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quinta-feira, novembro 25, 2021

CINEMA PARADISO (1988)

CINEMA PARAÍSO

Um filme de GIUSEPPE TORNATORE


Com Philippe Noiret, Jacques Perrin, Antonella Attili, Marco Leonardi, Agnese Nano, Pupella Magio, Salvatore Cascio, Leopoldo Trieste, Brigitte Fossey, etc.

ITALY-FRANCE / 173m / 

COR / 16X9 (1.66:1)

Estreia em ITÁLIA a 17/11/1988

Estreia em PORTUGAL a 19/1/1990 (Amoreiras, Londres e Quarteto)

Quando o filme teve a sua première no Festival do Filme Europeu, no dia 29 de Setembro de 1988, em Bari, tinha 173 minutos de duração. A 17 de Novembro desse mesmo ano, estrear-se-ia em Itália numa versão de 155 minutos. O sucesso não foi famoso, o que levou à sua retirada das salas de cinema. No ano seguinte, o filme concorreu ao Festival de Cannes numa versão ainda mais curta (124 minutos) onde, surpreendentemente, conseguiu vencer o Prémio Especial do Júri. Em 1990 ganha o Oscar para o melhor filme estrangeiro, bem como o correspondente Globo de Ouro; e em 1991, em Inglaterra, arrebata 5 BAFTAS, num total de 11 nomeações. Devido às sucessivas distinções, um pouco por todo o mundo, e depois do lançamento em video, o filme volta a ser distribuído na sua versão original (173 minutos), rebaptizada de Director's Cut. Obviamente é esta versão completa que todos os espectadores deverão ver, até porque esses 50 minutos a mais são essenciais para uma compreensão total desta obra-prima inesquecível.


Tudo começa por um telefonema: de uma velha mãe na Sicília para o filho em Roma. Este é um afamado realizador de cinema, Salvatore Di Vita (Jacques Perrin), que construiu todo o seu império cinematográfico na capital italiana; e que há 30 anos que não regressa à sua terra natal, Giancaldo (nome fictício). Quando chega a casa, madrugada dentro, a companheira ocasional, já deitada, informa-o do telefonema da mãe: «confundiu-me com outra, mas eu não a contradisse, para evitar mal-entendidos.» «Alguma coisa importante?», pergunta-lhe Salvatore, «Não, nada de especial... Ah sim, disse que morreu um tal de Alfredo, e que o funeral é amanhã. Conheces?» «Não, dorme, dorme...», virando-se para o lado. Na penumbra apercebemo-nos de que não é verdade, de que ele sabe de quem se trata, pois vemos os olhos húmidos de Salvatore, acusando a grande tristeza que aquela notícia lhe trouxe.


A partir daqui o filme entra em flash-back contínuo. Estamos em Giancaldo, nos finais dos anos 40. Totó (Salvatore Cascio), assim o tratam em criança, é um miúdo traquinas de 9 ou 10 anos, que vive com a irmã mais nova e a mãe, uma viúva ainda esperançosa de que o marido regresse da Frente Russa. Totó é um obsecado pelos filmes que passam semanalmente no cinema da pequena aldeia, o Cinema Paradiso, e por isso passa a maior parte do tempo na sala e sobretudo na cabine, onde o projeccionista, Alfredo (Philipe Noiret), se tenta desembaraçar do miúdo, quase sempre sem êxito. Aos poucos a relação entre os dois evolui para uma cumplicidade afectiva, onde o cinema está sempre presente, quer na máquina de projectar quer nos filmes que vão desfilando pelo écran.


Para além de ser o representante da igreja em Giancaldo, o padre local (Leopoldo Trieste) é o censor de serviço; por ele passam em primeira visão os filmes a estrearem, e é ao som da sua sineta que os cortes das cenas mais imorais (beijos, sobretudo) se vão sucedendo. E o padre é mesmo eficaz! Nunca, em vinte anos de cinema, aquela sala conseguiu ver um beijo que fosse. A intenção de Alfredo é sempre a de recolocar os cortes nos seus devidos lugares antes do filme ser devolvido. Mas de boas intenções está o inferno cheio e a falta de paciência e de tempo ocasiona que o trabalho fica quase sempre incompleto e os fragmentos de fita vão ficando espalhados por ali. Para grande alegria de Totó que os vai surrupiando para, noite dentro e já em casa, imaginar mil aventuras à luz da lamparina.


A infância de Totó vai-se desenrolando com muitas peripécias pelo meio, até que uma noite deflagra um grande incêndio na cabine de projecção. Totó consegue salvar Alfredo (que no entanto fica cego), mas o cinema não resiste e fica completamente destruído. É o fim das alegrias das gentes da aldeia, é a primeira morte daquele lugar de sonhos. Mas o desânimo é algo ultrapassável, por não terem chegado ainda os tempos da televisão e das cassetes. Por isso só uma coisa é necessária: dinheiro! E ele aparece, nas mãos de um sortudo habitante local, conhecido pelo "napolitano", que meses antes tinha ganho a lotaria nacional. Graças a ele o cinema é reconstruído, agora com o nome de Nuovo Cinema Paradiso, e uma bela noite é inaugurado com toda a pompa e circunstância.


