segunda-feira, outubro 29, 2012

ANIVERSARIANTES DA SEMANA:


Dia  29:  Winona Ryder (41 anos)
Dia  29:  Richard Dreyfuss (65 anos)
Dia  30:  Charles Martin Smith (59 anos)
Dia  30:  Claude Lelouch (75 anos)
Dia  30:  Grace Slick (73 anos)
Dia  31:  Peter Jackson (51 anos)
Dia  31:  Dermot Mulroney (49 anos)
Dia  31:  Stephen Rea (66 anos)
Dia  31:  Bud Spencer (83 anos)
Dia  31:  Lee Grant (85 anos)
Dia    2:  K.D. Lang (51 anos)
Dia    3:  Kate Capshaw (59 anos)
Dia    3:  Monica Vitti (81 anos)
Dia    3:  Lulu (64 anos)
Dia    4:  Matthew McConaughey (43 anos)
Dia    4:  Marlène Jobert (72 anos)

domingo, outubro 28, 2012

ROSEMARY'S BABY (1968)

A SEMENTE DO DIABO
Um filme de ROMAN POLANSKI




Com Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans


EUA / 136 min / COR / 16X9 (1.85:1)


Estreia nos EUA a 12/6/1968
Estreia em MOÇAMBIQUE a 12/10/1969
(LM, Teatro Manuel Rodrigues)


Rosemary: "What have you done to him?
What have you done to his eyes, you maniacs!"
Roman: "He has his father's eyes"



Em tempo de estreia do novissimo Polanski (“The Ghost Writer” / “O Escritor Fantasma”) sabe bem regressar aos tempos áureos do realizador polaco, em que ele se encontrava no auge de uma clara felicidade na sua vida pessoal. O que não o impediu de arquitectar uma das obras mais inquietantes da sua filmografia. Tudo começa (intencionalmente) num tom cor-de-rosa de novela, em que nos são introduzidos os protagonistas do filme, um jovem casal (Guy e Rosemary Woodhouse) que, como tantos outros nessa mesma situação, procuram um apartamento para poderem iniciar o caminho a dois. Guy (John Cassavetes) é um ambicioso actor, Rosemary (Mia Farrow) uma devota católica desejosa de se tornar mãe. Instalam-se em Manhattan, no edifício Dakota (que muitos anos depois se tornaria célebre pelo assassinato de John Lennon).
A calma idílica do casal continua a ser-nos mostrada pela câmara cínica de Polanski que assim vai acentuando o contraste para tudo quanto mais tarde nos irá confirmar os pressentimentos mais terríveis. E esta transição, lenta e quase imperceptível, é a “chave” que faz com que a história de “Rosemary’s Baby” funcione e o desenrolar do filme vá aumentado a angústia do espectador. Sómente através de pequenos e subtis passos é que Rosemary (e nós, através dela) começa a suspeitar que algo está errado à sua volta. São os vizinhos, os Castevet, que por detrás da sua aparente amabilidade vão denunciando uma impertinência crescente. É a morte de uma inquilina e mais tarde de um amigo do casal em condições misteriosas. É a cegueira súbita sofrida por um colega de Guy que permite a este alcançar um papel há muito desejado. São os seus próprios pesadelos que se lhe apresentam cada vez mais reais. É a afamada reputação do local, onde se teria em tempos praticado magia negra.
Mas Rosemary vai afastando todos os maus presságios, tal o desejo de ser mãe pela primeira vez; e finalmente recebe a boa nova – vai ter um filho. No entanto a espiral de acontecimentos estranhos continuam, e Rosemary vai descobrindo que a “teoria da conspiração” não pertence afinal ao seu imaginário, sendo pelo contrário bem real. Acaba por fim de dar à luz mas dizem-lhe que houve complicações e o bébé morreu, não lhe permitindo sequer vê-lo. Mantêm-na sob o efeito de tranquilizantes mas Rosemary sabe que estão todos a mentir, até porque ela consegue ouvir um choro infantil através das paredes. Finalmente consegue reunir as forças necessárias e descobrir a passagem secreta para o local onde se encontra o seu bébé. Depois é o horror da descoberta (-“o que fizeram aos seus olhos?” - “tem os olhos do pai”, respondem-lhe) e progressivamente a aceitação da inevitabilidade de se ter tornado mãe, nem que seja a mãe do filho de Satanás.
O grande achado do final desta ghost story é de nunca o bebé nos ser mostrado. Presume-se a sua monstruosidade, mas deixa-se o close-up à imaginação do espectador. Técnica de sugestão clássica, aplicada aqui por um virtuoso, e com bons resultados, visto muito gente ter falado no aspecto terrível do bébé. Existe apenas uma breve imagem dos olhos mas essa imagem pertence ao pesadelo que Rosemary teve antes de engravidar.
Este drama psicológico, de um horror subtil mas terrivelmente eficaz, é servido por um excelente grupo de actores onde naturalmente se destaca Mia Farrow que tem aqui o papel de uma carreira.
“Pessoalmente não acredito nas sociedades secretas - declarou Polanski na altura - o que me interessa é dar aparências passíveis de se poder acreditar nelas”. Não seria isto brincar com o fogo? Um ano depois, a sua própria mulher, a actriz Sharon Tate, com quem se casaria após a rodagem do filme, era vítima de uma seita satânica liderada por Charles Manson. A realidade tinha largamente ultrapassado em horror a ficção.
"Rosemary’s Baby" foi um enorme êxito logo na estreia, com filas de bilheteira que se estendiam por quarteirões inteiros. Êxito que se prolongou no ano seguinte devido aos trágicos acontecimentos em que Polanski se viu envolvido. Hoje, à distância de mais de três décadas, tem-se a noção clara de que “Rosemary’s Baby” foi um filme à frente do seu tempo já que anunciou a psicose de feitiçaria que iria submergir a América nos anos seguintes, além de se ter tornado a primeira referência para filmes do género. E Polanski só dez anos depois nos conseguiria dar outro filme tão ou mais inquietante do que este – “Le Locataire” / “O Inquilino”.
CURIOSIDADES:

