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terça-feira, agosto 05, 2025

MEET JOE BLACK (1998)

CONHECE JOE BLACK?
Um filme de MARTIN BREST




Com Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani, Jake Weber, Marcia Gay Harden, Jeffrey Tambor, etc.

EUA / 178 min / COR / 
16X9 (1.85:1)


Estreia nos EUA a 2/11/1998
Estreia em PORTUGAL a 15/1/1999



Joe Black: «Thank you for loving me»

Confesso, desde já, que me foi muito difícil e moroso travar conhecimento com Joe Black. Na primeira vez que lhe fui apresentado, corria a segunda quinzena do mês de Janeiro de 1999, practicamente não olhei para ele. Durante a maior parte dos 180 minutos que o encontro durou, estive completamente distraído com a minha vizinha do lado, uma rabiteza muito especial que nessa viragem do século me acompanhava em tudo e mais alguma coisa. Aconteceu na última fila de uma sala practicamente deserta do Oeiras Parque, numa matiné de fim de tarde. Mais tarde, e porque o pouco que consegui vislumbrar do filme me pareceu indigno da minha falta de atenção, resolvi voltar a ele uns dias depois, então já sózinho e sem distracções, para poder finalmente conhecer esse tal de Joe Black.



"Meet Joe Black" é um filme curioso que se desenvolve a partir de um argumento baseado numa peça de teatro levada originariamente ao cinema em 1934: "Death Takes a Holiday", realizado por Mitchell Leisen e com Fredric March no protagonista. Mais tarde, em 1971, seria ainda feita uma versão vídeo com Melvyn Douglas e Myrna LoyWilliam Parrish (Anthony Hopkins), multimilionário à beira de completar o seu 65º aniversário pressente a vinda da morte. Só que, desta vez, a premonição habitual vai mais além e manifesta-se mesmo materialmente. A Morte entra-lhe em casa e na vida do dia-a-dia, personificada num corpo de homem recém-falecido num acidente de viação - chegou Joe Black (Brad Pitt).

O objectivo final é logicamente o acompanhamento na derradeira viagem mas, por curiosidade, a Morte decide atrasar um pouco a partida para em troca conhecer o modo de vida dos humanos. E tudo não passaria de um simples contrato de adiamento se essa vida fosse linear, sem altos nem baixos, desprovida de sensações. Mas como rapidamente a Morte percebe, a vida humana é completamente o oposto, complicada, cheia de nuances e paixões. E o inevitável acontece: Joe Black apaixona-se, descobre a razão principal da vida na pessoa da filha mais nova do seu anfitrião, Susan (Claire Forlani).

"Meet Joe Black", nas suas 3 horas de duração, não é um filme de fácil aceitação - ou se gosta muito ou se detesta. Considerado por muita crítica como um dos piores filmes do ano (teve mesmo alguns "prémios" especiais a distingui-lo nesse sentido), foi por outro lado muito bem aceite pelo público, que nele encontrou razões de sobra para de algum modo se rever nos anseios e esperanças de uma vida que vale a pena ser (bem) vivida enquanto dura: «Love is passion. Obsession. Someone you can't live without. Someone you fall head over heels for. Find someone you can love like crazy, and will love you the same way back. Listen to your heart. No sense in life without this. To make the journey without falling deeply in love, you haven't lived a life at all. You have to try, because if you haven't tried, then you haven't lived».

"Meet Joe Black" conta sobretudo com um naipe de actores de primeira água que conferem a necessária credibilidade ao argumento e de que é justo destacar Claire Forlani no papel de Susan Parrish, a mulher capaz de fazer atrasar a Morte na sua eterna caminhada. E pelas melhores razões. Duas sequências são mesmo inesquecíveis: o primeiro encontro com Brad Pitt (antes de assumir a personagem de Joe Black) no coffee shop, logo no início do filme, e sobretudo a pungente cena final de despedida que certamente ficará na história como uma das mais belas cenas de amor do cinema.

Uma referência final para a excelente banda-sonora, da autoria de Thomas Newman ("The Shawshank Redemption") e onde se encontram também referências obrigatórias da música americana, de Gershwin ("Our Love is Here to Stay") a Irving Berlin ("Let's Face the Music and Dance", "Cheek to Cheek"), passando por Jerome Kern / Oscar Hammerstein II ("Can't Help Loving That Man") e Richard Rodgers / Lorenz Hart ("Where or When"). De salientar, no genérico final, uma brilhante interpretação de Israel Kamakawiwo'ole de "Over the Rainbow / What A Wonderful World". Quem tiver interesse em escutar esta banda-sonora alargada, poderá fazer o respectivo download: https://www.mediafire.com/file_premium/miglhvnq48ydsqp/MJBOST.rar/file



sábado, agosto 01, 2015

MAGIC IN THE MOONLIGHT (2014)

MAGIA AO LUAR
Um filme de WOODY ALLEN




Com Colin Firth, Emma Stone, Eileen Atkins, Simon McBurney, Marcia Gay Harden, Erica Leerhsen, etc.