Totó é agora o projeccionista de serviço, mas a sua relação com Alfredo ainda mais se acentua devido à cegueira deste último. E há um plano magnífico, quando a mão de Alfredo tacteia  a face do garoto e depois se afasta, dando a conhecer um novo rosto, o rosto de um Salvatore com alguns anos mais, já adolescente (Marco Leonardi). A infância terminou, vai começar a idade da adolescência. Com o aparecimento da nova sala há algo que se perde. Felizmente! Acaba a censura, por iniciativa do novo proprietário, cuja ambição é facturar cada vez mais, a ponto de abrir uma nova sala nos arredores da vila. O filme é que tem de ter apenas uma única cópia (para o lucro ser maior) e as bobines passam a viajar de bicicleta de uma sala para a outra, com algumas peripécias pelo caminho. Com a abolição da censura começam-se a ver no écran coisas inimagináveis há poucos anos atrás e as reacções das plateias adequam-se a todas as modificações que lhes passam pelos olhos; até uma fila inteira de jovens é apanhada a masturbar-se diante da imagem de nudez da Brigitte Bardot que aparece na tela.

Salvatore desenvolve novas aptidões e começa a filmar um pouco por todo o lado com a sua nova máquina de 8 mm. Até que um belo dia uns olhos azuis e uns cabelos louros lhe aparecem de repente na lente. É a filha do novo gerente bancário da cidade, chama-se Elena (Agnese Nano) e será, a partir desse momento, o centro das atenções de Salvatore. É o primeiro amor a despontar. Um primeiro amor juvenil e arrebatador, que nada tem a ver com o sexo (nesse capítulo Salvatore tem a sua iniciação entre as pernas da prostituta de serviço, entre duas coxias da sala deserta do cinema). Mas a diferença de classes afasta os dois apaixonados e depois de cumprir um ano de serviço militar, Salvatore perde por completo o rastro de Elena. Abandono? Ou um terrível equívoco? É o que veremos na terceira e última parte de "Cinema Paraíso".


Mas antes quero recordar aqui as últimas palavras ditas por Alfredo a Salvatore na estação, antes da partida deste para Roma: «Sai daqui, vai-te embora para Roma! És jovem e o mundo é teu. Eu sou já um velho. Não te quero ouvir mais. Quero é que os outros falem de ti. Não voltes! Não penses em nós! Não olhes para trás! Não escrevas! Não te entregues à nostalgia! Esquece-nos a todos! Se por acaso voltares, não me venhas ver, não te deixarei entrar em minha casa. Entendes?» O comboio afasta-se, sobrepondo-se ao avião que traz Salvatore de volta a Giancaldo, trinta anos depois. O motivo invocado não é o funeral do velho projeccionista, o real motivo é a morte deste, pois só assim o regresso de Salvatore pode ser legitimado.


Aliás, é a morte que impera em todos os epílogos que Salvatore vai enfrentar, a começar logo pelas gentes da terra: os que ainda não desapareceram estão velhos, quase irreconhecíveis. Os locais estão diferentes, desajustados, com carros por todo o lado (mesmo que o maluquinho continue a reclamar a praça só para si), a vida que dantes existia encontra-se agonizante. O cinema Paradiso está encerrado, decrépito, a aguardar pelo golpe final de misericórdia. Tudo tresanda a morte e a destruição. No meio do cortejo fúnebre, uma breve paragem diante do edifício do cinema: a custo, muito devagar, um pequeno olhar de Salvatore para o que em tempos idos foi o seu palácio dos sonhos. Irá lá mais tarde, sózinho, para uma última despedida.


Em casa da velha mãe («em garoto já te julgava idosa, nunca reparei que eras tão bonita»), Salvatore encontra o seu quarto intacto, com os seus pequenos filmes, a máquina de 8 mm e a de projectar, os quadros na parede a testemunharem toda uma vida. E a sua Elena, que será feito dela? Mais tarde, num café, reconhecem-no e pedem-lhe um autógrafo. Do lado de fora passa um vulto que o deixa estupefacto: a rapariga que vislumbra numa motoreta é o retrato fiel da sua antiga apaixonada. Presume que será a filha e segue-a no automóvel. Finalmente chega à residência da jovem e vê-a saír com o pai, que reconhece como um antigo colega de escola. É pelo apelido que encontra o nº de telefone e à segunda tentativa consegue ganhar coragem para falar. Pede a Elena, à sua Elena (Brigitte Fossey) que se encontre com ele. Ela diz que não, que já passou muito tempo, que está velha. Salvatore desespera e arranca de carro para um local onde costumávam passar horas a fio. No espírito de Elena a vontade vence a razão e vai mais tarde ao encontro de Salvatore.