- O edifíco Dakota foi rebaptizado de "The Bramford" para o filme

- Foi durante a rodagem que Mia Farrow recebeu os papéis de divórcio enviados por Frank Sinatra, com quem se casara apenas dois anos antes

- É a própria Mia Farrow que entoa a canção de embalar ouvida no início e no fim do filme

- Antes de Mia Farrow uma grande quantidade de actrizes famosas chegou a ser equacionada para o papel de Rosemary: Tuesday Weld, Jane Fonda, Julie Christie, Elizabeth Hatman, até em Sharon Tate, a sua futura mulher, Polanski chegou a pensar. O mesmo se passou com a escolha do papel de Guy: Robert Redford, Richard Chamberlain, Jack Nicholson, James Fox.

- Quando Mia Farrow fala ao telefone com o colega de Guy é a voz de Tony Curtis que se ouve do outro lado.


quinta-feira, outubro 25, 2012

HAROLD AND MAUDE (1971)

ENSINA-ME A VIVER OU A HISTÓRIA DE HAROLD E MAUDE
Um filme de HAL ASHBY


Com Ruth Gordon, Bud Cort, Vivian Pickles, Cyril Cusack, Charles Tyner

EUA / 91 min / COR / 16X9 (1.85:1)

Estreia nos EUA a 20/12/1971
Estreia em MOÇAMBIQUE a 13/10/1972
(LM, Estúdio 222)



«Well if you want to sing out, sing out
and if you ant to be free, be free
there’s a million things to be, you know there are»
(Cat Stevens)

“It has an amazing history. Anywhere I’ve ever gone, you name it, people have walked up and said, «I have to talk to you about this movie.» It’s a nice way to meet people”
(Bud Cort)

Um dos filmes-chave do início da década de 70, esta comédia de humor negro acedeu por mérito próprio ao estatuto muito particular de objecto-raro. Percebe-se porquê. Hoje, tal como ontem, a rebelião continua a existir (felizmente...), e os alvos permanecem practicamente os mesmos: as forças policiais e militarizadas, a igreja e os seus derivados, ou ainda os estigmas de uma sociedade castrante, repleta de obrigações sociais e moralizantes. Ao fim e ao cabo, muito pouca coisa de essencial mudou nestas quatro décadas, motivo pelo qual este filme se mantém tão actual.
 
“Harold and Maude” (“Ensina-me a Viver” na tradução continental portuguesa, já que em Moçambique apareceu nas salas como “A História de Harold e Maude”) é um daqueles filmes cujo enredo não faz grande sentido contar. Um jovem de 20 anos, fã de cemitérios, simulador de suicídios e que se apaixona por uma velhota de 80? Julgo que hoje, tal como há quarenta anos atrás, seriam premissas mais do que suficientes para retirar público das salas de cinema. E assim começou efectivamente por acontecer quando o filme se estreou nos Estados Unidos a 20 de Dezembro de 1971 – foi um autêntico flop no box-office.
 
