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terça-feira, junho 17, 2025

L'EMMERDEUR (1973)

O CHATO
Um Filme de ÉDOUARD MOLINARO



Com Lino Ventura, Jacques Brel, Caroline Cellier, Jean-Pierre Darras, Nino Castelnuovo, Angela Cardile, etc.

FRANÇA-ITÁLIA / 85 min / COR / 
16X9 (1.66:1)

Estreia em FRANÇA a 20/9/1973
Estreia nos EUA a 31/7/1975


«Quando aceitei participar no filme não conhecia sequer o argumento. Mas Molinaro e Ventura, dois bons amigos, perguntaram-me se o queria fazer com eles. Disse logo que sim, porque para mim o mais importante são as pessoas com quem trabalho». Esta declaração de Jacques Brel dizia respeito à sua participação em "L’Emmerdeur", uma história baseada na peça "Le Contrat", de Francis Véber (responsável também pelo argumento), que coloca em confronto dois universos completamente distintos, dois homens sem qualquer tipo de afinidade entre eles. Tal disparidade é como introduzir o vaudeville dentro de um film noir. Uma missão que poderia parecer impossível à partida, mas que resulta em cheio quando o filme se estreia, em Setembro de 1973. A crítica da altura é unânime em considerar que em "L’Emmerdeur" Jacques Brel tem o melhor papel da sua carreira. Podia ler-se no jornal La Libre Belgique de 11 de Outubro, por exemplo: «Le film doit beaucoup à l’interprétation de Jacques Brel, qui a trouvé ici son meilleur rôle à l’écran et nous donne certainement son interprétation la plus attachante. Notre compatriote incarne avec énormément de présence et de sensibilité, le personnage du “crampon”, être tout ensemble minable et insupportable, naïf et rusé, misogyne et tendre; il faut dire que ce personnage lui sied comme un gant: l’homme semble s’y être projeté autant que le comédien». Enorme sucesso de público também, "L’Emmerdeur" faria 600.000 entradas apenas em Paris, na altura da estreia.


Mas recordemos o enredo principal: o filme começa com um atentado à vida de Louis Randoni, uma testemunha importante de um julgamento; mas a explosão do seu veículo mata a pessoa errada. Entra em cena Ralf Milan (Lino Ventura), um assassino contratado para endireitar as coisas. Depois de saldar as contas com o bombista, o passo seguinte é eliminar a testemunha incómoda. Com esse objectivo, Milan instala-se num hotel de Montpellier, com janela para o tribunal onde Randoni irá prestar declarações. Entretanto, chega também ao mesmo hotel François Pignon (Jacques Brel), que se instala no quarto vizinho. Pignon atravessa uma depressão por ter sido abandonado pela mulher e o seu intuito é apenas um: suicidar-se. Tenta enforcar-se na casa-de-banho, mas o cano cede, provocando uma fuga de água. O garçon do hotel (Nino Castelnuovo) quer chamar a polícia, o que contraria os propósitos de monsieur Milan, que promete tomar conta de Pignon. Mas este não desiste da ideia de suicídio, o que irá ocasionar uma série de transtornos ao plano arquitectado para eliminar a testemunha.


"L’Emmerdeur" é uma comédia delirante, que fecha com chave de ouro a carreira de Brel no cinema, a ponto de hoje o título ser imediatamente evocativo da sua imagem e da excelência do desempenho da sua personagem, um Pignon duzentos por cento prestativo que acaba por fazer desabar toda a fortaleza granítica de um assasino profissional, o duro monsieur Milan, personagem caracterizada também de maneira fabulosa por esse grande actor que foi Lino Ventura. Ao lado deles é justo destacar ainda Jean-Pierre Darras, no papel do novo amante da mulher (Caroline Cellier) de Pignon, e o já mencionado Nino Castelnuovo, actor que vimos em filmes bastante famosos, como "Rocco e Seus Irmãos" ou "Les Parapluies de Cherbourg". Mas são as impressionantes prestações de Brel e Ventura que conferem a "L' Emmerdeur" um lugar de destaque em toda a história da comédia no Cinema.


CURIOSIDADES:

- Juntamente com François Rauber, Brel compôs dois temas para o filme: "La Scocciatrice (L' Emmerdeuse)" e "Knokke-Le-Zoute"

- Édouard Molinaro aparece como barman na cafetaria. E há um momento em que tem um LP de Brel nas mãos.

- Em 1981 Billy Wilder filmaria nos EUA a remake do filme, "Buddy Buddy", com Jack Lemmon, no papel do suicida e com Walter Matthau no do assassino.


quinta-feira, junho 27, 2019

ASCENSEUR POUR L’ÉCHAFAUD (1958)

FIM-DE-SEMANA NO ASCENSOR
Um Filme de LOUIS MALLE

FRANÇA / 91 min / 
P&B / 16x9 (1.66:1)

Com Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Georges Poujouly, Yori Bertin, Yván Petrovich, Elga Andersen, Lino Ventura, Charles Denner, etc.

Estreia em FRANÇA a 29/1/1958
Estreia em PORTUGAL a 4/5/1959



Vencedor do Prémio Louis Delluc, para o melhor filme francês rodado em 1957 (entre Setembro e Novembro), “Ascenseur Pour L’Échafaud / Fim-de-Semana no Ascensor” é a primeira longa-metragem de Louis Malle, realizada logo após o realizador ter trabalhado com Jacques Cousteau no documentário “Le Monde du Silence”. Malle tinha na altura 25 anos e esta sua estreia é vista como cartão de visita à introdução da Nouvelle Vague no cinema francês. O filme aborda uma intriga policial em ambientes “à americana”, enveredando por um ambiente de film-noir, em que o pano de fundo é magistralmente pautado pelo trompete de Miles Davis, convidado expressamente por Malle para compor a banda sonora. O músico gravaria toda a música em poucas horas, numa madrugada que duraria até às 5 da manhã, acompanhado por um quarteto de músicos franceses e americanos.


“Ascenseur Pour L’Échafaud” é um thriller bastante original, no qual Julien Tavernier (Maurice Ronet), fruto de um descuido após assassinar o patrão, negociante de armas e marido de Florence, a sua amante (Jeanne Moreau), fica preso no elevador do edifício, tentando contornar o destino. Os caminhos que irão conduzir ao desfecho desse destino, que desde muito cedo se adivinha inevitável, serão percorridos por outros personagens numa história paralela, que se irá entrelaçar com o tema principal. Jeanne Moreau, que percorre as ruas de Paris durante grande parte do desenrolar do filme, é filmada admiravelmente por Louis Malle, que contrapõe planos gerais a belíssimos grandes planos do rosto da actriz (sem make-up), pontuado por uma complexidade de emoções, em que o desespero assume o papel principal. Curiosamente, os dois principais personagens nunca são filmados juntos, apenas comunicam por telefone no início do filme e são vistos em fotografias no final.


"Ascenseur Pour L’Échafaud" é o filme que lança Jeanne Moreau para o estrelato (nesse mesmo ano de 1958 a actriz seria de novo filmada por Malle em “Les Amants”), e marca um ponto de viragem, numa altura em que vários criadores da Nouvelle Vague se afirmavam no panorama do cinema francês - logo no ano seguinte, 1959, seriam rodadas as primeiras longas-metragens de Godard (“À Bout de Souffle”), Truffaut (“Les Quatre-Cent Coups”) e Alain Resnais (“Hiroshima, Mon Amour”).