O reencontro dos dois apaixonados é de uma ternura sem limites. Salvatore fica a saber que o grande culpado pela separação deles foi Alfredo, que lhe mentiu para que ele pudesse viver a sua vida livremente, sem remorsos pelo passado. Diz que o odeia, mas Elena fá-lo ver que o velho projeccionista foi a única pessoa que o compreendeu e o incentivou a realizar os filmes que tantas alegrias deram a tanta gente.
«Elena, talvez no futuro pudessemos...» 

«Não, Salvatore, não há futuro. Apenas existe o passado. 
Até o nosso encontro de ontem à noite foi apenas um sonho. Um sonho maravilhoso. 
Quando éramos jovens, nunca o tínhamos feito. Lembras-te? 
Agora que aconteceu, não consigo imaginar um final mais feliz.»

«Nunca concordarei contigo. Nunca!»


Antes do regresso a Roma, à sua vida de todos os dias, Salvatore Di Vita testemunha, com um grupo de antigos e assíduos espectadores, a implosão do Cinema Paradiso (que dará lugar a um parque de estacionamento). É um dos momentos mais emotivos de todo o filme, onde cada olhar, cada estremecimento, denota em cada um daqueles seres a angústia e a tristeza profundas por verem desaparecer em poucos segundos o edifício que tinha sido para todos eles a sua segunda casa. Mas um filme que tem por base o cinema, não poderia acabar assim, de forma tão derrotista. E, efectivamente, vamos ter direito a um outro final, um final que entrará facilmente na galeria dos melhores finais de toda a história do cinema. Após a chegada a Roma, com uma bobina enorme debaixo de braço (oferecida pela viúva de Alfredo, como sendo o seu último pedido), Salvatore isola-se no seu pequeno estúdio e pede que lhe projectem o filme. E, para seu espanto, começa a ver uma sucessão de imagens, aparentemente sem nexo: Alfredo fez a montagem de grande parte das imagens proibidas o longo dos anos; são beijos atrás de beijos, de todas as maneiras e feitios. Salvatore encosta-se à cadeira, braços atrás da cabeça, espelhando no sorriso e nos olhos húmidos toda a emoção e felicidade por aquele último gesto de quem, afinal, só lhe quis bem durante toda a vida. Ouve-se a belissima partitura musical de Ennio Morricone, a qual, aliás, é uma componente fundamental de todo o filme.

"Cinema Paradiso" fará, certamente, as delícias de todos os cinéfilos do mundo. Por mim fez ainda um pouco mais, servindo de mola impulsionadora, que me permitiu realizar os dois maiores sonhos da minha vida: o regresso à minha terra natal e a possibilidade de poder reaver o meu primeiro e grande amor de juventude. Ambos esses sonhos foram superados, trazendo-me duas componentes muito fortes de uma felicidade que então pensava não poder já atingir em toda a sua plenitude.
 
Finalmente regressei a ti,
mulher da minha juventude florida.
Foi longa a separação
mas nem todos os anos de ausência
chegaram para te esquecer.
E agora,
na hora do nosso (re) encontro,
em que todas essas recordações
verteram dos meus olhos,
eu tive a certeza que também tu
estiveste sempre à minha espera.

Grazie, Signore Giuseppe Tornatore, por ter escrito e realizado uma obra tão magnífica e fundamental do cinema, que certamente revolucionou os sonhos de tanta, tanta gente. É que, como disse uma querida amiga minha, «Há momentos que, por força da sua força, não passam impunemente pelo tempo.»

segunda-feira, outubro 21, 2013

REAZIONE A CATENA (1971)

BAY OF BLOOD /
REACÇÃO EM CADEIA
Um Filme de MARIO BAVA


Com Claudine Auger, Luigi Pistilli, Claudio Volonté, Anna Rosati, Chris Avram, Leopoldo Trieste, Laura Betti, Brigitte Skay, Isa Miranda, Paola Rubens, etc.


ITÁLIA / 84 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia em ITÁLIA a 8/9/1971

Estreia nos EUA a 3/5/1972


«I make horror movies. My aim is to scare people, 
yet I’m a fainthearted coward. 
Maybe that’s why my movies turn out 
to be so good at scaring people»
(Mario Bava)

Falecido em 1980, com 65 anos, Mario Bava é hoje considerado um dos mestres do cinema fantástico europeu. De entre a enorme legião de fans que o realizador italiano seduz um pouco por todo o mundo, há a realçar alguns nomes mais conhecidos e as suas opiniões sobre o seu universo fílmico. Martin Scorsese, por exemplo, diz amar os filmes de Bava, sobretudo pela atmosfera que eles exalam. Joe Dante declarou certa vez que nenhum outro cineasta filmava a morte de forma tão apaixonada. Já Tim Burton, um dos mais criativos autores da nova geração, elegeu “La Maschera Del Demonio” como sendo o seu filme favorito.