Mas depois, pouco a pouco, as pessoas começaram a falar do filme, a passar palavra, a quererem que os amigos mais chegados pudessem usufruir também da pequena felicidade que era assistir durante hora e meia àquela original história. E a “corrente” foi crescendo, alargando-se cada vez mais, até tornar “Harold and Maude” naquilo que ele nunca mais deixou de o ser: um genuíno filme de culto, daqueles a que de tempos a tempos somos obrigados a voltar quando a falsidade em nosso redor volta de novo a tomar proporções insuportáveis.
 
De algum modo é um filme na lina de um “Graduate”: o mesmo desajustamento social, a mesma procura das coisas importantes da vida fora do núcleo familiar. Aliás, uma temática que nos era muito familiar naquele virar de década, onde as rupturas com o establishment e o politicamente correcto eram o pão nosso de cada dia. E talvez resida aqui algum do desfasamento do filme face à realidade dos nossos dias – é que, contrariamente à minha geração, a juventude de hoje não denota a mesma ânsia de libertação do seio familiar, parecendo que iniciam a sua fase adulta de dentro para fora e muito mais tarde. Por essa razão temo que “Harold and Maude” não seja compreendido pelas faixas etárias mais novas, pelo menos com o mesmo entusiasmo de há 40 anos atrás.
 
“Harold and Maude” é muito mais do que uma história de amor entre uma octogenária e um jovem de 20 anos, como muito boa gente referiu na altura da estreia. É evidente que a relação está lá, não pode ser ignorada, mas o filme apenas a usa para outros voos, muito mais altos e diversificados. Na sua essência estamos perante uma sátira social adornada de um humor negro muito peculiar. Hal Ashby, o realizador, soube manter a corda bem esticada entre o privado e o político, a comédia e o sentimentalismo, o grotesco e o banal, orquestrando uma balada, uma alegoria de vida e morte em que esta última acaba por ser a força redentora que liberta a primeira. Ou seja, para que Harold possa "começar a viver" Maude tem de lhe oferecer o sacrifício supremo, renunciando a essa mesma vida para desse modo o poder libertar, apesar de, em certo sentido, ter passado a fazer parte dele:
 
and if you want to be me – be me
and if you want to be you – be you
cos there’s a million things to do
you know that there are”
 
Com um argumento brilhante da autoria de Collin Higgins, “Harold and Maude” inicia-se e acaba com encenações da morte. Mas se a primeira (e todas as outras ao longo do filme) apenas visa mostrá-la enquanto reflexo oposto de sinais vitais (como que um espelho no qual a mãe de Harold se possa contemplar de vez em quando) a última é a encenação definitiva, em que o espelho é quebrado e a liberdade enfim emerge, como consequência directa de uma morte já autêntica e não imitada – uma espécie de ritual, de morte libertadora.
 
Bud Cort e Ruth Gordon foram ambos nomeados para os Globos de Ouro de 1972, tendo Hal Ashby ganho o prémio da melhor realização no Festival Internacional de Cinema de Valladolid de 1974 por esta sua segunda longa metragem. Viria ainda a realizar alguns filmes importantes até ao fim dos anos 70 (casos de “Bound For Glory” em 1976 ou “Coming Home” em 1978) mas a partir do início dos anos 80 o seu trabalho foi perdendo interesse. Viria a falecer a 27 de Dezembro de 1988, de cancro no fígado, aos 59 anos. Ruth Gordon tinha 75 anos quando desempenhou o papel de Maude e viria a falecer de ataque cardíaco a 28 de Agosto de 1985, com 88 anos.
 

“What was more interesting was, I’d done that project, I’d think of put it behind me. But then, over the years it’s just taken on so much importance. It’s a milestone, and a part of people’s memories, which they love… and I love it too. Other things disappear or assume smaller proportions. “Harold and Maude” just gets better and means more and more. It’s the rarest thing. A film that gets better with age”
(Yusuf Islam, aka, Cat Stevens)
Um dos grandes trunfos do filme foi sem dúvida a sua banda sonora, composta pelas canções de Cat Stevens, na altura a viver o seu apogeu criativo. Essas canções ajustam-se que nem uma luva às imagens quer através das letras quer musicalmente. E o mais curioso é que a grande maioria foi retirada de dois albuns já existentes no mercado: “Mona Bone Jakon” e “Tea For The Tillerman”, ambos de 1970. As duas únicas novidades, compostas expressamente para o filme foram os temas “Don’t Be Shy” e “If You Want To Sing Out, Sing Out”.

