segunda-feira, outubro 15, 2012

ANIVERSARIANTES DA SEMANA:


Dia  16:  Tim Robbins (54 anos)
Dia  16:  Angela Lansbury (87 anos)
Dia  16:  Fernanda Montenegro (83 anos)
Dia  17:  Margot Kidder (64 anos)
Dia  18:  Jean-Claude Van Damme (52 anos)
Dia  18:  Cornelia Sharpe (69 anos)
Dia  18:  Chuck Berry (86 anos)
Dia  19:  John Lithgow (67 anos)
Dia  19:  Tony Lo Bianco (76 anos)
Dia  20:  Viggo Mortensen (54 anos)
Dia  20:  Tom Petty (62 anos)
Dia  21:  Carrie Fisher (56 anos)

sexta-feira, outubro 12, 2012

THE GRADUATE (1967)

A PRIMEIRA NOITE 
Um filme de MIKE NICHOLS



Com Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross, William Daniels, Murray Hamilton, Elizabeth Wilson, Buck Henry, Norman Fell

EUA / 105 min / COR /
16 X 9 (2.35:1)

Estreia nos EUA: 22/12/1967
(New York)


Benjamin: "For god's sake, Mrs. Robinson. Here we are. You got me into your house. You give me a drink. You... put on music. Now you start opening up your personal life to me and tell me your husband won't be home for hours"
Mrs. Robinson: "So?"
Benjamin: "Mrs. Robinson, you're trying to seduce me"
Mrs. Robinson: [laughs] "Huh?"
Benjamin: "Aren't you?"

Segunda longa-metragem de Mike Nichols (a estreia ocorrera no ano anterior com "Who's Afraid of Virginia Wolf? / Quem Tem Medo de Virginia Wolf?"), este pequeno filme de modesto orçamento, estreado nos EUA poucos dias antes do Natal de 67, viria a tornar-se um campeão de bilheteiras em todo o mundo durante o ano de 1968. Vários factos contribuiram para tal sucesso. Em primeiro lugar a época em que o filme apareceu: estava-se no final dos anos 60, a contestação estudantil pairava no ar (Maio de 68 estava mesmo ali, à esquina) e o filme, sem ser panfletário (não se fala do Vietname e dos hippies, da segregação racial ou dos direitos das mulheres, tudo temas tão em voga na altura), abordava na sua essência todo um conflito de gerações.
Benjamin Braddock, recém formado, regressa a casa um pouco mais do que preocupado com o seu futuro. À sua espera encontra-se um modo de vida estereotipado, simbolizado no sucesso económico dos pais e dos amigos. E o seu destino está já traçado, não parecendo haver fuga possível, mesmo que ele se refugie no fundo da piscina do jardim. Toda a primeira parte do filme trata de cedência; cedência a um mundo de facilidades, de convenções. Mesmo a relação com mrs. Robinson é uma relação de cedência: ao sexo fácil, à monotonia, ao deixar andar. Depois aparece Elaine e tudo muda. A cena na cozinha onde Ben comunica aos pais a sua decisão é paradigmática. Contra tudo e contra todos (até contra a própria Elaine), Ben resolve partir em busca de algo mais, que espera conseguir com a ajuda da única pessoa junto à qual se sente bem. Ao fim e ao cabo, é o passo para diante, na direcção dos sonhos e das aspirações que existem em cada um de nós. É por isso que a cena citada da cozinha é tão importante, mesmo fundamental para o sucesso do filme; ela marca o ponto de viragem, do não retorno.


Outro grande trunfo do filme é o naipe dos intérpretes escolhidos. Dustin Hoffman, na altura um ilustre desconhecido de 30 anos, dá-nos um adolescente de 21 anos perfeito nas suas dúvidas e temores, apesar de ir contra a imagem descrita no livro e que os produtores procuravam na altura: alguém de porte atlético, louro e de olhos azuis, tipo surfista californiano (Robert Redford chegou a ser contactado mas declinou o convite por considerar não ter a ingenuidade requerida para o personagem). De um dia para o outro Dustin Hoffman tornou-se uma star, mesmo não tendo conseguido o Oscar para o qual foi nomeado (o vencedor viria a ser Rod Steiger no filme "In The Heat of The Night / No Calor da Noite").


Anne Bancroft (na realidade apenas 6 anos mais velha do que Dustin, embora no filme a diferença seja propositada e substancialmente mais acentuada), já com uma carreira premiada de 15 anos (vencedora do Oscar de Actriz Principal em 1963 por "The Miracle Worker / O Milagre de Ann Sullivan" e nomeada na mesma categoria em 1965 por "The Pumpkin Eater") consegue transmitir-nos sobretudo a tristeza do personagem, para além do carácter manipulativo e sem escrúpulos do mesmo. Também nomeada, viria de igual modo a perder para Katharine Hepburn (no filme "Guess Who's Coming to Dinner / Adivinha Quem Vem Jantar").


