem muito (ou quase tudo) de auto-biográfico, como mais tarde iremos descobrir. Não se conseguindo impor no mundo literário, vivendo à custa do pai, Rory decide casar-se com Dora (Zoe Saldana) e o casal vai passar a lua-de-mel a Paris.

Numa loja de antiguidades descobrem uma pasta bastante antiga que Dora decide oferecer ao recém-marido. Regressados a Nova Iorque a vida retoma a rotina e a frustração do dia-a-dia, com o casal cada vez mais endividado. Numa noite de insónia, ao arrumar uns papeis na pasta, Rory descobre no forro um manuscrito muito antigo, cuja qualidade literária o apaixona. Após algumas hesitações, a obsessão toma conta dele, e começa a transcrever todo o livro para o computador, sem alterar em nada o conteúdo, nem sequer a pontuação ou os erros gramaticais. Leva o “novo” trabalho ao responsável da editora onde trabalha, que de imediato se oferece para o publicar. Escusado será dizer que o livro se torna um best-seller e Rory atinge a celebridade de um dia para o outro.

Só que…, e aqui se inicia a segunda parte da leitura de Clay Hammond, entra em cena um velho – designado por the old man – que se vem a revelar como o verdadeiro autor da obra. Segue Rory até Central Park e, num banco de jardim, conta-lhe toda a sua história, passada no pós-guerra e que esteve na origem da escrita do livro, que ele julgava perdido para sempre. A partir daqui todos os cenários, todas as consequências de tal revelação poderão ser possíveis.

Mas propositadamente não quero revelar esse epílogo, em consideração pelas pessoas que ainda não viram o filme – e que devem ser muitas. Este novo personagem, interpretado pelo veterano actor britânico Jeremy Irons, é razão mais do que suficiente para se assistir ao filme, dada a enorme qualidade da sua prestação, toda ela pautada por grande sobriedade. Chego-me a interrogar se “The Words” seria o mesmo filme sem a presença de Irons; julgo que não, que seria algo completamente diferente.

Mas para uma primeira obra, os estreantes Klugman e Sternthal não se saíram nada mal. O filme está muito bem realizado, o argumento - que concilia inteligentemente o drama e o romance – é dinâmico e envolvente, mantendo o interesse do princípio ao fim (apesar daquela sequência final ser um pouco extensa), os actores são de primeira água, como acima já se referiu (excepção feita a Dennis Quaid), a cinematografia, de Antonio Calvache e, sobretudo, a excelente banda – sonora (música assinada pelo compositor Marcelo Zarvos) contribuem decisivamente para conferir a “The Words” um lugar de destaque na produção norte-americana dos últimos anos. A não perder!