 

Dada a edição recente daqueles dois albuns, não foi considerada importante na altura a saída de um novo album com a inclusão completa das canções que apareciam no filme. Apenas no Japão apareceu uma pequena edição pirata rotulada de banda sonora que rapidamente desapareceu da circulação para desgosto de possíveis coleccionadores. Em meados da década de 80 aqueles dois temas apareceram por fim editados legalmente no 2º Volume dos “Greatest Hits" de Cat Stevens. Mas não era isso que os verdadeiros fãs queriam. Esses queriam uma verdadeira banda-sonora do filme, com as palavras “Harold”, “Maude” e “Soundtrack” estampados na capa.
 
Tivemos todos de esperar 37 anos, tempo mais do que suficiente para Cat Stevens ter mudado de nome, trocado as luzes da ribalta pelo recolhimento religioso e ter por fim regressado à gravação de novas canções. Mas a espera é capaz de ter valido a pena. Numa altura em que os tempos do vinil estão pouco a pouco a regressar, o aparecimento de uma edição especial para colecionadores nos fins de 2007 representou a concretização de um sonho já muito antigo. A edição foi limitada (apenas 2,500 unidades) pelo que rapidamente se esgotou. Felizmente consegui a minha cópia a tempo (apesar de ter dispendido quatro vezes mais do que o preço "oficial") e ela aqui está, em todo o seu esplendor.
 
O autor deste projecto chama-se Cameron Crowe, um coleccionador obsessivo de bandas-sonoras e também escritor, director, produtor e arquivista em part-time, que durante os últimos três anos meteu mãos à obra, ajudado pela sua própria editora, a Vinyl Film Records, e também pela Paramount, que produziu o filme. E, claro, contou também com a ajuda do Senhor Yusuf Islam, o regressado Cat Stevens. O resultado (Vinyl Films VFR-2007-3) é excelente!
 
Desde logo a inclusão óbvia de todos os temas, incluindo versões alternativas e instrumentais, e prensados em vinil colorido, com oito cores diferentes à escolha (a minha cópia é em rosa claro-escuro). Vem também incluído um single de 7 polegadas com versões demo dos dois temas extras, também impresso em vinil colorido (no meu caso é branco) e acompanhado de uma pequena folha manuscrita com as letras das duas canções. Isto tudo vem inserido num dos lados da dupla capa (gatefold), a qual, no seu interior, apresenta uma montagem fotográfica de uma série de imagens relacionadas com o filme: livros, fotos, bilhetes, contas, singles, posters, enfim, uma autêntica parafernália de “Harold and Maude”.
 
 
No outro lado da capa encontra-se um grande envelope onde se pode ler “Harold & Maude Publicity Kit 25 Stills”, que é uma cópia do envelope na altura enviada à imprensa com fotografias para promoção do filme. No interior encontramos um catálogo com 36 páginas, recheado de fotografias originais e com histórias, curiosidades (sabiam que Elton John chegou a ser abordado para o papel principal?) e depoimentos de todos quantos estiveram envolvidos na produção do filme. A finalizar dois posters gigantes, um de Cat Stevens, a preto e branco, e outro com o poster a cores da edição japonesa do filme.


segunda-feira, outubro 22, 2012

ANIVERSARIANTES DA SEMANA:


Dia  22:  Jeff Goldblum (60 anos)
Dia  22:  Christopher Lloyd (74 anos)
Dia  22:  Valeria Golino (46 anos)
Dia  22:  Catherine Deneuve (69 anos)
Dia  22:  Annette Funicello (70 anos)
Dia  22:  Tony Roberts (73 anos)
Dia  23:  Sam Raimi (53 anos)
Dia  24:  Kevin Kline (65 anos)
Dia  24:  Melissa Hutchison (37 anos)
Dia  24:  Bill Wyman (76 anos)
Dia  26:  Dylan McDermott (51 anos)
Dia  26:  Bob Hoskins (70 anos)
Dia  26:  Rita Wilson (56 anos)
Dia  26:  Bernadette Lafont (74 anos)
Dia  27:  John Cleese (73 anos)
Dia  27:  Roberto Benigni (60 anos)
Dia  28:  Joaquin Phoenix (38 anos)
Dia  28:  Julia Roberts (45 anos)
Dia  28:  Dennis Franz (68 anos)
Dia  28:  Ben Harper (43 anos)