Katharine Ross, na beleza tranquila dos seus 25 anos, viria também a ser nomeada na categoria de Actriz Secundária (e à semelhança dos seus colegas também perderia a ambicionada estatueta para Estelle Parsons no filme "Bonnie & Clyde"). Quem saíria vencedor do Civic Auditorium de Santa Monica (onde a 10 de Abril de 1968 os Oscars de 67 foram atribuídos), e logo à segunda nomeação consecutiva, foi Mike Nichols, pela brilhante realização conseguida.


Aos 36 anos Mike Nichols abraçava um projecto muito mais pessoal do que o seu primeiro filme, conferindo-lhe uma série de inovações técnicas e de estilo (com a preciosa ajuda do consagrado fotógrafo Robert Surtees, responsável por filmes como "Quo Vadis?", "Mogambo" ou "Ben-Hur") que ainda hoje, passados 50 anos, continuam a mostrar a razão pela qual "The Graduate" foi um filme visualmente tão diferente na sua época (tendo influenciado, pela sua abordagem cinemática, dezenas de fotógrafos e realizadores) e que com o passar do tempo atingiu o estatuto de clássico absoluto.




Finalmente, é de destacar ainda um dos motivos pelo qual "The Graduate" é famoso: as canções de Paul Simon, interpretadas por Simon & Garfunkel. "The Sounds of Silence", "April Come She Will", "Scarborough Fair / Canticle" ou "Mrs. Robinson" (a única escrita de propósito para o filme e mesmo assim parcialmente, já que a versão completa só foi editada em single após a estreia e o subsequente êxito do filme) são usadas como contraponto da acção, sendo a primeira vez que um filme tinha como suporte musical um conjunto de temas pop. Era um sinal bem claro de como Nichols entendia o espírito dos tempos, entendimento esse que iria fazer de "The Graduate" um marco na história do Cinema.





CURIOSIDADES:

- Na primeira cena passada no quarto de hotel, não estava previsto no roteiro que Benjamin colocasse a mão sobre um dos seios de Mrs. Robinson. Tratou-se de uma improvisação de Dustin Hoffman que de imediato originou um coro de gargalhadas no plateau. O próprio actor não se conteve e para evitar o riso deu meia volta e foi bater com a cabeça na parede. Toda a sequência ficou de tal maneira hilariante que Mike Nichols a aproveitou integralmente na montagem final.

- A famosa perna de Mrs. Robinson que aparece no cartaz do filme e que constitui uma das imagens mais famosas em termos publicitários, não pertence na realidade a Anne Bancroft, mas sim a Linda Gray, modelo na altura e que mais tarde viria a interpretar a personagem de Mrs. Robinson numa versão musical em Londres.

- Jeanne Moreau, Judy Garland, Susan Hayward e Ava Gardner foram algumas das actrizes que chegaram a ser equacionadas para o papel de Mrs. Robinson. E Ronald Reagan para o papel de Mr. Braddock.

- O carro que Dustin Hoffman conduz é um Alfa Romeo Spider 1600, modelo de 1966.

- Em 2007 o American Film Institute classificou "The Graduate" em 17º lugar na tabela dos melhores filmes de todos os tempos.






LOBBY CARDS:

BANDA-SONORA ORIGINAL:

E aqui fica o link directo para o comentário que Sérgio Vaz 
fez sobre o filme no seu blogue "50 Anos de Filmes"

segunda-feira, outubro 08, 2012

ANIVERSARIANTES DA SEMANA:


Dia    8:  Matt Damon (42 anos)
Dia    8:  Sigourney Weaver (63 anos)
Dia    8:  Chevy Chase (69 anos)
Dia    8:  Jean-Jacques Beineix (66 anos)
Dia    9:  Guillermo Del Toro (48 anos)
Dia    9:  Sean Lennon (37 anos)
Dia    9:  Peter Coyote (71 anos)
Dia  10:  Jessica Harper (63 anos)
Dia  11:  Joan Cusack (50 anos)
Dia  12:  Aurore Clément (67 anos)
Dia  13:  Melinda Dillon (73 anos)
Dia  13:  Paul Simon (71 anos)
Dia  13:  Dusan Makavejev (80 anos)
Dia  13:  Nana Mouskouri (78 anos)
Dia  14:  Roger Moore (85 anos)
Dia  14:  Cliff Richard (72 anos)

segunda-feira, outubro 01, 2012

ANIVERSARIANTES DA SEMANA:


Dia  1:  Julie Andrews (77 anos)
Dia  1:  Randie Quaid (62 anos)
Dia  1:  Stella Stevens (76 anos)
Dia  1:  Jean-Jacques Annaud (69 anos)
Dia  2:  Sting (61 anos)
Dia  3:  Clive Owen (48 anos)
Dia  3:  Neve Campbell (39 anos)
Dia  3:  Chubby Checker (71 anos)
Dia  4:  Susan Sarandon (66 anos)
Dia  4:  Alicia Silverstone (36 anos)
Dia  4:  Christoph Waltz (56 anos)
Dia  4:  Armand Assante (63 anos)
Dia  5:  Guy Pearce (45 anos)
Dia  5:  Kate Winslet (37 anos)
Dia  5:  Karen Allen (61 anos)
Dia  5:  Bob Geldorf (61 anos)
Dia  5:  Marie Laforêt (73 anos)
Dia  6:  Elizabeth Shue (49 anos)
Dia  6:  Britt Ekland (70 anos)
Dia  7:  John Cougar Mellencamp (61 anos)

sexta-feira, setembro 28, 2012

THE MILLENNIUM TRILOGY (2009)

MILLENNIUM 1: MÄN SOM HATAR KVINNOR / OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES
Um filme de NIELS ARDEN OPLEY

Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Sven-Bertil Taube, Peter Haber, Peter Andersson, etc.

SUÉCIA - DINAMARCA - ALEMANHA - NORUEGA / 152 min (180) / COR / 
16X9 (2.35:1)
Estreia na SUÉCIA e DINAMARCA a 27/2/2009
Estreia em PORTUGAL a 24/9/2009
Estreia no BRASIL a 23/10/2009
Estreia nos EUA a 7/11/2009



MILLENNIUM 2: FLICKAN SOM LEKTE MED ELDEN / A RAPARIGA QUE SONHAVA COM UMA LATA DE GASOLINA E UM FÓSFORO
Um filme de DANIEL ALFREDSON

Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Andersson, Michalis Koutsogiannakis, Annika Hallin, Sofia Ledarp, Jacob Ericksson, etc.

SUÉCIA - DINAMARCA - ALEMANHA / 
129 min COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia na SUÉCIA e DINAMARCA a 18/9/2009
Estreia em PORTUGAL a 25/3/2010
Estreia nos EUA a 9/7/2010



MILLENNIUM 3: LUFTSLOTTET SOM SPRÄNGDES / A RAINHA NO PALÁCIO DAS CORRENTES DE AR
Um filme de DANIEL ALFREDSON

Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Annika Hallin, Jacob Ericksson, Sofia Ledarp, Anders Ahlbom, Micke Spreitz, etc.
SUÉCIA - DINAMARCA - ALEMANHA / 
147 min / COR / 16X9 (1.85:1)
Estreia na SUÉCIA e DINAMARCA a 27/11/2009
Estreia nos EUA a 13/10/2010
Estreia em PORTUGAL a 29/9/2011




Stieg Larsson, escritor e jornalista sueco, nasceu a 15 de Agosto de 1954 e faleceu novo, com apenas 50 anos, a 9 de Novembro de 2004, vítima de ataque cardíaco: o stress permanente, o fast-food e os muitos maços de tabaco diários foram algumas das causas que levaram ao seu desaparecimento precoce, sem sequer se ter podido aperceber do enormíssimo sucesso da sua trilogia "Millennium" (que Larsson tinha projectado expandir até aos 10 volumes) nos quatro cantos do mundo. Os três livros continuam a vender como pãezinhos quentes, tendo nos finais de 2011 atingido a incrível cifra dos 65 milhões de exemplares, num total de 46 países. Só na Dinamarca (país de pouco mais de 5 milhões de habitantes), a trilogia vendeu cerca de 1 milhão, o que a tornou a obra mais vendida de sempre, ultrapassando até a própria Bíblia.

Quando tinha apenas 15 anos, Larsson testemunhou a violação de uma rapariga por um grupo nazi. Chamava-se Lisbeth e a ocorrência marcou-o para sempre - ao longo da vida, Larsson foi sempre um defensor acérrimo dos direitos das mulheres e um implacável inimigo de todas as ideologias de direita, nomeadamente o nazismo. Essas duas directrizes mestras orientaram o seu trabalho futuro nas vertentes de escritor, jornalista e activista político, sendo a trilogia "Millennium" um espelho perfeito de todas as suas ideias e convicções. Eva Gabrielsson foi a sua companheira durante 32 anos, não se tendo nunca casado por razões de segurança (Larsson recebia frequentemente ameaças de morte de grupos de extrema-direita devido ao seu trabalho como jornalista na revista “Expo”). Por essa razão, e devido à lei sueca, toda a fortuna póstuma de Larsson reverteu para o pai e o irmão, e Eva não teve direito a nada.