US-UK / 97 min / COR / 
16X9 (2.35:1)

Estreia nos EUA: 25/7/2014
Estreia em Portugal: 4/9/2014


Stanley: «I can't forgive you, only God can forgive you»
Sophie: «But you said there is no God»
Stanley: «Precisely my point»


 Esta comédia de Woody Allen traz-me ao pensamento o poema-canção de Jacques Brel, "Dites, Si C'était Vrai", onde o genial compositor belga se interroga sobre a veracidade de alguns acontecimentos bíblicos (o nascimento de Cristo, os Reis Magos ou o ressuscitar de Lázaro, por exemplo), para concluir: «Si c'était vrai tout cela / Je dirais oui / Oh, sûrement je dirais oui / Parce que c'est tellement beau tout cela / Quando on croit que c'est vrai». Ou seja, uma metáfora sobre o verdadeiro significado das coisas, que só passam a existir para nós quando nelas acreditamos. Tal como Stanley Crawford (Colin Firth) é convencido dos poderes extra-sensoriais de Sophie (lindissima Emma Stone, cuja bela actuação é claramente influenciada por Diane Keaton, antiga musa de Allen), facto que de certo modo o alivia, por poder assim entregar-se aos prazeres mundanos, sem a companhia incómoda do racional e da lógica das coisas.


Uma das frases-feitas que nos habituámos a ouvir ao longo da vida é aquela que refere que "felizes são os ignorantes ou os pobres-de-espírito". Que é necessária uma dose de auto-engano para nos sentirmos bem, conosco ou com os outros. Ou que a ingenuidade infantil deverá ser preservada na idade adulta. "Magic In The Moonlight" fala-nos um pouco de tudo isso e, como o próprio título sugere, dá-nos a receita: o segredo para experimentarmos um pouco de felicidade está mesmo na magia. Não na magia do ilusionismo (do qual Stanley é um conhecedor exímio), mas na outra, na magia dos sentimentos, que não se consegue explicar, que é avessa a qualquer lógica ou método racional (e nesta, Stanley é um completo analfabeto): «I have irrational positive feelings for Sophie Baker», confessa ele à tia, bastante incomodado.


A verdadeira magia acontece justamente quando Stanley (um profissional que se disfarça de chinês - o grande Wei Ling Soo - para actuar um pouco em todo o mundo em espectáculos de ilusionismo) se vê encurralado num beco sem saída, passando a questionar todas as suas convicções devido às emoções inéditas que ameaçam preencher-lhe o vazio interior, até ali imune a qualquer investida mais importante. Stanley, adepto ferveroso das doutrinas de Nietzsche, é um inglês arrogante e narcisista, com uma enorme aversão aos falsos-espíritas. Persuadido por um velho amigo, Stanley parte em cruzada para a Côte d'Azur dos anos 20,  determinado a desmacarar uma jovem americana, conhecida por ter grandes poderes extra-sensoriais na comunidade local. Mas aquilo que de início parecia uma tarefa fácil, começa a revelar-se problemática, visto Sophie Baker parecer efectivamente ter o condão de adivinhar factos do passado e até estabelecer contacto com o mundo do Além. Mas nem tudo o que parece, é...



"Magic In The Moonlight" não pretende ir mais além nos seus propósitos: os de ser uma comédia romântica, muito agradável de se ver (apesar dos seus "altos e baixos"), e com um lote de óptimos intérpretes (o nome de Colin Firth é por si só uma boa garantia, mas quero destacar também a veterana Eileen Atkins, que aos 80 anos compõe a deliciosa personagem da tia Vanessa) e ainda uma banda-sonora repleta de standards da época, como aliás é característico dos filmes de Woody Allen. Só não gostei da cinematografia, que aposta nos tons berrantes e ultra-saturados. Percebe-se a ideia de realçar o romantismo dos anos 20, mas penso que foi uma opção errada, e que leva a que algumas sequências estejam bastante escuras. A escolha oposta teria, a meu ver, valorizado muito o filme.




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