“Reazione A Catena”, que literalmente significa “Reacção em Cadeia”, mas que já teve variadissimas designações (muito provavelmente será o filme a que mais títulos foram atribuídos) conforme os países em que foi exibido (“Bay of Blood”, “Twitch of the Death Nerve, “Antefatto – Ecologia Del Delitto”, “A Mansão da Morte”, "Banho de Sangue", “Carnage”, entre muitos outros), é uma metáfora sobre homens e insectos. Ou, mais precisamente, sobre como os humanos, quando destituídos das suas regras morais se parecem com aqueles invertebrados. Não será por acaso que logo a abrir o filme nos mostre o vôo de uma mosca invisível que morre durante o trajecto, caíndo nas águas da baía onde irão acontecer todas as treze mortes das personagens de “Reazione A Catena”.


Mortes essas que ocorrem pelos mais diversos motivos e das formas mais variadas. Pessoas que começamos por julgar inocentes, mas que, após a queda das máscaras, se irão revelar como merecedoras da morte mais violenta. Não existe, em toda a galeria dos personagens do filme, um único que desperte a simpatia ou sequer a comiseração do espectador. Todos sem excepção são cruéis e interesseiros, que não hesitam em se matarem uns aos outros. Mesmo o descuido das últimas duas mortes (Bava conclui o seu filme com um toque de humor, obviamente...negro) não acarreta qualquer remorso aos seus pequenos autores, que alegremente correm banhar-se nas águas da baía.


Visto actualmente, a quatro décadas de distância, não espanta que “Reazione A Catena” tenha sido um fracasso de bilheteira em 1971. Com toda a certeza foi encarado nessa altura como um objecto raro e estranho, dada a sua exarcebação pela violência gratuita, mesclada com um certo erotismo e corrupção da carne. Hoje são precisamente esses aspectos que fazem do filme de Bava um clássico do género, por se reconhecer nele o percursor dos chamados slasher movies norte-americanos onde inevitavelmente ocorre uma morte sangrenta a cada cinco minutos. Mas contrariamente a estes filmes, hoje tão comuns, onde se morre por razões morais ou arbitrárias, no filme de Bava é a cobiça que se encontra na origem das execuções, e que faz de “Reazione A Catena” uma visão extremamente negra da sociedade italiana.





A morte da primeira vítima, a paraplégica condessa Federica Donati (Isa Miranda), às mãos do próprio marido (que logo de seguida é também ele apunhalado), dá o mote para os assassínios que irão ocorrer ao longo do filme – é toda uma teia de intrigas que faz lembrar as tragédias gregas, ao evidenciar o ridículo das ambições humanas. No fim todos os culpados são vítimas e vice-versa. No maquiavelismo dos protagonistas não existem diferenças, todos são iguais no Mal que os alimenta. Tal como o faria qualquer entomologista, Bava estuda e dirige as suas marionetas num universo mórbido em que não existe escapatória possível, interrogando-se sobre a oposição entre o primitivo e o civilizado, e sobre as origens maléficas do ser humano. Cegado pela sensação de poder, convencido da superioridade da inteligência, o indivíduo esquece-se de que não passa de um ser vivo entre tantos outros, integrado num gigantesco ciclo biológico onde o predador se torna também na presa.


“Reazione A Catena” é um dos filmes mais conhecidos e controversos de Mario Bava e aquele que certamente mais influenciou o género do terror, logo no início dos anos 70 (em 2005, a revista Total Film incluíu-o na lista dos melhores 50 filmes de terror de todos os tempos); e o crítico Gary Johnson afirmou tratar-se do filme mais imitado das últimas quatro décadas. Mas ao longo dos anos “Reazione A Catena” foi alvo dos mais variadissimos cortes, consoante o peso das censuras dos Países por onde foi sendo exibido. Na estreia, no Festival de Avoriaz, o actor Christopher Lee (o Drácula de tantos filmes da Hammer), abandonou a sala de projecção revoltadissimo com o que acabara de ver. É por isso de saudar, para gáudio de todos os admiradores da obra de Mario Bava e deste filme em particular, a edição em Blu-Ray de uma cópia integral e remasterizada. A editora responsável é a Arrow Video, que lançou o DVD no mercado nos fins do ano passado. Inclui também a versão italiana (com cores mais saturadas mas infelizmente não beneficiando do tratamento digital), meia dúzia de posters (dois deles desdobráveis em formato grande), um comentário audio de Tim Lucas e diversos documentários. Tudo devidamente legendado em inglês. Imprescindível!