Segundo a nota editorial, "Millennium" não é um livro policial no sentido habitual do termo. O estilo de Stieg Larson é minucioso, detalhado, lento. Como se dispusera de todo o tempo do mundo para apresentar aos leitores as personagens e tudo o que as rodeia. Detalhes, pequenas histórias, situações paralelas, descrições exaustivas. Como referiu Helena Vasconcelos no jornal “Público”, «Larsson cria um retrato poderoso e fiel deste tempo conflituoso e inquietante em que as mulheres são abusadas e as crianças e animais sujeitas a violência e maus tratos. [...] apesar deste policial ser duro e feroz com os ingredientes que são próprios do género, a verdade é que o autor não negou a sua cultura, mostrando uma preocupação saudável em relação aos problemas de consciência social e política com um olhar extremamente perspicaz no que diz respeito às várias patologias da mente do homem e da mulher contemporâneos.»

Mikael Blomqvist (Michael Nykvist), jornalista e sócio-fundador da revista "Millennium", dedica a sua vida a denunciar o crime e a corrupção que minam a sociedade sueca. Como resultado, tem vários inimigos e é tido como culpado num caso de difamação. Um dia é procurado por Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), um conhecido empresário, obcecado em deslindar o mistério em torno do desaparecimento da sua sobrinha, há mais de 40 anos. Vanger acredita que alguém da família poderá estar relacionado com o desaparecimento de Harriet, cujo corpo nunca foi encontrado. O empresário faz então uma proposta irrecusável ao jornalista: dá-lhe acesso total à sua vida, documentação pessoal e dados familiares em troca da solução para o caso. Com a ajuda de Lisbeth Salander (Noomi Rapace), uma hacker profissional com um passado misterioso, Mikael vai-se envolver na história da sua vida.

Neste primeiro filme da trilogia, “Os Homens Que Odeiam as Mulheres”, o enredo à la Agatha Christie é apenas um pretexto para introduzir o público àquilo que realmente interessa: a relação entre Mikael e Lisbeth, sendo esta última um dos personagens mais fascinantes do cinema actual. Vão-nos sendo dadas algumas pistas sobre o seu passado, mas sómente no segundo filme, “A Rapariga Que Sonhava Com uma Lata de Gasolina e um Fósforo” (para mim o melhor dos três) é que Lisbeth Salander atinge o zénith, passando toda a trama a girar à sua volta. Noomi Rapace (actriz sueca nascida em 28 de Dezembro de 1979) interpreta o seu personagem às mil maravilhas, de tal modo realista e convincente que dificilmente poderá ser lembrada por um qualquer outro que venha a incarnar no futuro.

O terceiro e último filme, “A Rainha no Palácio das Correntes de Ar”, é porventura o menos excitante da trilogia, dando-nos, ainda assim, algumas sequências de alto gabarito, como por exemplo a do julgamento de Lisbeth Salander. À semelhança dos livros, também a trilogia dos filmes tem suscitado bastante interesse, um pouco por todos os países onde vai sendo exibida. Como não podia deixar de ser, Hollywood aproveitou-se de imediato desta nova galinha dos ovos de ouros, tendo feito já o remake do 1º filme (“The Girl With the Dragon Tatoo”), com Daniel Craig e Rooney Mara nos papeis principais (a 2ª parte encontra-se já prevista para um futuro próximo). Assinado por David Fincher (compreende-se muito bem o fascínio do realizador por esta história, basta lembrar-nos do “Seven”) o filme segue de muito perto a versão original, mas não hesita em americanizar alguns detalhes. Mesmo assim é algo que se vê bem, apesar de se tornar dispensável para quem já viu o filme original. Para quem não viu, a versão norte-americana servirá certamente de isco para despertar o interesse dos espectadores para a trilogia sueca.

CURIOSIDADES:

- Noomi Rapace declarou numa entrevista à BBC que se preparou durante 7 meses para o papel de Lisbeth Salander. Essa preparação incluiu uma severa dieta, aulas de kick boxing, obtenção da licença de condução para motocicletas e a introdução de piercings no nariz e numa sobrancelha.

- Toda a música para os três filmes foi escrita em apenas 4 dias. Jacob Groth, o compositor, disse que as folhas para orquestra pesavam cerca de 33 quilos.

- A mãe de Lisbeth é interpretada por Nina Norén, que na vida real é mãe da própria Noomi Rapace.

- O primeiro filme, "Os Homens Que Odeiam as Mulheres". conquistou o BAFTA para o melhor filme em língua não inglesa.